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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Bioquímica dos lipídios - como meu lanche vira energia ou depósito?

Olá, pessoal!

Boa tarde.

Imagine que você acabou de comer um delicioso hambúrguer, que devido aos queijos, bacon e outros ingredientes que o tornaram tão delicioso, acabou transformando ele em uma refeição cheio de lipídios. A partir do momento que as gorduras entram no nosso organismo, como uma operação bioquímica extremamente complexa e ligada diretamente à nossa sobrevivência.

Assim como a maioria das moléculas que fazem parte da nossa refeição, como os carboidratos que já estudamos, as moléculas de gordura precisam ser fragmentadas, reorganizadas, transportadas por diferentes compartimentos do organismo e, finalmente, destinadas a algum lugar: armazenamento, produção de energia ou síntese de moléculas fundamentais para a vida.

Mas é aqui que nossa conversa fica ainda mais interessante: os lipídios não se dão muito bem com água, e a maior parte dos líquidos relacionados ao trato digestivo e a maior parte componente do nosso sangue são pura água. E isso muda toda a dinâmica de digestão, transporte e armazenamento dos lipídios.

O organismo não trata a gordura como um simples combustível. Ele possui mecanismos específicos para decidir quando armazená-la, quando mobilizá-la e como utilizá-la.

Mas por que a gordura é uma reserva tão eficiente?

Antes de compreender o metabolismo dos lipídios, precisamos entender uma diferença fundamental entre os nutrientes: carboidratos e proteínas fornecem aproximadamente 4 kcal por grama. Já os lipídios fornecem cerca de 9 kcal por grama.

Essa diferença não é apenas um detalhe nutricional. Ela explica por que o tecido adiposo representa uma das principais estratégias de armazenamento energético do organismo.

A gordura permite que o organismo acumule uma quantidade expressiva de energia em um espaço relativamente pequeno. É uma solução evolutiva interessante: armazenar energia quando ela está disponível e mobilizá-la quando a ingestão alimentar não é suficiente.

Triglicerídeos: o cofre energético do organismo

Quando falamos de gordura armazenada no tecido adiposo, estamos falando principalmente dos triacilgliceróis, nossos famosos triglicerídeos.

Sua estrutura é relativamente simples: uma molécula de glicerol ligada a três ácidos graxos.


sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Bioquímica dos carboidratos - II

Boa tarde, pessoal!

Dando continuidade a nossa disciplina de Bioquímica básica, hoje seguimos estudando os carboidratos.

Você encontra a primeira parte da reflexão aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2026/09/bioquimica-dos-carboidratos-i.html

Os carboidratos — também conhecidos como glicídios, sacarídeos ou hidratos de carbono — representam as macromoléculas mais abundantes do nosso planeta.

Compostos por Carbono, Hidrogênio e Oxigênio, eles são os produtos primários da captura de energia solar através da fotossíntese, processo que pode ser resumido pela equação química:

6 CO2 + 6 H2O + luz à C6H12O6 (glicose) + 6 O2

Por séculos, os carboidratos foram vistos apenas como fonte de energia para nosso corpo. E quando eu digo séculos, são vários, rs. Pois a ideia começou lá com os alquimistas. Mas, o divisor de águas ocorreu nos anos 70, com técnicas avançadas como a cromatografia, eletroforese e espectrometria de massa, que foram revelando que os carboidratos possuem uma complexidade estrutural superior à das proteínas e ácidos nucléicos, desempenhando funções vitais de sinalização entre células e interação molecular.

 


A Base Química dos Hidratos de Carbono

A fórmula empírica básica dos carboidratos é (CH2O)n.

Esta nomenclatura reflete a proporção estequiométrica de 1 átomo de carbono para 1 molécula de água, mantendo-se constante em praticamente todos os compostos do grupo.

