quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Papo de Consultório #5 - Luto – Como nosso cérebro aprende uma ausência?

Por: Dr. Bruno Damião - Neurociência e Psicanálise

Olá, pessoal!

No último Papo de Consultório, conversamos sobre mecanismos de defesa: aquelas manobras silenciosas que a mente monta para trocar um sofrimento grande por um incômodo menor — negação, racionalização, projeção, e por aí vai.

E brinco com o por ai vai porque nosso cérebro é extremamente criativo quando o assunto é se proteger.

Mas, hoje eu quero levar vocês para um território em que nenhuma dessas defesas segura as pontas: o luto.

Existe uma frase que escuto com frequência no consultório: "Doutor, já faz tempo, eu devia ter superado."

E aqui vai a ideia de hoje, simples e um pouco desconfortável: superar pode não ser o objetivo do luto.

O que o cérebro faz quando alguém que amamos morre não é defeito, não é fraqueza e definitivamente não tem prazo de validade (eu sei, essa dói). É aprendizado.

Do tipo mais doloroso que existe.



segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Saúde Mental #4 - Saúde mental no Brasil: o país mais ansioso do mundo não ficou assim por acaso

Plantando Ciência — Prof. Dr. Bruno Damião | 12 de outubro de 2026

Olá, pessoal! Boa tarde.

Aproveitando o feriadão para retomar a série saúde mental, e a discussão de hoje, apesar de crucial para entender o cenário da saúde mental no Brasil, é um pouco desconfortável.

Desde 2017, somos considerados o país mais ansioso do mundo. Mas um fato muito interessante para refletirmos antes de começar a discussão é o seguinte: os números da saúde mental no Brasil não contam a história de um povo "geneticamente frágil". Contam a história de um jeito de viver.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país com a maior prevalência de transtornos de ansiedade do planeta: cerca de 9,3% da população — mais de 18,6 milhões de brasileiros convivendo com o transtorno.

Na depressão, não estamos muito atrás: são 11,5 milhões de pessoas (5,8% da população), a maior prevalência da América Latina.

E, ao longo da vida, o Ministério da Saúde estima que cerca de 15,5% dos brasileiros vão desenvolver depressão em algum momento.

Achou alto? O primeiro ano da pandemia aumentou em 25% a prevalência global de ansiedade e depressão, segundo a OMS. E os dados mais recentes mostram que o problema continua crescendo — e mudando de cara.

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Papo de Consultório 4 - Mecanismos de Defesa: o que a mente faz para você não sentir (e por que funciona... até que não funciona mais)

Bom dia, pessoal!

No Papo de Consultório 3 nós falamos sobre transferência, e podemos resumir com dois exemplos que provavelmente já afetaram você: como o cérebro usa as experiências do passado para prever como as pessoas vão se comportar com você, e como às vezes você não reage a quem está na sua frente e suas atitudes, mas a alguém que já não está mais na sua frente.

Hoje, antes de avançarmos, quero puxar um fio que ficou solto desde o texto da Projeção.

Lembra quando eu disse que Freud descreveu a projeção como um dos mecanismos de defesa do ego?

Pois é.

A projeção é um integrante, mas não é o único. E se a gente olhar o elenco completo dessa lista, começa a fazer muito mais sentido agirmos de certas formas sem entender nada do que está acontecendo.

Tipo aqueles pensamentos, comportamentos e respostas automáticas que damos e que, na esmagadora maioria, mais nos atrapalham do que nos protege!

Então o tema de hoje engloba todos esses integrantes, que podemos chamar de: os mecanismos de defesa.


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Ansiedade: seu alarme não está quebrado, está apenas mal calibrado

Por Prof. Dr. Bruno Damião | Plantando Ciência

Olá pessoal, boa noite!

Quando foi a última vez que seu corpo acelerou sem pedir licença? O coração disparou antes da reunião, o estômago apertou ao abrir o e-mail, a cabeça rodou o pior cenário possível na noite anterior a um dia comum?

Se você respondeu “ontem” ou, com honestidade, “hoje”, esse texto é para você. E sim, quem está por trás disso é a Ansiedade.

Durante muito tempo, a ansiedade foi tratada como uma inimiga, apenas enxergada com um viés negativo, como se fosse má.

