sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Infográfico Lipídios

Boa tarde, pessoal!

Será que conseguimos resumir todos os principais aspectos e características bioquímicas dos lipídios em um infográfico bem visual e fácil para utilizar como resumo nos estudos?

Claro que conseguimos, rs.

Segue o infográfico de lipídios, dentro da disciplina de Bioquímica Básica:



Bioquímica dos lipídios - como meu lanche vira energia ou depósito?

Olá, pessoal!

Boa tarde.

Imagine que você acabou de comer um delicioso hambúrguer, que devido aos queijos, bacon e outros ingredientes que o tornaram tão delicioso, acabou transformando ele em uma refeição cheio de lipídios. A partir do momento que as gorduras entram no nosso organismo, como uma operação bioquímica extremamente complexa e ligada diretamente à nossa sobrevivência.

Assim como a maioria das moléculas que fazem parte da nossa refeição, como os carboidratos que já estudamos, as moléculas de gordura precisam ser fragmentadas, reorganizadas, transportadas por diferentes compartimentos do organismo e, finalmente, destinadas a algum lugar: armazenamento, produção de energia ou síntese de moléculas fundamentais para a vida.

Mas é aqui que nossa conversa fica ainda mais interessante: os lipídios não se dão muito bem com água, e a maior parte dos líquidos relacionados ao trato digestivo e a maior parte componente do nosso sangue são pura água. E isso muda toda a dinâmica de digestão, transporte e armazenamento dos lipídios.

O organismo não trata a gordura como um simples combustível. Ele possui mecanismos específicos para decidir quando armazená-la, quando mobilizá-la e como utilizá-la.

Mas por que a gordura é uma reserva tão eficiente?

Antes de compreender o metabolismo dos lipídios, precisamos entender uma diferença fundamental entre os nutrientes: carboidratos e proteínas fornecem aproximadamente 4 kcal por grama. Já os lipídios fornecem cerca de 9 kcal por grama.

Essa diferença não é apenas um detalhe nutricional. Ela explica por que o tecido adiposo representa uma das principais estratégias de armazenamento energético do organismo.

A gordura permite que o organismo acumule uma quantidade expressiva de energia em um espaço relativamente pequeno. É uma solução evolutiva interessante: armazenar energia quando ela está disponível e mobilizá-la quando a ingestão alimentar não é suficiente.

Triglicerídeos: o cofre energético do organismo

Quando falamos de gordura armazenada no tecido adiposo, estamos falando principalmente dos triacilgliceróis, nossos famosos triglicerídeos.

Sua estrutura é relativamente simples: uma molécula de glicerol ligada a três ácidos graxos.


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Neuroplasticidade: o cérebro nunca está completamente pronto — e nossas experiências ajudam a construir quem somos

Por Prof. Dr. Bruno Damião | Plantando Ciência em parceria com o Congresso Internacional de Terapia Ocupacional (CONINTO)

Olá pessoal, boa tarde!

Você já fez essa pergunta alguma vez: Quando foi a última vez que o meu cérebro mudou?

Talvez ontem, enquanto você aprendia alguma coisa nova. Talvez hoje, ao repetir um comportamento que já faz parte da sua rotina. Ou talvez agora, enquanto lê estas palavras e estabelece novas associações entre informações que já conhece, enxergando a neuroplasticidade de uma forma completamente diferente.

Durante muito tempo, a compreensão sobre o sistema nervoso adulto foi marcada pela ideia de que sua capacidade de transformação era bastante limitada.

Espera, deixa eu falar isso de uma forma mais clara: acreditávamos que, depois do início da fase adulta (considerando que o sistema nervoso é visto como maduro a partir dos vinte um ou vinte dois anos), o cérebro se tornava praticamente imutável, como se já estivesse em sua versão final, algo como pronto.

Porém, quanto mais fomos aprendendo sobre neurociência, mais clara ficou o quão magnífico é nosso cérebro: ele se adapta, ao longo de toda a nossa vida, independente de idade ou qualquer outra coisa, de acordo com as informações e condições que oferecemos para ele!

Maturidade não significa imobilidade, não significa que está pronto.

Hoje, na fase adulta, diria que não está nem perto de estar pronto, o aprendizado e as mudanças, principalmente internas, são contínuas, dolorosas e belíssimas.

O cérebro adulto continua modificando suas conexões, reorganizando circuitos e adaptando seu funcionamento em resposta às experiências, à aprendizagem, ao ambiente e até mesmo às lesões. Neuroplasticidade é vida!

E talvez a pergunta mais importante não seja simplesmente se o cérebro pode mudar, mas: quais experiências estamos oferecendo a ele para que essa mudança aconteça? Uma vez que, se analisarmos apenas por essas observações iniciais do texto, já conseguimos perceber que muito sobre a forma que nosso cérebro funciona hoje e, boa parte da nossa saúde mental atual, são de responsabilidade exclusivamente nossas!


 

Mas afinal, o que é neuroplasticidade?

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Material de estudo - Fisiologia

Bom dia, pessoal!