Essa arquitetura molecular, embora simples em sua unidade fundamental, permite uma vasta gama de funções que sustenta desde a integridade estrutural de organismos até os intrincados mecanismos de reconhecimento celular no corpo humano.

Tanta complexidade e nós temos a coragem de chamar de “açúcar do sangue”, rs.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Como vai sua memória?

Boa noite, pessoal!

O projeto Plantando Ciência e UniSaúde, da Unifaj, entra na sua segunda semana, e essa semana vamos focar nossas reflexões na Memória.

Eu aposto que, em algum momento da última semana você chegou em um cômodo da casa e não lembrou o que ia buscar, ou abriu a geladeira e não fazia a menor ideia do que foi pegar ali. Talvez tenha "perdido" a chave dentro de casa.

Alguns provavelmente pensaram e até falaram para alguém: estou com problema de memória, ou, minha memória está ruim.

E para acalmar seu coração, e muito improvável que você tenha algum problema de memória, é bem mais provável que você só não tenha prestado atenção, ou está com a cabeça cheia de informações, as vezes cansado ou estressado, e ai o foco fica difícil de se manter, acontece!



Mas porque falei sobre atenção?

Imagina o seguinte cenário: ao longo do dia, nosso cérebro recebe milhares de informações através dos cinco sentidos. É só pensar: até o momento em que você está lendo esse conteúdo, quantas coisas já viu desde que está acordado? Quantos cheiros sentiu? Quantos sabores provou ao longo desse dia?

Imagina se o cérebro precisasse guardar todas essas informações, ele ficaria completamente sobrecarregado e sem energia, como se não sobrasse espaço para novas experiências serem registradas.

E isso não faria sentido nenhum. 

Imagina ter uma máquina tão potente como o cérebro humano e não conseguir aproveitar toda sua capacidade cognitiva? Que tristeza biológica seria.

E qual foi a solução encontrada?

Nós transformamos em memórias de longo prazo, aquelas que duram as vezes para sempre, apenas as experiências que prestamos atenção e as que nos fizeram sentir emoções, que possuem carga emocional, seja boa ou ruim.

É como se o cérebro tivesse aprendido a grifar o que é importante ou não, economizando energia e espaço de armazenamento. E as canetas que grifam e sinalizam a importância da experiência são a atenção e o que sentimos em cada experiência.

Vai me falar que você nunca leu uma página inteira de um livro e, na última palavra, percebeu que não entendeu absolutamente nada do que tinha lido nos últimos parágrafos? Falta de atenção, lá vai você ler a página inteira de novo, rs.

Gosto de falar para os alunos que nossa atenção tem uma bateria, que gasta muito rápido quando estamos focados em algo, como no celular rolando as redes sociais. 

Para recarregar e poder usar novamente nosso foco, precisamos dos minutos para o cafezinho, de um exercício físico, de um bom banho, de uma forma de deixar o cérebro divagar um pouco, assimilar as ideias e voltar com força total. A bateria acaba rápido, mas recarrega rápido também, mas o cérebro precisa de um pouco de paz para isso.

E claro, praia e cachoeira são ótimas formas de ter um pouco de paz e recarregar as energias, mas como nem sempre é possível, pequenos intervalos na rotina, de preferência sem o celular, já ajudam bastante.

Nossa memória é fantástica, e mais reflexões sobre sua beleza você pode encontrar aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2022/07/memoria-algumas-reflexoes.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2023/09/a-beleza-da-memoria-humana.html


Existem alguma características fascinantes, como o fato da memória contar nossa história pessoal, uma vez que, ao refletir um pouco, percebemos que somos hoje o que temos guardado das experiências que passamos. 

Além disso, a memória nos faz enxergar o mundo de acordo com as lentes que foram colocadas em nossa visão de acordo com cada experiência marcante, e é por isso que cada um de nós enxerga o mesmo mundo de forma tão diferente, que gostamos de músicas diferentes, de livros diferentes, de filmes diferentes...