Espera, deixa eu falar isso de uma forma mais clara: a mensagem que a gente recebe todos os dias é que sentir ansiedade é defeito, é falha de fabricação, é algo a ser eliminado, que precisa ser curado — de preferência rápido, com uma respiração funda e um “para de pensar nisso”.

Ou, num cenário até mais comum que a respiração, através de psicofármacos, que sem terapia servirão apenas como muletas para mascarar as sensações.

Só que, conforme avançamos em conhecimento dentro da belíssima neurociência, mais claro fica uma coisa magnífica: a ansiedade é um mecanismo de defesa, quem tá por trás da ansiedade é um sistema clássico do nosso cérebro, a resposta de medo. Um dos sistemas mais antigos, mais eficientes e mais bem conservados que existem no cérebro humano.

E pense como isso é fantástico e nos explica como uma resposta pode ser, até hoje, tão importante para nosso cérebro e comportamento: ela existe porque, por centena de milhares de anos, quem não sentia nada na frente do perigo não chegava para contar a história.

Ou seja, medo e ansiedade são bases da sobrevivência da nossa espécie, e algo dessa magnitude, é interpretada, ainda hoje, como uma resposta que merece espaço e atenção.

Somando o quão gigante é a resposta para nossa biologia, e a rotina moderna atual, rica em boletos e leões que precisamos enfrentar todo santo dia, pronto: temos, talvez, o terreno mais fértil da história para o desenvolvimento de transtornos de ansiedade!

Bonito, né?

E podemos concluir de uma maneira diferente: O problema não é o alarme. O problema é a calibragem.


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Infográfico Lipídios

Boa tarde, pessoal!

Será que conseguimos resumir todos os principais aspectos e características bioquímicas dos lipídios em um infográfico bem visual e fácil para utilizar como resumo nos estudos?

Claro que conseguimos, rs.

Segue o infográfico de lipídios, dentro da disciplina de Bioquímica Básica:



Bioquímica dos lipídios - como meu lanche vira energia ou depósito?

Olá, pessoal!

Boa tarde.

Imagine que você acabou de comer um delicioso hambúrguer, que devido aos queijos, bacon e outros ingredientes que o tornaram tão delicioso, acabou transformando ele em uma refeição cheia de lipídios. 

A partir do momento em que as gorduras entram no nosso organismo, começa uma operação bioquímica extremamente complexa e ligada diretamente à nossa sobrevivência.

Assim como a maioria das moléculas que fazem parte da nossa refeição, como os carboidratos que já estudamos, as moléculas de gordura precisam ser fragmentadas, reorganizadas, transportadas por diferentes compartimentos do organismo e, finalmente, destinadas a algum lugar onde serão úteis para nossa sobrevivência: armazenamento, produção de energia ou síntese de moléculas fundamentais para a vida.

Mas é aqui que nossa conversa fica ainda mais interessante: os lipídios não se dão muito bem com água, e a maior parte dos líquidos relacionados ao trato digestivo e nosso plasma (parte líquida do nosso sangue) são pura água. 

E isso muda toda a dinâmica de digestão, transporte e armazenamento dos lipídios.

O organismo não trata a gordura como um simples combustível. 

Ele possui mecanismos específicos para decidir quando armazená-la, quando mobilizá-la e como utilizá-la.


Mas por que a gordura é uma reserva tão eficiente?

Antes de compreender o metabolismo dos lipídios, precisamos entender uma diferença fundamental entre os nutrientes: carboidratos e proteínas fornecem aproximadamente 4 kcal por grama. Já os lipídios fornecem cerca de 9 kcal por grama.

Essa diferença não é apenas um detalhe nutricional. Ela explica por que o tecido adiposo representa uma das principais estratégias de armazenamento energético do organismo.

A gordura permite que o organismo acumule uma quantidade expressiva de energia em um espaço relativamente pequeno. 

É uma solução evolutiva interessante: armazenar energia quando ela está disponível e mobilizá-la quando a ingestão alimentar não é suficiente. Estoque de altíssima qualidade para te manter vivo quando necessário!


Triglicerídeos

Quando falamos de gordura armazenada no tecido adiposo, estamos falando principalmente dos triacilgliceróis, nossos famosos triglicerídeos.

Sua estrutura é relativamente simples: uma molécula de glicerol ligada a três ácidos graxos.