terça-feira, 15 de setembro de 2026

Material de estudo - Fisiologia

Bom dia, pessoal!

Chegando a primeira prova e com certeza o amor de vocês pelo Bruno está aumentando, não tem como ser diferente, rs.



Como discutimos em sala de aula, não tem segredo, a base dos estudos é e sempre será o livro de Fisiologia, depois da leitura do livro, vamos para slides, questionário de revisão e material aqui do blog. 

Até hoje, uma das técnicas de estudo mais eficazes é a de Pomodoro, que prega de 20 a 25 minutos de foco nos estudos, seguido de 5 a 10 minutos de descanso, basicamente aquela pausa para o cafezinho. 

Na neurociência, esses minutos servem para recarregar a bateria de atenção do nosso cérebro, permitindo voltar renovado e absorver muito mais do conteúdo estudado nos próximos 20-25 minutos de foco!

Mas e o conteúdo? O que estudar?

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Bioquímica dos carboidratos - II

Boa tarde, pessoal!

Dando continuidade a nossa disciplina de Bioquímica básica, hoje seguimos estudando os carboidratos.

Você encontra a primeira parte da reflexão aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2026/09/bioquimica-dos-carboidratos-i.html

Os carboidratos — também conhecidos como glicídios, sacarídeos ou hidratos de carbono — representam as macromoléculas mais abundantes do nosso planeta.

Compostos por Carbono, Hidrogênio e Oxigênio, eles são os produtos primários da captura de energia solar através da fotossíntese, processo que pode ser resumido pela equação química:

6 CO2 + 6 H2O + luz à C6H12O6 (glicose) + 6 O2

Por séculos, os carboidratos foram vistos apenas como fonte de energia para nosso corpo. E quando eu digo séculos, são vários, rs. Pois a ideia começou lá com os alquimistas. Mas, o divisor de águas ocorreu nos anos 70, com técnicas avançadas como a cromatografia, eletroforese e espectrometria de massa, que foram revelando que os carboidratos possuem uma complexidade estrutural superior à das proteínas e ácidos nucléicos, desempenhando funções vitais de sinalização entre células e interação molecular.

 


A Base Química dos Hidratos de Carbono

A fórmula empírica básica dos carboidratos é (CH2O)n.

Esta nomenclatura reflete a proporção estequiométrica de 1 átomo de carbono para 1 molécula de água, mantendo-se constante em praticamente todos os compostos do grupo.

Essa arquitetura molecular, embora simples em sua unidade fundamental, permite uma vasta gama de funções que sustenta desde a integridade estrutural de organismos até os intrincados mecanismos de reconhecimento celular no corpo humano.

Tanta complexidade e nós temos a coragem de chamar de “açúcar do sangue”, rs.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Acupuntura e cérebro: o que acontece no sistema nervoso quando uma agulha encontra um ponto do corpo?

Olá, pessoal!

Boa tarde!

Hoje vamos fazer uma mistura espetacular aqui no Plantando Ciência: tradição milenar chinesa misturada com neurociência moderna.

Sendo um pouquinho mais claro, o que sabemos hoje sobre os efeitos da acupuntura na Ansiedade, Depressão e Estresse?

Olha que interessante esse quadro antes de começar a nossa reflexão:



É fato que os resultados apresentados na figura acima, principalmente quando consideramos o efeito na regulação da resposta de estresse, cortisol e modulação de atividade da amígdala e do córtex pré-frontal, são interessantíssimos e muito promissores. Tem ideia que essas regiões, eixos e hormônios estão diretamente envolvidos em basicamente todas as pesquisas mais recentes sobre Saúde mental e neurobiologia dos transtornos mais comuns atualmente, como os de ansiedade?

Temos um BAITA caminho a ser seguido aqui, que poderia, inclusive, ser pensado como estratégia a longo prazo para redução no uso de psicofármacos. Imagina se a acupuntura entra como uma associada no processo de desmame de um antidepressivo ou ansiolítico, é vitória atrás de vitória, rs.