Chegando a primeira prova e com certeza o amor de vocês pelo Bruno está aumentando, não tem como ser diferente, rs.



Como discutimos em sala de aula, não tem segredo, a base dos estudos é e sempre será o livro de Fisiologia, depois da leitura do livro, vamos para slides, questionário de revisão e material aqui do blog. 

Até hoje, uma das técnicas de estudo mais eficazes é a de Pomodoro, que prega de 20 a 25 minutos de foco nos estudos, seguido de 5 a 10 minutos de descanso, basicamente aquela pausa para o cafezinho. 

Na neurociência, esses minutos servem para recarregar a bateria de atenção do nosso cérebro, permitindo voltar renovado e absorver muito mais do conteúdo estudado nos próximos 20-25 minutos de foco!

Mas e o conteúdo? O que estudar?

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Bioquímica dos carboidratos - II

Boa tarde, pessoal!

Dando continuidade a nossa disciplina de Bioquímica básica, hoje seguimos estudando os carboidratos.

Você encontra a primeira parte da reflexão aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2026/09/bioquimica-dos-carboidratos-i.html

Os carboidratos — também conhecidos como glicídios, sacarídeos ou hidratos de carbono — representam as macromoléculas mais abundantes do nosso planeta.

Compostos por Carbono, Hidrogênio e Oxigênio, eles são os produtos primários da captura de energia solar através da fotossíntese, processo que pode ser resumido pela equação química:

6 CO2 + 6 H2O + luz à C6H12O6 (glicose) + 6 O2

Por séculos, os carboidratos foram vistos apenas como fonte de energia para nosso corpo. E quando eu digo séculos, são vários, rs. Pois a ideia começou lá com os alquimistas. Mas, o divisor de águas ocorreu nos anos 70, com técnicas avançadas como a cromatografia, eletroforese e espectrometria de massa, que foram revelando que os carboidratos possuem uma complexidade estrutural superior à das proteínas e ácidos nucléicos, desempenhando funções vitais de sinalização entre células e interação molecular.

 


A Base Química dos Hidratos de Carbono

A fórmula empírica básica dos carboidratos é (CH2O)n.

Esta nomenclatura reflete a proporção estequiométrica de 1 átomo de carbono para 1 molécula de água, mantendo-se constante em praticamente todos os compostos do grupo.

Essa arquitetura molecular, embora simples em sua unidade fundamental, permite uma vasta gama de funções que sustenta desde a integridade estrutural de organismos até os intrincados mecanismos de reconhecimento celular no corpo humano.

Tanta complexidade e nós temos a coragem de chamar de “açúcar do sangue”, rs.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Acupuntura e cérebro: o que acontece no sistema nervoso quando uma agulha encontra um ponto do corpo?

Olá, pessoal!

Boa tarde!

Hoje vamos fazer uma mistura espetacular aqui no Plantando Ciência: tradição milenar chinesa misturada com neurociência moderna.

Sendo um pouquinho mais claro, o que sabemos hoje sobre os efeitos da acupuntura na Ansiedade, Depressão e Estresse?

Olha que interessante esse quadro antes de começar a nossa reflexão:



É fato que os resultados apresentados na figura acima, principalmente quando consideramos o efeito na regulação da resposta de estresse, cortisol e modulação de atividade da amígdala e do córtex pré-frontal, são interessantíssimos e muito promissores. Tem ideia que essas regiões, eixos e hormônios estão diretamente envolvidos em basicamente todas as pesquisas mais recentes sobre Saúde mental e neurobiologia dos transtornos mais comuns atualmente, como os de ansiedade?

Temos um BAITA caminho a ser seguido aqui, que poderia, inclusive, ser pensado como estratégia a longo prazo para redução no uso de psicofármacos. Imagina se a acupuntura entra como uma associada no processo de desmame de um antidepressivo ou ansiolítico, é vitória atrás de vitória, rs.

Um dos trabalhos mais interessantes para abrir o artigo é uma meta-análise publicada em 2026, que reuniu 20 ensaios clínicos randomizados e 1.462 participantes.

A acupuntura tradicional apresentou uma melhora significativa na ansiedade dos pacientes, quando comparados aos pacientes que receberam outras técnicas e também quando comparados ao grupo controle (que não passou por acupuntura ou outra intervenção).

O efeito também permaneceu no acompanhamento dos pacientes. Porém, quando analisamos mais a fundo outros pontos comparados no artigo, os resultados se mostraram mais heterogêneos, justamente o tipo de ressalva que combina com a proposta aqui do Plantando Ciência.

Um estudo com foco no transtorno de ansiedade generalizada (TAG), uma meta-análise de 2025, encontrou uma redução significativa nas escalas de ansiedade e também melhora da qualidade do sono e sintomas depressivos, quando comparada a outras metodologias.

Mas tem estudo mostrando o cérebro funcionando durante uma sessão de acupuntura? Tem!

