quarta-feira, 15 de julho de 2026

Papo de Consultório #1 - Jung e a Sombra

Boa noite, pessoal!

Hoje eu inauguro uma série nova aqui no blog: o Papo de Consultório.

A ideia é simples: trazer situações que aparecem (ou poderiam aparecer) dentro do consultório, e usar isso como ponto de partida para conversarmos sobre conceitos importantes da psicanálise, sempre costurando com o que a neurociência mais atual tem nos mostrado.

E para abrir com força, resolvi começar por um conceito que é praticamente uma porta de entrada para o autoconhecimento: a Sombra, de Carl Jung.

 


O que é a Sombra?

 Jung usava esse termo para descrever tudo aquilo que fica de fora da nossa "imagem consciente" sobre nós mesmos.

Não é sobre ser uma pessoa má, escondida, cheia de segredos sombrios (embora a palavra confunda um pouco por causa disso). É mais sutil do que isso e também um pouco mais dolorido.

Desde muito cedo, para sermos aceitos — pela família, pela escola, pelo grupo social — aprendemos a exibir certas partes de nós e a empurrar outras para debaixo do tapete: raiva, inveja, egoísmo, desejo de poder, preguiça, competitividade, sexualidade mais livre... características que, em algum momento, foram marcadas como "erradas" ou "inaceitáveis".

E é exatamente essa parte “omitida” que entra no conceito de sombra, e sabe por que?

Porque não desaparece, está escondida mas permeia nossos comportamentos, nossas atuações sociais, nossos relacionamentos...

Elas só saem de cena. E o que sai de cena, segundo Jung, não deixa de existir: continua agindo por baixo do palco.

E é aí que mora a armadilha: aquilo que reprimimos em nós, tendemos a enxergar com muita clareza no outro — e a julgar com uma intensidade emocional que não bate com a situação.

Sabe aquela raiva desnecessária por algo ou alguém, que você sente mas não consegue entender o por que daquilo tudo?

Isso tem nome: projeção.

 

Uma cena de consultório

 Deixa eu te contar isso no formato de um caso clínico:

 Sessão 1

Rafael (nome fictício) chega reclamando de um colega de trabalho.

— Ele é um narcisista, doutor. Só fala dele, das conquistas dele, fica se exibindo em toda reunião. Eu tenho ódio de gente assim.

Eu escuto, valido o incômodo — afinal, existem sim pessoas mais autocentradas — mas guardo uma pergunta para mais tarde: por que esse tipo específico de comportamento incomoda tanto a ponto de tirar o sono dele?

 

Sessão 2

O assunto volta. E dessa vez, Rafael conta que, na adolescência, era o "engraçadinho" da turma, adorava ser o centro das atenções, contar vantagem, se exibir.

Até que um dia o pai disse, na frente de todo mundo, que aquilo era "ridículo, uma vergonha, coisa de gente fútil".

Rafael se cala e me olha.

— Eu nunca mais quis ser assim, doutor.

 

Sessão 3

Na sessão seguinte, ele traz um episódio da semana: contou uma conquista pequena no trabalho para os amigos e, na hora, sentiu uma vergonha desproporcional, quase um mal-estar físico.

Foi aí que eu devolvi a ele:

— Rafael, será que o que você mais odeia no seu colega não é justamente aquilo que você aprendeu a odiar em você mesmo?

Silêncio. E depois, os olhos marejados.

Rafael não odiava o colega.

Ele odiava a parte dele que também gostaria de brilhar, se exibir, ocupar espaço — mas que foi reprimida ainda menino, por vergonha e medo de rejeição.

O colega apenas fazia, sem culpa, o que Rafael havia proibido a si mesmo de fazer.

Isso é a Sombra em ação: não é o que os outros são, é o espelho do que negamos em nós.


E a neurociência, o que diz sobre isso?

Jung não tinha ressonância magnética, é claro, rs.

Mas o conceito de Sombra encontra respaldo em achados bem atuais.

Sabe aquela ativação emocional desproporcional que Rafael sentia? A neurociência mostra que julgamentos morais carregados de intensidade emocional envolvem estruturas como a amígdala e a ínsula, regiões ligadas à detecção de ameaça e ao processamento de emoções desconfortáveis — muito mais do que áreas puramente racionais.

