quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Ansiedade: seu alarme não está quebrado, está apenas mal calibrado

Por Prof. Dr. Bruno Damião | Plantando Ciência

Olá pessoal, boa noite!

Quando foi a última vez que seu corpo acelerou sem pedir licença? O coração disparou antes da reunião, o estômago apertou ao abrir o e-mail, a cabeça rodou o pior cenário possível na noite anterior a um dia comum?

Se você respondeu “ontem” ou, com honestidade, “hoje”, esse texto é para você. E sim, quem está por trás disso é a Ansiedade.

Durante muito tempo, a ansiedade foi tratada como uma inimiga, apenas enxergada com um viés negativo, como se fosse má.

Espera, deixa eu falar isso de uma forma mais clara: a mensagem que a gente recebe todos os dias é que sentir ansiedade é defeito, é falha de fabricação, é algo a ser eliminado, que precisa ser curado — de preferência rápido, com uma respiração funda e um “para de pensar nisso”.

Ou, num cenário até mais comum que a respiração, através de psicofármacos, que sem terapia servirão apenas como muletas para mascarar as sensações.

Só que, conforme avançamos em conhecimento dentro da belíssima neurociência, mais claro fica uma coisa magnífica: a ansiedade é um mecanismo de defesa, quem tá por trás da ansiedade é um sistema clássico do nosso cérebro, a resposta de medo. Um dos sistemas mais antigos, mais eficientes e mais bem conservados que existem no cérebro humano.

E pense como isso é fantástico e nos explica como uma resposta pode ser, até hoje, tão importante para nosso cérebro e comportamento: ela existe porque, por centena de milhares de anos, quem não sentia nada na frente do perigo não chegava para contar a história.

Ou seja, medo e ansiedade são bases da sobrevivência da nossa espécie, e algo dessa magnitude, é interpretada, ainda hoje, como uma resposta que merece espaço e atenção.

Somando o quão gigante é a resposta para nossa biologia, e a rotina moderna atual, rica em boletos e leões que precisamos enfrentar todo santo dia, pronto: temos, talvez, o terreno mais fértil da história para o desenvolvimento de transtornos de ansiedade!

Bonito, né?

E podemos concluir de uma maneira diferente: O problema não é o alarme. O problema é a calibragem.


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Infográfico Lipídios

Boa tarde, pessoal!

Será que conseguimos resumir todos os principais aspectos e características bioquímicas dos lipídios em um infográfico bem visual e fácil para utilizar como resumo nos estudos?

Claro que conseguimos, rs.

Segue o infográfico de lipídios, dentro da disciplina de Bioquímica Básica:



Bioquímica dos lipídios - como meu lanche vira energia ou depósito?

Olá, pessoal!

Boa tarde.

Imagine que você acabou de comer um delicioso hambúrguer, que devido aos queijos, bacon e outros ingredientes que o tornaram tão delicioso, acabou transformando ele em uma refeição cheio de lipídios. A partir do momento que as gorduras entram no nosso organismo, como uma operação bioquímica extremamente complexa e ligada diretamente à nossa sobrevivência.

Assim como a maioria das moléculas que fazem parte da nossa refeição, como os carboidratos que já estudamos, as moléculas de gordura precisam ser fragmentadas, reorganizadas, transportadas por diferentes compartimentos do organismo e, finalmente, destinadas a algum lugar: armazenamento, produção de energia ou síntese de moléculas fundamentais para a vida.

Mas é aqui que nossa conversa fica ainda mais interessante: os lipídios não se dão muito bem com água, e a maior parte dos líquidos relacionados ao trato digestivo e a maior parte componente do nosso sangue são pura água. E isso muda toda a dinâmica de digestão, transporte e armazenamento dos lipídios.

O organismo não trata a gordura como um simples combustível. Ele possui mecanismos específicos para decidir quando armazená-la, quando mobilizá-la e como utilizá-la.

Mas por que a gordura é uma reserva tão eficiente?

Antes de compreender o metabolismo dos lipídios, precisamos entender uma diferença fundamental entre os nutrientes: carboidratos e proteínas fornecem aproximadamente 4 kcal por grama. Já os lipídios fornecem cerca de 9 kcal por grama.

Essa diferença não é apenas um detalhe nutricional. Ela explica por que o tecido adiposo representa uma das principais estratégias de armazenamento energético do organismo.

A gordura permite que o organismo acumule uma quantidade expressiva de energia em um espaço relativamente pequeno. É uma solução evolutiva interessante: armazenar energia quando ela está disponível e mobilizá-la quando a ingestão alimentar não é suficiente.

Triglicerídeos: o cofre energético do organismo

Quando falamos de gordura armazenada no tecido adiposo, estamos falando principalmente dos triacilgliceróis, nossos famosos triglicerídeos.

Sua estrutura é relativamente simples: uma molécula de glicerol ligada a três ácidos graxos.


