Por Prof.
Dr. Bruno Damião | Plantando Ciência
Olá pessoal, boa noite!
Quando
foi a última vez que seu corpo acelerou sem pedir licença? O coração disparou
antes da reunião, o estômago apertou ao abrir o e-mail, a cabeça rodou o pior
cenário possível na noite anterior a um dia comum?
Se
você respondeu “ontem” ou, com honestidade, “hoje”, esse texto é para você. E
sim, quem está por trás disso é a Ansiedade.
Durante
muito tempo, a ansiedade foi tratada como uma inimiga, apenas enxergada com um
viés negativo, como se fosse má.
Espera,
deixa eu falar isso de uma forma mais clara: a mensagem que a gente recebe
todos os dias é que sentir ansiedade é defeito, é falha de fabricação, é algo a
ser eliminado, que precisa ser curado — de preferência rápido, com uma
respiração funda e um “para de pensar nisso”.
Ou,
num cenário até mais comum que a respiração, através de psicofármacos, que sem terapia
servirão apenas como muletas para mascarar as sensações.
Só
que, conforme avançamos em conhecimento dentro da belíssima neurociência, mais
claro fica uma coisa magnífica: a ansiedade é um mecanismo de defesa, quem tá
por trás da ansiedade é um sistema clássico do nosso cérebro, a resposta de
medo. Um dos sistemas mais antigos, mais eficientes e mais bem conservados que
existem no cérebro humano.
E
pense como isso é fantástico e nos explica como uma resposta pode ser, até
hoje, tão importante para nosso cérebro e comportamento: ela existe porque, por
centena de milhares de anos, quem não sentia nada na frente do perigo não
chegava para contar a história.
Ou
seja, medo e ansiedade são bases da sobrevivência da nossa espécie, e algo
dessa magnitude, é interpretada, ainda hoje, como uma resposta que merece espaço
e atenção.
Somando
o quão gigante é a resposta para nossa biologia, e a rotina moderna atual, rica
em boletos e leões que precisamos enfrentar todo santo dia, pronto: temos,
talvez, o terreno mais fértil da história para o desenvolvimento de transtornos
de ansiedade!
Bonito,
né?
E
podemos concluir de uma maneira diferente: O problema não é o alarme. O
problema é a calibragem.