Ou seja: quando a reação a algo no outro é forte demais para o "tamanho" da situação, é sinal de que existe carga emocional antiga sendo ativada, não apenas uma opinião fria sobre o comportamento alheio, mas sim que está guardado dentro de você, e pelo visto foi guardado a força!

Outro ponto interessante vem da psicologia social, com os estudos sobre viés de projeção: tendemos a atribuir aos outros traços que preferimos não reconhecer em nós, um mecanismo relacionado à necessidade do cérebro de manter uma autoimagem coerente e aceitável — reduzindo o desconforto daquilo que, em psicologia, chamamos de dissonância cognitiva.

E tem ainda o papel do córtex pré-frontal medial, envolvido na autorreferência: normalmente ele nos ajuda a avaliar quem somos, mas quando certas partes de nós foram marcadas como perigosas ou vergonhosas lá atrás, o cérebro aprende a desviar o olhar de si mesmo e a colocá-lo no outro.

É mais barato, emocionalmente falando, condenar no colega do que reconhecer em si.

Nós já conversamos sobre isso aqui e, quem passou por algumas sessões de terapia em algum momento da vida, sabe bem disso que vou falar agora: terapia é desconfortável, reconhecer algo que se esconde nas sombras pode doer antes de melhorar, mas ai está o grande ponto – melhora!

Organizar em palavras, falar a respeito e inevitavelmente ter que refletir sobre essas questões, faz com que seu nível de autoconhecimento e seu arsenal psicológico aumentem de uma forma maravilhosamente interessante. Vale a pena, só que nem sempre funciona como um carinho, rs.

 

Para fechar

A Sombra não é sobre ser uma pessoa ruim. É sobre reconhecer as partes de nós que fomos ensinados a esconder — e perceber que, quanto mais fugimos delas, mais elas aparecem disfarçadas de julgamento sobre o outro.

Da próxima vez que sentir uma raiva ou um desprezo forte demais por alguém, vale se perguntar: será que não é um pedaço meu, escondido, batendo na porta?

E aqui, meu amigo, só a terapia e o autoconhecimento podem te ajudar a abrir essa porta com cuidado.

Até o próximo Papo de Consultório, meu povo.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Manual do cérebro ansioso

Bom dia, pessoal!

Começando as comemorações dos 10 anos de Plantando Ciência, acabou de sair do forno meu segundo livro, o primeiro comercial.

Manual do Cérebro Ansioso explica desde como funciona o cérebro ansioso, diferencia ansiedade normal de ansiedade patológica, trás reflexões para que você possa entender melhor a sua ansiedade e finaliza com dicas baseadas em neurociência de pequenos hábitos e atitudes que você pode mudar na sua rotina para melhorar sua saúde mental.

Neurociência de altíssima qualidade em uma linguagem simples, idêntica a que trago aqui no blog, com toques de sessão de terapia e muitas novas ferramentas para você lidar com sua Ansiedade. Aha, são coisas científicas e que eu uso a maioria, ta?

Vale cada uma das mais de 130 páginas de conteúdo:



Você encontra ele aqui: https://pay.kiwify.com.br/LpKXoh6

Sobre o conteúdo, dá uma olhada no sumário para ver o que vai encontrar no livro:



Depois me conta o que achou aqui nos comentários!


segunda-feira, 13 de julho de 2026

Neuroplasticidade

Boa tarde, pessoal.

Conversamos algumas vezes sobre Neuroplasticidade aqui no blog! 

e vocês já sabem que para mim, é uma das coisas mais fantásticas que acontecem no nosso cérebro.

Mas qual o papel da neuroplasticidade no tratamento de um transtorno de ansiedade?

Para responder isso, criei uma imagem resumo que faz parte do meu novo livro: Manual do cérebro ansioso.

Vale a pena guardar para sempre que precisar estudar o tema:


terça-feira, 7 de julho de 2026

Câncer de Mama - vamos entender melhor?

Câncer de mama: da anatomia normal ao desenvolvimento da doença

Introdução

O câncer de mama é a neoplasia maligna mais frequente entre as mulheres em praticamente todo o mundo e representa um dos maiores desafios da saúde pública.

Apesar dos avanços no diagnóstico precoce e nas terapias modernas, continua sendo uma importante causa de mortalidade, principalmente quando identificado em estágios avançados (talvez um dos maiores problemas relacionados à taxa de óbitos da maioria dos tumores malignos – entende a importância de realizar pelo menos um check-up anual?).