Vale a pena dar uma olhada nesses materiais para refletir mais a respeito:

https://plantandociencia.blogspot.com/2021/04/memoria-reflexoes.html

Mas quais áreas estão relacionadas com a formação de memórias no nosso cérebro?

A principal recebe o nome de hipocampo, uma região que faz parte do famoso Sistema Límbico, relacionado às nossas emoções, comportamentos emocionais e formação de memórias. 

O hipocampo, basicamente, guarda as experiências do dia para trabalhar em cima delas durante a noite, no sono. Daí a importância do sono para a formação das memórias e do nosso aprendizado. 

As experiências que foram grifadas pela atenção ou pela carga emocional são transformadas em memórias de longo prazo e ficam espalhadas no nosso cérebro. Ou seja, o hipocampo ajuda a formar a memória de longo prazo, mas não armazena ela.

E aquelas experiências que não precisam ser guardadas? São apagadas, e posso comprovar com uma pergunta simples: você lembra o que comeu no almoço de terça passada? E de quem encontrou na sala de aula no primeiro dia de aula de Fisiologia? 

Provavelmente não, porque isso não importa, não precisa ser registrado no cérebro.

Para finalizar essa primeira discussão sobre memória e as pílulas que irão surgir sobre o assunto, recomendo três leituras divertidas e ricas em conhecimento neurocientífico, além disso, tem uma dica de documentário espetacular para aprender assistindo:

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/01/explicando-mente-memoria-parte-1.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/02/explicando-mente-memoria-parte-2.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/03/explicando-mente-memoria-parte-3.html

Por hoje é só, pessoal!
Boas reflexões e lembrem-se, você não tem problema de memória (provavelmente), só não está prestando muito a atenção.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Seu cansaço não está passando? Mesmo depois de dormir?

Bom dia, pessoal!

Sabe aquela sensação de acordar cansado, mesmo depois de uma noite boa de sono?

Já acordou cansado? Ou melhor, mentalmente cansado?

Tipo aqueles dias em que, nas primeiras horas da manhã, você mal consegue organizar os pensamentos, o cérebro parece esgotado...

E ele está, coitado. 

E advinha quem está por trás desse cenário? 

O Estresse.

Estresse que vai se acumulando dia após dia, na correria da rotina, dos boletos, dos BOs surpresas que sempre aparecem, da alimentação atrapalhada e que mais judia que ajuda o corpo, das noites de sonos mal dormidas...

E, normalmente, o que fazemos?

Nada.

Consideramos normal, que faz parte da vida, e esquecemos que o estresse que se acumula precisa ser gasto, precisamos de válvulas de escape para que o cérebro se reinvente, descanse mesmo sem dormir, tire o foco do lado mais puxado e tenha momentos para ser ele mesmo, praticando o ócio criativo.

 


É uma reclamação comum, que com frequência aparece nas salas de aula, na roda de conversa com amigos, em alguns (poucos) ambientes que frequento na minha rotina. 

E tem aparecido com cada vez mais frequência.

Imagina um cenário maravilho, onde tiramos o estresse acumulado da sua vida e rotina. Sobrando só sua versão que faz as coisas, mas lida bem com tudo, não acumulando estresse.

Nesse cenário, seu sono está bem regulado, tanto em horas quanto em qualidade. Aqui, dentre os papéis essenciais do sono, gostaria de focar em alguns específicos:

 

- Descanso e limpeza do cérebro! Durante as fases mais profundas do sono e na fase do sono REM, o cérebro se reorganiza, se limpa, se prepara para o novo ciclo que começa ao despertar. Isso é essencial para manutenção da nossa saúde mental, para construção de memórias, para um maior nível de atenção e cognitivo, é o cérebro poder funcionar com seu potencial máximo.

- Além dessas alterações, o sono ainda diminui  o cortisol corporal, libera hormônios como o do crescimento (GH), diminui o tônus simpático (responsável pelo estado de alerta do nosso corpo e mente), dentre várias funções biológicos que auxiliam na nossa saúde física e mental.