Estudos de neuroimagem mostram que a acupuntura não parece simplesmente produzir uma resposta “local”. Uma revisão de estudos de ressonância magnética em depressão encontrou alterações envolvendo o funcionamento de regiões como córtex cingulado anterior e regiões pré-frontais, além de mudanças na conectividade funcional. Isso é sensacional, uma vez que uma das discussões atuais sobre ansiedade fala sobre o córtex pré-frontal trabalhando menos que o normal na contenção das análises emocionais da amígdala. Algo como o freio dos impulsos ansiosos, das interpretações dramaticamente exageradas da amígdala não funcionar corretamente.

Fato que vem sendo confirmado por estudos recentes que apontam para um efeito sobre as redes neurais relacionadas à regulação emocional, recompensa e modo padrão.

Há um trabalho particularmente recente, publicado em 2026, que fez uma meta-análise de estudos de fMRI envolvendo 357 pessoas com depressão.

Os autores encontraram alterações consistentes em regiões como cíngulo e núcleo caudado, principalmente por meio de plasticidade neural, o que aparenta ter levado a melhora clínica dos pacientes analisados.

Também foi observada uma relação dose-resposta entre número de sessões e modulação da amígdala. E modulação da amígdala, hiperativada em muitos casos de transtornos de ansiedade, pode ser chave dos efeitos ansiolíticos de uma técnica milenar, criada milhares de anos antes de qualquer ideia sobre ciência como temos hoje, sensacional!

Talvez a pergunta mais interessante não seja “qual ponto da acupuntura trata a ansiedade?”, mas “como uma estimulação periférica consegue modificar a atividade de circuitos cerebrais envolvidos na ansiedade?”

 

Mas e o estresse?

Se eu disse, apenas que: “Acupuntura reduz o estresse.”

Eu não estaria sendo honesto com vocês!

“Há evidências de que a acupuntura pode interferir em sistemas neurobiológicos relacionados à resposta ao estresse.”

Pronto, olha que poética essa versão, rs.

Aqui, um dos principais candidatos é o eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (HPA), responsável pela liberação de cortisol no estresse, dentre diversos outros efeitos característicos do estresse crônico, acumulado.

Uma revisão de 2024 reuniu evidências sobre a interação entre acupuntura e eixo HPA e descreveu possíveis efeitos envolvendo hipotálamo, hipocampo, amígdala, hipófise, neurotransmissores e neuropeptídeos. Uma análise um pouco mais neurobiológica das ações.

E isso é muito interessante porque conecta diretamente a acupuntura com algo que já discutimos inúmeras vezes aqui:

Estímulo → sistema nervoso → hipotálamo → eixo HPA → cortisol → resposta fisiológica ao estresse.

Um estudo publicado na Nature demonstrou, em modelos experimentais, que a eletroacupuntura em determinados locais poderia recrutar fibras sensoriais e ativar uma via vagal-adrenal, associada à modulação de respostas inflamatórias.

Aqui, porém, preciso deixar muito claro:

Isso é evidência experimental — não significa que já esteja comprovado que a mesma via produza os mesmos efeitos clínicos em seres humanos com ansiedade ou depressão.

Um mecanismo fascinante: a agulha conversa com o sistema nervoso

Um dos exemplos mais bonitos de neurobiologia da acupuntura vem de um estudo publicado na Nature Neuroscience.

Pesquisadores demonstraram que a estimulação por acupuntura aumentava localmente a liberação de adenosina, e que seus efeitos analgésicos dependiam da ativação de receptores A1. Esse estudo foi feito em animais e estudou principalmente dor, então não devemos extrapolá-lo diretamente para ansiedade ou depressão.

Mas ele demonstra algo conceitualmente importante: uma agulha inserida na periferia pode desencadear uma cascata neuroquímica mensurável e auxiliar no tratamento de dor.

Imagina nos casos de dores crônicas, o tanto de sofrimento que poderia ser resolvido com mais agulhas e menos medicamentos! Qualidade de vida, saúde e longevidade juntos!

E isso muda completamente a maneira de pensar a acupuntura, porque a ciência vem mostrando claramente que: a estimulação mecânica de tecidos periféricos pode ativar fibras sensoriais, produzir sinais neurais e desencadear respostas neuroquímicas e autonômicas.

A questão científica passa então a ser:

Quais vias são ativadas, em quais condições e com qual magnitude? E quais os pontos mais interessantes para serem explorados?

Mas, a partir desse ponto, quem assume a discussão na segunda parte da matéria é a biomédica e grande amiga Valéria Caruso, trazendo mais informações sobre a técnica em si, a qual ela exerce a anos em sua clínica.

Boas reflexões e até a próxima!


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Bioquímica dos Carboidratos - I

Boa noite, pessoal

Dando continuidade na nossa disciplina de Bioquímica Básica, agora entramos na primeira macromolécula bioquímica, e ela é a macromolécula mais comum na natureza.

Estamos falando deles, os carboidratos.
Encontrados nas mais variadas fontes, desde vegetais até as animais, os carboidratos estão diretamente relacionadas à energia disponível para o bom funcionamento do nosso corpo, sendo combustível essencial e uma molécula extremamente importante para o bom funcionamento de toda nossa fisiologia corporal.