Um dos trabalhos mais interessantes para abrir o artigo é uma meta-análise publicada em 2026, que reuniu 20 ensaios clínicos randomizados e 1.462 participantes.

A acupuntura tradicional apresentou uma melhora significativa na ansiedade dos pacientes, quando comparados aos pacientes que receberam outras técnicas e também quando comparados ao grupo controle (que não passou por acupuntura ou outra intervenção).

O efeito também permaneceu no acompanhamento dos pacientes. Porém, quando analisamos mais a fundo outros pontos comparados no artigo, os resultados se mostraram mais heterogêneos, justamente o tipo de ressalva que combina com a proposta aqui do Plantando Ciência.

Um estudo com foco no transtorno de ansiedade generalizada (TAG), uma meta-análise de 2025, encontrou uma redução significativa nas escalas de ansiedade e também melhora da qualidade do sono e sintomas depressivos, quando comparada a outras metodologias.

Mas tem estudo mostrando o cérebro funcionando durante uma sessão de acupuntura? Tem!

Estudos de neuroimagem mostram que a acupuntura não parece simplesmente produzir uma resposta “local”. Uma revisão de estudos de ressonância magnética em depressão encontrou alterações envolvendo o funcionamento de regiões como córtex cingulado anterior e regiões pré-frontais, além de mudanças na conectividade funcional. Isso é sensacional, uma vez que uma das discussões atuais sobre ansiedade fala sobre o córtex pré-frontal trabalhando menos que o normal na contenção das análises emocionais da amígdala. Algo como o freio dos impulsos ansiosos, das interpretações dramaticamente exageradas da amígdala não funcionar corretamente.

Fato que vem sendo confirmado por estudos recentes que apontam para um efeito sobre as redes neurais relacionadas à regulação emocional, recompensa e modo padrão.

Há um trabalho particularmente recente, publicado em 2026, que fez uma meta-análise de estudos de fMRI envolvendo 357 pessoas com depressão.

Os autores encontraram alterações consistentes em regiões como cíngulo e núcleo caudado, principalmente por meio de plasticidade neural, o que aparenta ter levado a melhora clínica dos pacientes analisados.

Também foi observada uma relação dose-resposta entre número de sessões e modulação da amígdala. E modulação da amígdala, hiperativada em muitos casos de transtornos de ansiedade, pode ser chave dos efeitos ansiolíticos de uma técnica milenar, criada milhares de anos antes de qualquer ideia sobre ciência como temos hoje, sensacional!

Talvez a pergunta mais interessante não seja “qual ponto da acupuntura trata a ansiedade?”, mas “como uma estimulação periférica consegue modificar a atividade de circuitos cerebrais envolvidos na ansiedade?”

 

Mas e o estresse?

Se eu disse, apenas que: “Acupuntura reduz o estresse.”

Eu não estaria sendo honesto com vocês!

“Há evidências de que a acupuntura pode interferir em sistemas neurobiológicos relacionados à resposta ao estresse.”

Pronto, olha que poética essa versão, rs.

Aqui, um dos principais candidatos é o eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (HPA), responsável pela liberação de cortisol no estresse, dentre diversos outros efeitos característicos do estresse crônico, acumulado.

Uma revisão de 2024 reuniu evidências sobre a interação entre acupuntura e eixo HPA e descreveu possíveis efeitos envolvendo hipotálamo, hipocampo, amígdala, hipófise, neurotransmissores e neuropeptídeos. Uma análise um pouco mais neurobiológica das ações.

E isso é muito interessante porque conecta diretamente a acupuntura com algo que já discutimos inúmeras vezes aqui:

Estímulo → sistema nervoso → hipotálamo → eixo HPA → cortisol → resposta fisiológica ao estresse.

Um estudo publicado na Nature demonstrou, em modelos experimentais, que a eletroacupuntura em determinados locais poderia recrutar fibras sensoriais e ativar uma via vagal-adrenal, associada à modulação de respostas inflamatórias.