Só no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados aproximadamente 73.610 novos casos de câncer de mama por ano!!!!

Esses dados foram estimados para o triênio 2023–2025, correspondendo a um risco estimado de cerca de 66 casos para cada 100 mil mulheres.

O câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluindo os tumores de pele não melanoma. Além disso, permanece como uma das principais causas de morte por câncer na população feminina brasileira.

Criei uma imagem para que você possa enxergar melhor:


Mas o que ela realmente está te contando?

Entre todos os novos casos de câncer estimados para mulheres (desconsiderando o câncer de pele não melanoma), cerca de 30% serão de mama.

A distribuição seria aproximadamente:

  • Mama: 30.100 casos (30,1%)
  • Cólon e reto: 9.000 casos (9,0%)
  • Pulmão: 8.500 casos (8,5%)
  • Colo do útero: 6.500 casos (6,5%)
  • Tireoide: 4.500 casos (4,5%)
  • Demais tipos de câncer: 41.400 casos (41,4%)

Esses números não significam que 30,1% das mulheres desenvolverão câncer de mama.

Eles indicam que, entre todos os novos casos de câncer estimados para mulheres no Brasil (excluindo o câncer de pele não melanoma), aproximadamente 30,1% serão câncer de mama.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Meio ano passou

Bom dia, pessoal!

Meio ano se passou, como andam seus objetivos do réveillon?

Estou devendo um pouco nos treinos, mas o blog teve muita coisa boa, riquíssimo em neurociência e psicanálise.

E para quem não viu, bora recapitular o que teve de melhor por aqui?
Em janeiro, minhas recomendações são essas aqui:

- Começamos com uma das coisas mais legais, música! Neurociência da música, material que usei inclusive para uma atividade da pós graduação em neurociência (uma das melhores atividades que já elaborei, inclusive):



Como uma música pode me fazer sentir tanta coisa? Lembrar de algum momento específico, de alguma pessoa em específico? Como será que é o caminho do ouvido até minhas emoções? 

Esse tipo de resposta que encontramos nas duas matérias!

Continuando Janeirão, escrevi sobre um tema que me pegou muito ano passado, para o podcast do meu querido amigo Leandro Lopes: Por que meu cansaço mental não passa? Mesmo dormindo.


Acúmulo de estresse, sono de baixa qualidade, alimentação apelidada carinhosamente de terror biológico ou anti-biológica, rs. Fatores que maltratam nosso corpo devagarinho e vai destruindo nossa saúde, inclusive a mental.

Se seu sono não anda tão reparador mesmo que com a quantidade "correta" de horas, talvez seja seu estresse! 

Aliás, como você está "gastando" seu estresse? Exercício físico? Artes marciais? Corrida? Bike? Ou ta só deixando acumular e gerar ainda mais estresse no seu corpo?

Já foram 6 meses mas ainda restam 6, tá? Bora aprender mais sobre neurociência, cuidar das saúde mental e continuar avançando? 
Dá para fazer até milagre daqui até o natal, em todas as áreas das nossas vidas.

Beijos!




segunda-feira, 22 de junho de 2026

Saúde Mental 3 - Dá para melhorar minha memória?

Boa tarde, pessoal!

A memória é uma das funções mais fascinantes do cérebro humano. Envolve os cinco sentidos, regiões do sistema límbico como o hipocampo e a amígdala, envolve o famoso córtex pré-frontal. A atenção que damos e tudo o que sentimos em nossas experiências influenciam o que vamos registrar como memórias de longo prazo ou não.

E isso confirma uma coisa, nossa memória não funciona como um arquivo digital que simplesmente registra tudo o que acontece ao nosso redor. Na verdade, o cérebro seleciona constantemente quais informações merecem ser armazenadas e quais podem ser descartadas.


Advinha quem fez a figura? Sim, ele: chat gpt!


Mas Bruno, não seria mais vantajoso registrar tudo e ficar muito mais inteligente?

Não, pelo contrário! Imagina guardar o rosto de todas as pessoas que você cruza em um ônibus, ou todos os sons que escutou pegando o trânsito de Campinas em horário de pico. Ficou mais claro agora, né? Seria um inferno para o cérebro, e um inferno totalmente desnecessário, que serviria apenas para gastar energia e atrapalhar as funções cognitivas.