Para começarmos a discussão, recomendo dois materiais que trazem uma reflexão sobre comportamento alimentar e como a glicose acaba sendo um dos principais reguladores da nossa fome fisiológica e também os exames bioquímicos que utilizamos para diagnosticar e acompanhar pacientes com distúrbios no processamento de carboidratos, como observamos da diabetes (que é uma síndrome metabólica).

O primeiro material nos conta sobre como nosso corpo entende que está na hora de buscar um alimento e quais as regiões do cérebro, mais especificamente do hipotálamo, estão envolvidas nos atos de sentir fome e se sentir satisfeito (saciedade).

Essa reflexão, vocês podem fazer aqui:

Já o segundo material inicial explora um pouco mais os principais exames realizados nos laboratórios de análises clínicas para avaliar como nosso corpo está lidando com esses carboidratos, e você encontra no link:

Essa discussão permite montar as primeiras ideias e, a partir de agora, nós vamos entender toda a parte estrutural e como nosso corpo realmente utiliza esse carboidrato ingerido na alimentação, inclusive, entenderemos o processo para a liberação da insulina, hormônio crucial para a entrada de glicose em muitos tipos celulares, como o músculo estriado esquelético.

Bons estudos, pessoal!

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Enzimas e vitaminas: pequenas moléculas, grandes responsabilidades - parte 2

Olá, pessoal.

Bom dia!

Vamos começar a conversa hoje com uma pergunta que eu tenho certeza que você já fez em algum momento: afinal, para que servem as vitaminas?

Quando alguém fala em vitamina, geralmente pensamos imediatamente em saúde.

“Vitamina faz bem.”

“Vitamina aumenta a imunidade.”

“Estou cansado, talvez esteja com falta de vitamina.”

Mas essas frases, apesar de populares, escondem uma pergunta muito mais interessante:

O que uma vitamina realmente faz dentro do organismo?


E sabe a resposta?

Depende da vitamina, porque as funções e relações com saúde física e mental são interessantíssimas e bem variadas.

E talvez uma das formas mais interessantes de compreender isso seja voltando ao que acabamos de discutir.

Algumas vitaminas participam direta ou indiretamente de processos metabólicos fundamentais. Algumas dão origem a moléculas utilizadas como cofatores ou coenzimas.

Outras participam de processos relacionados à visão, coagulação, absorção de cálcio, proteção antioxidante, síntese de moléculas e funcionamento neurológico.

Ou seja: As vitaminas não são simplesmente “boas para o corpo”.

São moléculas envolvidas em processos específicos. Elas são indispensáveis para o bom funcionamento do nosso corpo.

E, quando elas faltam, determinadas partes dessa enorme rede bioquímica podem deixar de funcionar adequadamente.

Duas grandes equipes: as que gostam de gordura e as que preferem água

Uma das classificações mais importantes divide as vitaminas em dois grupos: lipossolúveis e hidrossolúveis.

As vitaminas lipossolúveis são absorvidas juntamente com os lipídios da alimentação e podem ser armazenadas, principalmente no fígado e no tecido adiposo.

Aqui encontramos as famosas vitaminas A, D, E e K.

Já as vitaminas hidrossolúveis geralmente não são armazenadas da mesma forma e precisam ser consumidas regularmente.

Nesse grupo estão: vitamina C e vitaminas do complexo B.

E essa diferença já nos mostra uma coisa importante.

Não faz sentido pensar em todas as vitaminas como se fossem iguais. Porque elas não são.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O plástico chegou ao cérebro. O que isso pode significar para o desenvolvimento neurológico?

Boa noite, pessoal!

A décadas começamos um processo de industrialização e mudança para as cidades que nos fez perceber um detalhe importante: nós produzimos lixo para um caramba, mas com o tempo percebemos que o buraco era bem mais em baixo, porque vimos que esse lixo volta para nós, de formas catastróficas muitas vezes.

A bola da vez? Plástico!


Dá uma olhada a sua volta. Aqui no hotel tem uma garrafa grande de água na mesa onde escrevo, uma embalagem, o sabonete do hotel no banheiro, o que não é feito de plástico, ta embalado em plástico, rs.

E a ciência está nos mostrando uma coisa muito perigosa. Esse plástico vira micro e está invadindo nossos corpos de maneiras as mais variada, e tem plástico até no nosso cérebro!

As revisões mais recentes são bastante claras em um aspecto muito importante: há plausibilidade biológica e evidências experimentais, mas ainda não existe evidência humana suficiente para estabelecer causalidade entre exposição a micro/nanoplásticos e TEA.

 

Primeiro veio o plástico. Depois, ele entrou no nosso corpo. Agora, a pergunta é: ele chegou ao cérebro?

Durante muito tempo, microplásticos foram tratados principalmente como um problema ambiental. Encontrávamos plástico nos oceanos, nos peixes, na água e no solo.

Mas a pergunta mudou.