Aqui, porém, preciso deixar muito claro:

Isso é evidência experimental — não significa que já esteja comprovado que a mesma via produza os mesmos efeitos clínicos em seres humanos com ansiedade ou depressão.

Um mecanismo fascinante: a agulha conversa com o sistema nervoso

Um dos exemplos mais bonitos de neurobiologia da acupuntura vem de um estudo publicado na Nature Neuroscience.

Pesquisadores demonstraram que a estimulação por acupuntura aumentava localmente a liberação de adenosina, e que seus efeitos analgésicos dependiam da ativação de receptores A1. Esse estudo foi feito em animais e estudou principalmente dor, então não devemos extrapolá-lo diretamente para ansiedade ou depressão.

Mas ele demonstra algo conceitualmente importante: uma agulha inserida na periferia pode desencadear uma cascata neuroquímica mensurável e auxiliar no tratamento de dor.

Imagina nos casos de dores crônicas, o tanto de sofrimento que poderia ser resolvido com mais agulhas e menos medicamentos! Qualidade de vida, saúde e longevidade juntos!

E isso muda completamente a maneira de pensar a acupuntura, porque a ciência vem mostrando claramente que: a estimulação mecânica de tecidos periféricos pode ativar fibras sensoriais, produzir sinais neurais e desencadear respostas neuroquímicas e autonômicas.

A questão científica passa então a ser:

Quais vias são ativadas, em quais condições e com qual magnitude? E quais os pontos mais interessantes para serem explorados?

Mas, a partir desse ponto, quem assume a discussão na segunda parte da matéria é a biomédica e grande amiga Valéria Caruso, trazendo mais informações sobre a técnica em si, a qual ela exerce a anos em sua clínica.

Boas reflexões e até a próxima!


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Bioquímica dos Carboidratos - I

Boa noite, pessoal

Dando continuidade na nossa disciplina de Bioquímica Básica, agora entramos na primeira macromolécula bioquímica, e ela é a macromolécula mais comum na natureza.

Estamos falando deles, os carboidratos.
Encontrados nas mais variadas fontes, desde vegetais até as animais, os carboidratos estão diretamente relacionadas à energia disponível para o bom funcionamento do nosso corpo, sendo combustível essencial e uma molécula extremamente importante para o bom funcionamento de toda nossa fisiologia corporal.



Para começarmos a discussão, recomendo dois materiais que trazem uma reflexão sobre comportamento alimentar e como a glicose acaba sendo um dos principais reguladores da nossa fome fisiológica e também os exames bioquímicos que utilizamos para diagnosticar e acompanhar pacientes com distúrbios no processamento de carboidratos, como observamos da diabetes (que é uma síndrome metabólica).

O primeiro material nos conta sobre como nosso corpo entende que está na hora de buscar um alimento e quais as regiões do cérebro, mais especificamente do hipotálamo, estão envolvidas nos atos de sentir fome e se sentir satisfeito (saciedade).

Essa reflexão, vocês podem fazer aqui:

Já o segundo material inicial explora um pouco mais os principais exames realizados nos laboratórios de análises clínicas para avaliar como nosso corpo está lidando com esses carboidratos, e você encontra no link:

Essa discussão permite montar as primeiras ideias e, a partir de agora, nós vamos entender toda a parte estrutural e como nosso corpo realmente utiliza esse carboidrato ingerido na alimentação, inclusive, entenderemos o processo para a liberação da insulina, hormônio crucial para a entrada de glicose em muitos tipos celulares, como o músculo estriado esquelético.

Bons estudos, pessoal!

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Enzimas e vitaminas: pequenas moléculas, grandes responsabilidades - parte 2

Olá, pessoal.

Bom dia!

Vamos começar a conversa hoje com uma pergunta que eu tenho certeza que você já fez em algum momento: afinal, para que servem as vitaminas?

Quando alguém fala em vitamina, geralmente pensamos imediatamente em saúde.

“Vitamina faz bem.”