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Neuroplasticidade: o cérebro nunca está completamente pronto — e nossas experiências ajudam a construir quem somos

Por Prof. Dr. Bruno Damião | Plantando Ciência em parceria com o Congresso Internacional de Terapia Ocupacional (CONINTO)

Olá pessoal, boa tarde!

Você já fez essa pergunta alguma vez: Quando foi a última vez que o meu cérebro mudou?

Talvez ontem, enquanto você aprendia alguma coisa nova. Talvez hoje, ao repetir um comportamento que já faz parte da sua rotina. Ou talvez agora, enquanto lê estas palavras e estabelece novas associações entre informações que já conhece, enxergando a neuroplasticidade de uma forma completamente diferente.

Durante muito tempo, a compreensão sobre o sistema nervoso adulto foi marcada pela ideia de que sua capacidade de transformação era bastante limitada.

Espera, deixa eu falar isso de uma forma mais clara: acreditávamos que, depois do início da fase adulta (considerando que o sistema nervoso é visto como maduro a partir dos vinte um ou vinte dois anos), o cérebro se tornava praticamente imutável, como se já estivesse em sua versão final, algo como pronto.

Porém, quanto mais fomos aprendendo sobre neurociência, mais clara ficou o quão magnífico é nosso cérebro: ele se adapta, ao longo de toda a nossa vida, independente de idade ou qualquer outra coisa, de acordo com as informações e condições que oferecemos para ele!

Maturidade não significa imobilidade, não significa que está pronto.

Hoje, na fase adulta, diria que não está nem perto de estar pronto, o aprendizado e as mudanças, principalmente internas, são contínuas, dolorosas e belíssimas.

O cérebro adulto continua modificando suas conexões, reorganizando circuitos e adaptando seu funcionamento em resposta às experiências, à aprendizagem, ao ambiente e até mesmo às lesões. Neuroplasticidade é vida!

E talvez a pergunta mais importante não seja simplesmente se o cérebro pode mudar, mas: quais experiências estamos oferecendo a ele para que essa mudança aconteça? Uma vez que, se analisarmos apenas por essas observações iniciais do texto, já conseguimos perceber que muito sobre a forma que nosso cérebro funciona hoje e, boa parte da nossa saúde mental atual, são de responsabilidade exclusivamente nossas!


 

Mas afinal, o que é neuroplasticidade?

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Material de estudo - Fisiologia

Bom dia, pessoal!

Chegando a primeira prova e com certeza o amor de vocês pelo Bruno está aumentando, não tem como ser diferente, rs.



Como discutimos em sala de aula, não tem segredo, a base dos estudos é e sempre será o livro de Fisiologia, depois da leitura do livro, vamos para slides, questionário de revisão e material aqui do blog. 

Até hoje, uma das técnicas de estudo mais eficazes é a de Pomodoro, que prega de 20 a 25 minutos de foco nos estudos, seguido de 5 a 10 minutos de descanso, basicamente aquela pausa para o cafezinho. 

Na neurociência, esses minutos servem para recarregar a bateria de atenção do nosso cérebro, permitindo voltar renovado e absorver muito mais do conteúdo estudado nos próximos 20-25 minutos de foco!

Mas e o conteúdo? O que estudar?

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Bioquímica dos carboidratos - II

Boa tarde, pessoal!

Dando continuidade a nossa disciplina de Bioquímica básica, hoje seguimos estudando os carboidratos.

Você encontra a primeira parte da reflexão aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2026/09/bioquimica-dos-carboidratos-i.html

Os carboidratos — também conhecidos como glicídios, sacarídeos ou hidratos de carbono — representam as macromoléculas mais abundantes do nosso planeta.

Compostos por Carbono, Hidrogênio e Oxigênio, eles são os produtos primários da captura de energia solar através da fotossíntese, processo que pode ser resumido pela equação química:

6 CO2 + 6 H2O + luz à C6H12O6 (glicose) + 6 O2

Por séculos, os carboidratos foram vistos apenas como fonte de energia para nosso corpo. E quando eu digo séculos, são vários, rs. Pois a ideia começou lá com os alquimistas. Mas, o divisor de águas ocorreu nos anos 70, com técnicas avançadas como a cromatografia, eletroforese e espectrometria de massa, que foram revelando que os carboidratos possuem uma complexidade estrutural superior à das proteínas e ácidos nucléicos, desempenhando funções vitais de sinalização entre células e interação molecular.

 


A Base Química dos Hidratos de Carbono

A fórmula empírica básica dos carboidratos é (CH2O)n.

Esta nomenclatura reflete a proporção estequiométrica de 1 átomo de carbono para 1 molécula de água, mantendo-se constante em praticamente todos os compostos do grupo.

Essa arquitetura molecular, embora simples em sua unidade fundamental, permite uma vasta gama de funções que sustenta desde a integridade estrutural de organismos até os intrincados mecanismos de reconhecimento celular no corpo humano.

Tanta complexidade e nós temos a coragem de chamar de “açúcar do sangue”, rs.