Hoje, pesquisadores investigam partículas plásticas em tecidos e fluidos humanos — e a literatura recente discute evidências de sua presença inclusive no sistema nervoso central.

Uma das grandes questões atuais não é mais apenas “estamos expostos?”, mas “o que acontece quando essa exposição encontra o cérebro?”

O problema talvez não seja apenas quanto plástico produzimos. Talvez seja quanto dele o nosso organismo suporta e consegue se adaptar a conviver.

E se formos mais fundo, o que acontece quando esse microplástico encontra o cérebro e todo o sistema nervoso em formação no desenvolvimento fetal e também no processo de amadurecimento do cérebro na infância e adolescência.

Acabou de piorar, né?

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Como vai sua memória?

Boa noite, pessoal!

O projeto Plantando Ciência e UniSaúde, da Unifaj, entra na sua segunda semana, e essa semana vamos focar nossas reflexões na Memória.

Eu aposto que, em algum momento da última semana você chegou em um cômodo da casa e não lembrou o que ia buscar, ou abriu a geladeira e não fazia a menor ideia do que foi pegar ali. Talvez tenha "perdido" a chave dentro de casa.

Alguns provavelmente pensaram e até falaram para alguém: estou com problema de memória, ou, minha memória está ruim.

E para acalmar seu coração, e muito improvável que você tenha algum problema de memória, é bem mais provável que você só não tenha prestado atenção, ou está com a cabeça cheia de informações, as vezes cansado ou estressado, e ai o foco fica difícil de se manter, acontece!



Mas porque falei sobre atenção?

Imagina o seguinte cenário: ao longo do dia, nosso cérebro recebe milhares de informações através dos cinco sentidos. É só pensar: até o momento em que você está lendo esse conteúdo, quantas coisas já viu desde que está acordado? Quantos cheiros sentiu? Quantos sabores provou ao longo desse dia?

Imagina se o cérebro precisasse guardar todas essas informações, ele ficaria completamente sobrecarregado e sem energia, como se não sobrasse espaço para novas experiências serem registradas.

E isso não faria sentido nenhum. 

Imagina ter uma máquina tão potente como o cérebro humano e não conseguir aproveitar toda sua capacidade cognitiva? Que tristeza biológica seria.

E qual foi a solução encontrada?

Nós transformamos em memórias de longo prazo, aquelas que duram as vezes para sempre, apenas as experiências que prestamos atenção e as que nos fizeram sentir emoções, que possuem carga emocional, seja boa ou ruim.

É como se o cérebro tivesse aprendido a grifar o que é importante ou não, economizando energia e espaço de armazenamento. E as canetas que grifam e sinalizam a importância da experiência são a atenção e o que sentimos em cada experiência.

Vai me falar que você nunca leu uma página inteira de um livro e, na última palavra, percebeu que não entendeu absolutamente nada do que tinha lido nos últimos parágrafos? Falta de atenção, lá vai você ler a página inteira de novo, rs.

Gosto de falar para os alunos que nossa atenção tem uma bateria, que gasta muito rápido quando estamos focados em algo, como no celular rolando as redes sociais. 

Para recarregar e poder usar novamente nosso foco, precisamos dos minutos para o cafezinho, de um exercício físico, de um bom banho, de uma forma de deixar o cérebro divagar um pouco, assimilar as ideias e voltar com força total. A bateria acaba rápido, mas recarrega rápido também, mas o cérebro precisa de um pouco de paz para isso.

E claro, praia e cachoeira são ótimas formas de ter um pouco de paz e recarregar as energias, mas como nem sempre é possível, pequenos intervalos na rotina, de preferência sem o celular, já ajudam bastante.

Nossa memória é fantástica, e mais reflexões sobre sua beleza você pode encontrar aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2022/07/memoria-algumas-reflexoes.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2023/09/a-beleza-da-memoria-humana.html


Existem alguma características fascinantes, como o fato da memória contar nossa história pessoal, uma vez que, ao refletir um pouco, percebemos que somos hoje o que temos guardado das experiências que passamos. 

Além disso, a memória nos faz enxergar o mundo de acordo com as lentes que foram colocadas em nossa visão de acordo com cada experiência marcante, e é por isso que cada um de nós enxerga o mesmo mundo de forma tão diferente, que gostamos de músicas diferentes, de livros diferentes, de filmes diferentes...

Vale a pena dar uma olhada nesses materiais para refletir mais a respeito:

https://plantandociencia.blogspot.com/2021/04/memoria-reflexoes.html

Mas quais áreas estão relacionadas com a formação de memórias no nosso cérebro?

A principal recebe o nome de hipocampo, uma região que faz parte do famoso Sistema Límbico, relacionado às nossas emoções, comportamentos emocionais e formação de memórias. 

O hipocampo, basicamente, guarda as experiências do dia para trabalhar em cima delas durante a noite, no sono. Daí a importância do sono para a formação das memórias e do nosso aprendizado. 