“Vitamina aumenta a imunidade.”

“Estou cansado, talvez esteja com falta de vitamina.”

Mas essas frases, apesar de populares, escondem uma pergunta muito mais interessante:

O que uma vitamina realmente faz dentro do organismo?


E sabe a resposta?

Depende da vitamina, porque as funções e relações com saúde física e mental são interessantíssimas e bem variadas.

E talvez uma das formas mais interessantes de compreender isso seja voltando ao que acabamos de discutir.

Algumas vitaminas participam direta ou indiretamente de processos metabólicos fundamentais. Algumas dão origem a moléculas utilizadas como cofatores ou coenzimas.

Outras participam de processos relacionados à visão, coagulação, absorção de cálcio, proteção antioxidante, síntese de moléculas e funcionamento neurológico.

Ou seja: As vitaminas não são simplesmente “boas para o corpo”.

São moléculas envolvidas em processos específicos. Elas são indispensáveis para o bom funcionamento do nosso corpo.

E, quando elas faltam, determinadas partes dessa enorme rede bioquímica podem deixar de funcionar adequadamente.

Duas grandes equipes: as que gostam de gordura e as que preferem água

Uma das classificações mais importantes divide as vitaminas em dois grupos: lipossolúveis e hidrossolúveis.

As vitaminas lipossolúveis são absorvidas juntamente com os lipídios da alimentação e podem ser armazenadas, principalmente no fígado e no tecido adiposo.

Aqui encontramos as famosas vitaminas A, D, E e K.

Já as vitaminas hidrossolúveis geralmente não são armazenadas da mesma forma e precisam ser consumidas regularmente.

Nesse grupo estão: vitamina C e vitaminas do complexo B.

E essa diferença já nos mostra uma coisa importante.

Não faz sentido pensar em todas as vitaminas como se fossem iguais. Porque elas não são.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O plástico chegou ao cérebro. O que isso pode significar para o desenvolvimento neurológico?

Boa noite, pessoal!

A décadas começamos um processo de industrialização e mudança para as cidades que nos fez perceber um detalhe importante: nós produzimos lixo para um caramba, mas com o tempo percebemos que o buraco era bem mais em baixo, porque vimos que esse lixo volta para nós, de formas catastróficas muitas vezes.

A bola da vez? Plástico!


Dá uma olhada a sua volta. Aqui no hotel tem uma garrafa grande de água na mesa onde escrevo, uma embalagem, o sabonete do hotel no banheiro, o que não é feito de plástico, ta embalado em plástico, rs.

E a ciência está nos mostrando uma coisa muito perigosa. Esse plástico vira micro e está invadindo nossos corpos de maneiras as mais variada, e tem plástico até no nosso cérebro!

As revisões mais recentes são bastante claras em um aspecto muito importante: há plausibilidade biológica e evidências experimentais, mas ainda não existe evidência humana suficiente para estabelecer causalidade entre exposição a micro/nanoplásticos e TEA.

 

Primeiro veio o plástico. Depois, ele entrou no nosso corpo. Agora, a pergunta é: ele chegou ao cérebro?

Durante muito tempo, microplásticos foram tratados principalmente como um problema ambiental. Encontrávamos plástico nos oceanos, nos peixes, na água e no solo.

Mas a pergunta mudou.

Hoje, pesquisadores investigam partículas plásticas em tecidos e fluidos humanos — e a literatura recente discute evidências de sua presença inclusive no sistema nervoso central.

Uma das grandes questões atuais não é mais apenas “estamos expostos?”, mas “o que acontece quando essa exposição encontra o cérebro?”

O problema talvez não seja apenas quanto plástico produzimos. Talvez seja quanto dele o nosso organismo suporta e consegue se adaptar a conviver.

E se formos mais fundo, o que acontece quando esse microplástico encontra o cérebro e todo o sistema nervoso em formação no desenvolvimento fetal e também no processo de amadurecimento do cérebro na infância e adolescência.

Acabou de piorar, né?