Dois fatores exercem enorme influência nesse processo: a atenção e a emoção.

Ou seja, tendemos a registrar com mais facilidade o que prestamos atenção e o quanto nos fez sentir determinada experiência.

Vai me falar que você nunca chegou na última palavra da folha de um livro e não sabia absolutamente nada do que leu naquela página inteira? Não prestou atenção, não processou e muito menos registrou nada.

Quando prestamos atenção a uma experiência, ativamos circuitos cerebrais responsáveis pela codificação das informações, especialmente regiões como o hipocampo. É como se a atenção passasse um marco texto naquela experiência, que durante o sono o hipocampo fará mais questão de transformar em memória de longo prazo.

Sem atenção, dificilmente uma experiência será registrada de forma eficiente. Imagina o conteúdo que vai cair na prova do seu concurso, então!

As emoções também atuam como um marcador biológico da importância de um evento. Experiências carregadas de alegria, medo, surpresa ou tristeza tendem a ser lembradas com mais facilidade.

E o motivo também é simples, e fantástico. A Amígdala cerebral, é uma região do sistema límbico que interpreta a carga emocional das experiências, e quanto mais essa carga, ou seja, quanto mais aquela experiência te faz sentir, mais ativa fica a amígdala, outra caneta marca texto é passada na experiência para o hipocampo, que entende de uma forma bem simples: fez sentir, melhor lembrar! Posso querer mais ou evitar depois.

Mas ai vieram as novas pesquisas e mostraram algo ainda mais legal.

Essa análise feita pela amígdala, além de sinalizar para o hipocampo, também serve para mostrar o que devemos prestar atenção naquele momento. E ai, a amígdala mexe diretamente com os dois principais fatores que precisamos para registrar algo com mais facilidade: atenção e carga emocional.

Entende, agora, por que é tão difícil aprender ou desenvolver algo quando seu estresse está muito alto? Quando seu “psicológico” está desregulado?

E isso nos leva a outro ponto muito comum no âmbito popular atualmente: estou com problemas de memória.

E não, meu amigo ou amiga. Dificilmente você tem algum problema de memória, provavelmente é só falta de atenção.

A boa notícia é que existem hábitos simples, incorporados à rotina diária, capazes de fortalecer os mecanismos biológicos responsáveis pela formação e manutenção das memórias.

 

Exercício aeróbico

Se existisse uma "pílula" para melhorar a memória, provavelmente ela se pareceria muito com a atividade física.

Diversos estudos mostram que exercícios aeróbicos aumentam a produção de fatores neurotróficos, especialmente o BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios e para a formação de novas conexões neurais.

Além disso, a prática regular de atividade física favorece a saúde do hipocampo, estrutura cerebral fundamental para a consolidação de memórias.

Pesquisas recentes demonstraram que programas de treinamento aeróbico, especialmente em intensidades moderadas e altas, podem melhorar significativamente funções dependentes do hipocampo, com benefícios observados mesmo anos após a intervenção.

Muito disso tem relação com a circulação sanguínea, sabia? Mais aeróbico, melhor saúde cardiovascular, mais sangue, oxigênio e nutrientes abastecendo nosso cérebro.

Resultado?

Funções cognitivas melhores, mais atenção, maiores chances de formar memórias de longo prazo quando queremos focar em algo.

 

Como aplicar na rotina:

  • Caminhada rápida por 30 minutos;
  • Corrida leve;
  • Bicicleta;
  • Natação;
  • Dança.

 

O mais importante é a regularidade. Três a cinco sessões semanais já podem trazer benefícios cognitivos mensuráveis.

Mas lembre-se: de leve se você estiver parado a muito tempo, sem inventar ou esforçar de uma maneira estúpida, assim evitamos lesões e colhemos apenas os benefícios, rs.

 

Dormir bem

Dormir é parte essencial do processo e tem uma relação gritante com nossa saúde mental.

Só de ler essa primeira frase, você já ligou os pontos e entendeu que, se sono está relacionado a saúde mental, sono de qualidade vai deixar meu cérebro mais afiado e funcionando perfeitamente bem, ou seja, apto a formar mais memórias.