 

Quando estamos sobre uma grande carga de estresse ou sobre os drásticos efeitos do estresse patológico crônico, acontecem algumas mudanças no nosso organismo que vão dificultando cada vez mais a qualidade do sono, minando a qualidade do descanso através dos altos níveis de cortisol e outras alterações neurobiológicas.

Para que vocês entendem de uma forma mais simples, estresse acumulado tende a aumentar a concentração do hormônio cortisol, pois o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal está constantemente ativo. 

Dentre os efeitos conhecidos de um aumento crônico do cortisol, temos uma diminuição da força do sistema imune, tornando nosso corpo mais fraco e mais apto a ficar doente, disfunções cognitivas, declínio na formação de memórias e do aprendizado... 

E boa parte, se não tudo, conversa com os efeitos do estresse sobre o nosso sono, e porque o coitado do cérebro não consegue descansar, mesmo que você durma oito horas todas as noites.

Estresse alto, cortisol alto, sistema nervoso simpático (aquele da resposta de Luta ou Fuga) hiperativo. 

De dia, tudo isso vai afetar bastante sua rotina, seu humor, mas a noite meu amigo, os efeitos acabam custando mais caro, e muitas vezes de uma forma bem sutil.

Primeiro, existe um aumento do cortisol noturno, uma vez que, nessa fase de grande carga de estresse, o parassimpático não consegue tomar as rédeas nem mesmo durante a noite, e o simpático e toda a tensão que ele trás, continuam ativos durante seu sono. Assim, aumenta o gasto energético do corpo e do cérebro durante a noite. e tem mais, o cérebro ainda não consegue fazer a limpeza adequada, prejudicando a consolidação de memórias.

Se não bastasse, pesquisas mostram que essa "limpeza", basicamente uma faxina que acontece durante o sono, limpa do nosso cérebro a famosa beta-amiloide, que quando acumulada da início à inflamação e morte neuronal associadas à doença de Alzheimer. Tem pesquisas, inclusive, que mostram que uma noite mal dormida já aumentaria a probabilidade de desenvolver a doença, ou seja, ferrou, rs.

Ou seja, mesmo dormindo, o cérebro não consegue recarregar suas baterias. 

Além de essa combinação aumentar os episódios de despertar ao longo da noite, mesmo que seja micro, sem que a gente nem perceba, todas essas alterações em conjunto aumentam a inflamação ao longo de todo o nosso corpo. Algo como uma inflamação basal, pequena, porém corrosiva no longo prazo.

Juntando tudo isso, seu corpo pode até ter a sensação de estar descansado, mas seu cérebro não. Você fica esgotado nas primeiras horas do dia, atenção prejudicada, formação de memórias prejudicada, humor desequilibrado... 

Não adianta, precisamos enxergar o estresse acumulado como um formador de caos na nossa biologia, principalmente na neurobiologia. Por isso, encontrar válvulas de escape para o estresse: exercício físico que você se apaixone, pessoas ou locais que te fazem bem, atividades que geram prazer... é extremamente necessário em nossa rotina atual.

Até porque, se assim como eu, você não for herdeiro ou tenha alguém para te bancar, os níveis de estresse por conta dos BOs diários e da vida continuarão sendo altos, então, não adianta visualizarmos um mundo de plenitude e paz, mas sim encontrar formas para que o caos do dia a dia, não torne o nosso corpo e, consequentemente, a nossa mente, em um caos também.

Tenham momentos ou pratiquem atividades, coisas que você gosta, que dá aquela sensação de abraço mental, que faz bem para o corpo e para a saúde mental.

E antes de finalizarmos essa reflexão, é com o maior prazer que anuncio a parceria entre o Plantando Ciência e o Centro Universitário de Jaguariúna, a UNIFAJ.