As experiências que foram grifadas pela atenção ou pela carga emocional são transformadas em memórias de longo prazo e ficam espalhadas no nosso cérebro. Ou seja, o hipocampo ajuda a formar a memória de longo prazo, mas não armazena ela.

E aquelas experiências que não precisam ser guardadas? São apagadas, e posso comprovar com uma pergunta simples: você lembra o que comeu no almoço de terça passada? E de quem encontrou na sala de aula no primeiro dia de aula de Fisiologia? 

Provavelmente não, porque isso não importa, não precisa ser registrado no cérebro.

Para finalizar essa primeira discussão sobre memória e as pílulas que irão surgir sobre o assunto, recomendo três leituras divertidas e ricas em conhecimento neurocientífico, além disso, tem uma dica de documentário espetacular para aprender assistindo:

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/01/explicando-mente-memoria-parte-1.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/02/explicando-mente-memoria-parte-2.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/03/explicando-mente-memoria-parte-3.html

Por hoje é só, pessoal!
Boas reflexões e lembrem-se, você não tem problema de memória (provavelmente), só não está prestando muito a atenção.

Fisiologia, primeira parte

Bom dia, pessoal!

Encerramos hoje, em sala de aula, a primeira parte da disciplina de Fisiologia Humana. 

Até o momento, trabalhamos bastante sobre as sinapses químicas e suas características e funções, sistema ósseo e sistema músculo esquelético, com o maior foco sendo dado ao processo da contração muscular. 

Quando começamos o semestre, trouxe novamente para vocês o conceito de sinapses químicas, e mostrei como ela está por trás de basicamente tudo que fazemos ao longo do nosso dia, desde os cinco sentidos até os movimentos, passando por toda a base cognitiva do nosso cérebro.

Alguns materiais que valem a pena serem incluídos no estudo de vocês é:

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/02/potenciais-de-acao.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/09/tecido-nervoso-i.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2021/03/tecido-nervoso-2-celulas-da-glia-e.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/03/sinapses-quimicas.html


Aha Bruno, mas o que devo focar desses materiais, pensando em prova? Sinapses químicas (mecanismo de ação), exemplo dos inibidores da recaptação de serotonina e o conceito de neuroplasticidade envolvido no transtorno depressivo antes e depois do fármaco, e o exemplo da toxina botulínica, que conecta os temas sinapse química e contração muscular.

Depois desse primeiro susto, falamos sobre tecido ósseo e algumas das suas principais características, desde a anatomia até a questão celular, onde estudamos osteoblastos, osteoclastos e a relação da saúde óssea e a osteoporose. 

Aqui no blog, tem um resumo de sistema ósseo da Anatomia, que deixo aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2016/12/introducao-ao-estudo-da-anatomia_20.html

Porém, lembrem-se do que falei em sala de aula. Esse material é uma revisão de anatomia, então, caso algo apareça na prova, é a relação entre a destruição controlada dos ossos causada pelos osteoclastos e a reconstrução que é papel dos osteoblastos. 

Acrescentaria, a essa discussão, o papel da vitamina D e do cálcio na manutenção da saúde óssea, e a menopausa como fator de risco para as mulheres, principal grupo diagnosticado com a patologia.

Finalizando a parte óssea, entramos no sofrimento de verdade, rs. Brincadeira, entramos em contração muscular, e aqui temos uma gama de materiais um pouco maior, sendo que, esse assunto, é o principal dentre os primeiros estudados. 

Vocês já sabem, nessa altura, que o principal significa o que vai aparecer com mais frequência na primeira prova, dentre os materiais citados! Fica a dica!

Alguns links que podem salvar nos estudos:

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/04/juncao-neuromuscular.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/04/contracao-do-musculo-esqueletico.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2026/08/fisiologia-da-contracao-muscular-2.html


Não se esqueçam que dividimos a fisiologia da contração em dois grandes momentos, um momento onde o movimento é gerado e desenhado no sistema nervoso central (SNC) e chega até a placa motora, com a liberação da acetilcolina. E um segundo momento, que ocorre quando a acetilcolina se liga aos receptores do músculo esquelético e dispara a contração do músculo esquelético.

A primeira parte, até a junção neuromuscular, vocês encontram aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/05/cerebelo-e-motricidade-20.html

Agora, não tem segredo, é com vocês!

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Enzimas e vitaminas: pequenas moléculas, grandes responsabilidades - parte 1

Olá, pessoal!

Hoje vou começar nossa discussão com uma pergunta bem simples:

O que está acontecendo dentro do seu corpo agora?


Enquanto você lê este texto, está respirando sem precisar pensar sobre isso, coração batendo para que o oxigênio da respiração chegue a todos os cantos do seu corpo, inclusive, abastecendo seu cérebro de energia para permitir que você leia o material, rs.

E, enquanto tudo isso acontece, existe uma coisa acontecendo em praticamente todos os lugares do seu organismo: Reações químicas.

Muitas. Milhares delas.

O tempo todo moléculas sendo quebradas, outras sendo construídas, energia sendo produzida e utilizada, substâncias sendo transformadas.