Durante o sono, especialmente nas fases profundas e no sono REM, o cérebro revisita experiências recentes e fortalece conexões neurais relacionadas ao aprendizado. Esse processo é chamado de consolidação da memória.

E lembra que a atenção que demos às experiências e o que elas nos fizeram sentir grifaram a importância daqueles episódios para o hipocampo? É na consolidação que ele trabalha para transformar o que foi grifado como importante em memória de longo prazo.

Todo o restante? Simplesmente apagado, não era importante.

Em termos simples, dormir é o momento em que o cérebro organiza, seleciona e armazena as informações adquiridas ao longo do dia.

Pesquisas demonstram que uma boa noite de sono melhora a retenção de informações, o desempenho cognitivo e a memória emocional.

 

Como aplicar na rotina:

  • Dormir entre 7 e 9 horas por noite – isso varia bastante de pessoa para a pessoa, e você deve observar quantas horas dormiu e como foi seu desempenho no outro dia. E assim ir ajustando a quantidade de horas que faz mais sentido para você!
  • Manter horários regulares para dormir;
  • Evitar telas brilhantes na última hora antes de dormir;
  • Reduzir cafeína no período noturno. 

Em muitos momentos, chamamos esse processo de higiene do sono, como aquela skin care antes de dormir. Vamos desacelerando nosso cérebro para o repouso e ainda construindo uma rotina, com padrões que vão mostrando para ele que está chegando a hora de dormir.


Consuma alimentos ricos em flavonoides

Alguns alimentos parecem oferecer uma ajuda extra para o cérebro.

Entre eles, os frutos vermelhos, como o mirtilo (blueberry), têm recebido atenção crescente da comunidade científica.

Essas frutas são ricas em flavonoides, compostos antioxidantes capazes de reduzir processos inflamatórios e favorecer a comunicação entre neurônios.

Uma revisão sistemática de estudos clínicos encontrou melhora em diferentes aspectos da cognição, incluindo memória de curto e longo prazo, após intervenções com mirtilos e seus derivados.

Embora nenhum alimento seja milagroso, uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, azeite de oliva, peixes e oleaginosas parece favorecer a saúde cerebral ao longo da vida. Fora que é uma delícia né, rs.

 

Como aplicar na rotina:

  • Consumir frutas vermelhas regularmente;
  • Incluir castanhas e nozes;
  • Aumentar o consumo de vegetais;
  • Priorizar alimentos minimamente processados.

 

Aprenda algo novo

O cérebro é um órgão adaptável, plástico, dai o termo neuroplasticidade.

Quando aprendemos uma nova habilidade, novos circuitos neurais são formados e a repetição pode fortalecê-los, algo como criar hábitos.

Aprender um instrumento musical, estudar um idioma, praticar uma nova modalidade esportiva ou até mesmo mudar caminhos habituais pode estimular processos de plasticidade cerebral.

Um cérebro que aprende constantemente, que é estimulado e desafiado constantemente, que lê, se mantêm jovem e tende a afastar ou a pelo menos postergar o surgimento de doenças neurodegenerativas.

Essa dica é basicamente a evolução do famoso “fazer palavras cruzadas”.

Quanto mais desafiamos o cérebro, maior a necessidade de criar e fortalecer conexões neurais envolvidas no aprendizado e na memória.

 

Muitas pessoas procuram técnicas complexas para melhorar a memória, mas a ciência mostra que os maiores benefícios costumam vir de hábitos simples e consistentes.

Constância nos bons hábitos, o grande x da questão da saúde cerebral.

Praticar exercícios físicos, dormir adequadamente, manter uma alimentação equilibrada, aprender coisas novas e prestar mais atenção ao momento presente são atitudes capazes de fortalecer os mecanismos biológicos que sustentam nossas lembranças.

A memória não depende apenas daquilo que tentamos guardar. Ela depende, principalmente, da forma como cuidamos do cérebro que realiza esse trabalho todos os dias.


 "Você sabia?"

Emoções intensas aumentam a liberação de adrenalina e noradrenalina, substâncias que ajudam o cérebro a sinalizar que uma experiência é importante (lembra do papel da amígdala nesse processo?). É por isso que muitas pessoas lembram exatamente onde estavam em momentos marcantes da vida, mas esquecem facilmente o que almoçaram na terça-feira passada.