A vida, em grande parte, é química acontecendo.

Mas aqui aparece uma pergunta ainda mais interessante:

Se as moléculas do nosso organismo são capazes de reagir umas com as outras...

Por que elas não fazem isso simplesmente sozinhas?

Não faria mais sentido se elas não precisassem de ajuda para realizar essas reações? Por que precisamos de algo para ajudar?

Para responder a essa pergunta, precisamos falar sobre duas coisas que, à primeira vista, parecem assuntos completamente diferentes:

enzimas e vitaminas.

Mas, no final, talvez você perceba que elas estão muito mais conectadas do que imaginávamos.

E não só isso, na discussão sobre vitaminas, vamos entender como a ciência vem mostrando a relação direta entre falta e excesso de vitaminas e alguns nutrientes estão diretamente relacionadas à saúde mental.

Na verdade, a vida não pode esperar

Imagine que você acabou de comer.

Os alimentos precisam ser digeridos. Carboidratos precisam ser quebrados. Proteínas precisam ser transformadas em aminoácidos. Lipídios precisam ser processados.

Parte dessas moléculas será utilizada para produzir energia. Outra parte será utilizada para construir novas estruturas.

Agora imagine que todas essas reações até fossem possíveis...

Mas demorassem dias. Ou semanas. Isso seria um enorme problema.

Porque a vida não funciona apenas porque as reações químicas podem acontecer. Ela funciona porque essas reações acontecem na hora certa, no lugar certo e na velocidade adequada.

E aqui é exatamente o ponto onde entram as enzimas na nossa discussão.


Enzimas: os aceleradores da vida

As enzimas são catalisadores biológicos.

Traduzindo para uma linguagem menos assustadora: elas ajudam as reações químicas a acontecerem mais rapidamente.

Como se fosse um turbo, que acelera o acontecimento das coisas dentro do nosso organismo.

E isso é extremamente importante.

Uma reação que poderia acontecer lentamente pode ocorrer milhares ou milhões de vezes mais rapidamente quando existe uma enzima participando do processo. Isso é vida, ágil, dinâmica, rápida!

E existe outro detalhe interessante.

A enzima não é simplesmente “gasta” durante a reação, como se fosse um combustível.

Ela participa. Ajuda. Facilita a transformação.

E pode participar novamente. E novamente. E novamente...

Uma mesma enzima pode catalisar várias reações semelhantes em um período relativamente curto. Por isso, grande parte do nosso metabolismo depende delas. Mas não pense que uma enzima é uma espécie de trabalhador genérico, capaz de fazer qualquer coisa.

As enzimas são específicas.

Elas reconhecem determinadas moléculas, chamadas de substratos, e participam de reações específicas.

Aqui podemos parar e pensar em uma pergunta:

Se existem milhares de moléculas circulando dentro de uma célula, como uma enzima “sabe” com qual delas deve interagir?

A resposta está na sua estrutura.

E, na maioria dos casos, estamos falando de proteínas.

Proteínas com uma estrutura tridimensional extremamente importante para o seu funcionamento. Mas a palavra “maioria” é importante. Porque nem todas as moléculas capazes de exercer atividade catalítica são proteínas.

Existem também moléculas de RNA capazes de catalisar reações. Elas recebem o nome de ribozimas.

Ou seja:

Até uma molécula que normalmente associamos ao armazenamento e à transmissão de informações pode, em determinadas situações, participar ativamente da química da vida.

Fora toda a relação das enzimas com o funcionamento e quebra dos fármacos em nosso organismo, ponto que vamos analisar ali na frente, quando falarmos sobre as enzimas hepáticas AST E ALT.

 

Mas, para continuarmos, vamos fazer uma experiência bioquímica bem simples?

Vamos colocar uma batata em água oxigenada?

Agora vamos sair um pouco da teoria.

Imagine três copos.

No primeiro, colocamos pedaços de batata crua.

No segundo, pedaços de batata cozida.

No terceiro, apenas água.

Depois adicionamos água oxigenada aos três.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Seu cansaço não está passando? Mesmo depois de dormir?

Bom dia, pessoal!

Sabe aquela sensação de acordar cansado, mesmo depois de uma noite boa de sono?

Já acordou cansado? Ou melhor, mentalmente cansado?

Tipo aqueles dias em que, nas primeiras horas da manhã, você mal consegue organizar os pensamentos, o cérebro parece esgotado...

E ele está, coitado. 

E advinha quem está por trás desse cenário? 

O Estresse.

Estresse que vai se acumulando dia após dia, na correria da rotina, dos boletos, dos BOs surpresas que sempre aparecem, da alimentação atrapalhada e que mais judia que ajuda o corpo, das noites de sonos mal dormidas...

E, normalmente, o que fazemos?

Nada.

Consideramos normal, que faz parte da vida, e esquecemos que o estresse que se acumula precisa ser gasto, precisamos de válvulas de escape para que o cérebro se reinvente, descanse mesmo sem dormir, tire o foco do lado mais puxado e tenha momentos para ser ele mesmo, praticando o ócio criativo.

 


É uma reclamação comum, que com frequência aparece nas salas de aula, na roda de conversa com amigos, em alguns (poucos) ambientes que frequento na minha rotina. 

E tem aparecido com cada vez mais frequência.

Imagina um cenário maravilho, onde tiramos o estresse acumulado da sua vida e rotina. Sobrando só sua versão que faz as coisas, mas lida bem com tudo, não acumulando estresse.

Nesse cenário, seu sono está bem regulado, tanto em horas quanto em qualidade. Aqui, dentre os papéis essenciais do sono, gostaria de focar em alguns específicos:

 

- Descanso e limpeza do cérebro! Durante as fases mais profundas do sono e na fase do sono REM, o cérebro se reorganiza, se limpa, se prepara para o novo ciclo que começa ao despertar. Isso é essencial para manutenção da nossa saúde mental, para construção de memórias, para um maior nível de atenção e cognitivo, é o cérebro poder funcionar com seu potencial máximo.

- Além dessas alterações, o sono ainda diminui  o cortisol corporal, libera hormônios como o do crescimento (GH), diminui o tônus simpático (responsável pelo estado de alerta do nosso corpo e mente), dentre várias funções biológicos que auxiliam na nossa saúde física e mental.

 

Quando estamos sobre uma grande carga de estresse ou sobre os drásticos efeitos do estresse patológico crônico, acontecem algumas mudanças no nosso organismo que vão dificultando cada vez mais a qualidade do sono, minando a qualidade do descanso através dos altos níveis de cortisol e outras alterações neurobiológicas.

Para que vocês entendem de uma forma mais simples, estresse acumulado tende a aumentar a concentração do hormônio cortisol, pois o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal está constantemente ativo. 

Dentre os efeitos conhecidos de um aumento crônico do cortisol, temos uma diminuição da força do sistema imune, tornando nosso corpo mais fraco e mais apto a ficar doente, disfunções cognitivas, declínio na formação de memórias e do aprendizado... 

E boa parte, se não tudo, conversa com os efeitos do estresse sobre o nosso sono, e porque o coitado do cérebro não consegue descansar, mesmo que você durma oito horas todas as noites.

Estresse alto, cortisol alto, sistema nervoso simpático (aquele da resposta de Luta ou Fuga) hiperativo. 

De dia, tudo isso vai afetar bastante sua rotina, seu humor, mas a noite meu amigo, os efeitos acabam custando mais caro, e muitas vezes de uma forma bem sutil.

Primeiro, existe um aumento do cortisol noturno, uma vez que, nessa fase de grande carga de estresse, o parassimpático não consegue tomar as rédeas nem mesmo durante a noite, e o simpático e toda a tensão que ele trás, continuam ativos durante seu sono. Assim, aumenta o gasto energético do corpo e do cérebro durante a noite. e tem mais, o cérebro ainda não consegue fazer a limpeza adequada, prejudicando a consolidação de memórias.

Se não bastasse, pesquisas mostram que essa "limpeza", basicamente uma faxina que acontece durante o sono, limpa do nosso cérebro a famosa beta-amiloide, que quando acumulada da início à inflamação e morte neuronal associadas à doença de Alzheimer. Tem pesquisas, inclusive, que mostram que uma noite mal dormida já aumentaria a probabilidade de desenvolver a doença, ou seja, ferrou, rs.

Ou seja, mesmo dormindo, o cérebro não consegue recarregar suas baterias. 

Além de essa combinação aumentar os episódios de despertar ao longo da noite, mesmo que seja micro, sem que a gente nem perceba, todas essas alterações em conjunto aumentam a inflamação ao longo de todo o nosso corpo. Algo como uma inflamação basal, pequena, porém corrosiva no longo prazo.

Juntando tudo isso, seu corpo pode até ter a sensação de estar descansado, mas seu cérebro não. Você fica esgotado nas primeiras horas do dia, atenção prejudicada, formação de memórias prejudicada, humor desequilibrado... 

Não adianta, precisamos enxergar o estresse acumulado como um formador de caos na nossa biologia, principalmente na neurobiologia. Por isso, encontrar válvulas de escape para o estresse: exercício físico que você se apaixone, pessoas ou locais que te fazem bem, atividades que geram prazer... é extremamente necessário em nossa rotina atual.

Até porque, se assim como eu, você não for herdeiro ou tenha alguém para te bancar, os níveis de estresse por conta dos BOs diários e da vida continuarão sendo altos, então, não adianta visualizarmos um mundo de plenitude e paz, mas sim encontrar formas para que o caos do dia a dia, não torne o nosso corpo e, consequentemente, a nossa mente, em um caos também.

Tenham momentos ou pratiquem atividades, coisas que você gosta, que dá aquela sensação de abraço mental, que faz bem para o corpo e para a saúde mental.

E antes de finalizarmos essa reflexão, é com o maior prazer que anuncio a parceria entre o Plantando Ciência e o Centro Universitário de Jaguariúna, a UNIFAJ.