terça-feira, 28 de abril de 2026

Dopamina é sinônimo de prazer? Uma discussão sobre neurotransmissores e sias funções e disfunções

Boa noite, pessoal!

Eu sempre falo aqui, que talvez a coisa mais incrível que acontece no nosso cérebro, seja a neuroplasticidade. Tanto pelo quão incrível ela é por si só, como pelas inúmeras possibilidades, funções e capacidades que derivam dela. É sensacional!

Massss, como toda coisa muito sensacional, existem coisas por trás, e, nesse caso, são as maravilhosas sinapses químicas (representadas abaixo por uma figura criada por mim, obviamente por IA, rs):



Para quem ainda não leu, a matéria sobre sinapses químicas é, até hoje, a mais lida de toda a história do blog, vale a pena conferir antes de seguir nessa de hoje:

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/03/sinapses-quimicas.html

A matéria antiga tem várias formas de explicar a sinapse química, inclusive um esquema de flechas, mas vou resumir aqui como um neurônio se comunica com o outro: quando um impulso nervoso chega ao terminal sináptico (e sim, o impulso nervoso é o start para tudo aqui, sem ele não acontece comunicação nervosa), os canais de cálcio se abrem e entra um monte de cálcio para dentro do terminal sináptico (na fisiologia, influxo de cálcio). Essa entrada de cálcio faz com que as vesículas sinápticas se liguem às proteínas conectadas à membrana celular, se fundam à membrana e liberem os neurotransmissores na fenda sináptica (lembrem-se sempre, sinapse química não existe contato físico entre as células que estão se comunicando, por isso a fenda sináptica e a necessidade de neurotransmissores). Os neurotransmissores então atravessam a fenda e se ligam aos receptores do neurônio, músculo ou glândula que está recebendo a mensagem, e assim a informação é passada adiante. 

Por trás desse fenômeno, estão todas as nossas funções cognitivas, como nossa capacidade de focar em alguma entrada sensorial específica (como quando você foca sua visão no seriado que está assistindo), a formação das nossas memórias, as tomadas de decisões (e sim, as erradas também, rs), dentre diversas outras habilidades incríveis do nosso cérebro.

Mas hoje, vamos focar nossa discussão em dois neurotransmissores específicos e, posso dizer até que famosos, talvez os mais conhecidos na atualidade: serotonina e dopamina.

Primeiro, a Serotonina, que tenho certeza que você já ouviu falar da relação dela, ou melhor, da falta dela, com a depressão.

Até hoje, a hipótese neurobiológica mais discutida é sim a questão da diminuição da serotonina, tanto que o principal antidepressivo utilizado no brasil é a classe dos inibidores da recaptação de serotonina, que, ao impedirem que o neurotransmissor volte para o neurônio que o liberou, faz com que a concentração do mesmo aumente na fenda sináptica. 

Porém, agora com décadas de pesquisas e dados concretos, é evidente que a depressão é algo bem mais complexo que a baixa concentração de serotonina, e sua construção, muitas vezes com variáveis genéticas e ambientais envolvidas, é realizada por muitos caminhos que não só o neurotransmissor em falta. Associar a depressão exclusivamente à serotonina, hoje, é algo até reducionista.

Mas, e a serotonina? 

O que esse neurotransmissor tão conhecido realmente faz no nosso cérebro?

Primeiro, a maior parte da serotonina utilizada no nosso cérebro é produzida no tronco encefálico, em alguns núcleos conhecidos como Núcleos da Rafe, e dali essa serotonina se projeta para diversas regiões do nosso cérebro. Só com essa informação, já percebemos que a serotonina está envolvida em diversas funções cerebrais.

No Sistema Límbico, relacionado às nossas emoções e funções como a formação de memórias, a serotonina age principalmente na Amígadala e no Hipocampo. Na Amígdala, ela atua no processamento das emoções negativas, como o medo e às ameaças. Lembrem que a Amígdala é basicamente um sistema de alarme do nosso cérebro.

No hipocampo, a serotonina está relacionada à formação de memórias emocionais, papel esse que também tem uma grande participação da Amígdala (experiências que nos fazem sentir mais, possuem uma chance muito maior de se tornarem memórias de longo prazo), além de participar da função muito interessante de dar contexto às experiências, como se ajudasse a dar sentido (integrar informações) da experiência que estamos vivendo nesse momento.

No córtex pré-frontal, esse neurotriansmissor magnífico está por trás de funções como as tomadas de decisões, o controle cognitivo e a regulação emocional frente às experiências.

Agora, conseguem enxergar um pouco melhor como uma queda grande de serotonina está sim por trás dos sintomas característicos da depressão?

E a Dopamina?

Já pensou em prazer, né?

E sim, ela está relacionada e é um dos principais sistemas relacionados ao prazer no nosso cérebro, que inclui áreas como o Núcleo Accumbens, o Córtex Pré-frontal e o Estriado. Esse circuito é chamado de Via Mesolímbica.

Mas dopamina é igual a prazer? Não especificamente, pois ela esstá mais relacionada a motivação (o querer algo), na antecipação de recompensas (como o que sinto quando estou escolhendo qual hambúrguer vou pedir) e no aprendizado por reforço.

Os prazeres imediatos atuam na liberação de dopamina, nesse mesmo sistema, como as curtidas notificações e novidades que aparecem na tela dos nossos celulares constantemente. Isso acontece porque nosso cérebro adora recompensas rápidas e aquela questão da imprevisibilidade, tipo o que conseguimos em um cassino, ou no perigoso tigrinho.

Isso, por si só, já explica muito sobre a criação de hábitos tóxicos como os vícios, principalmente nesse tipo de jogo, ainda mais pela imprevisibilidade ser a possibilidade de se ganhar dinheiro, mas também no uso de substâncias, como a cocaína.

Aliás, no longo prazo, os efeitos do uso constante de cocaína sobre a dopamina cerebral leva a uma desregulação onde, basicamente, só mais cocaína vai suprindo, inclusive essa constância diminui a capacidade da pessoa optar por não usar (lá na tomada de decisão do córtex pré-frontal).

Neurotransmissores e as regiões onde atuam, com seus variados papéis influenciando nos nossos comportamentos e cognição, explicam tranquilamente inúmeros dos sintomas e características de transtornos psicológicos, hábitos, vícios...

Neurociência é vida, assim como terapia! 
Estudem e façam, rs.

Bons estudos!

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Reflexões neurocientíficas e psicanalíticas - uso de substâncias

Boa tarde, pessoal!

Mais um trecho do meu TCC, para vocês refletirem sobre como a Psicanálise e a Neurociência moderna podem conversar e avançar juntos, lembrando sempre que, o objetivo, é a saúde mental humana, que caminha em pedaços, e não uma disciplina diminuir ou tentar explicar a outra, isso é EGO. E não o EGO freudiano, o EGO besta que mais nos atrapalha do que ajuda!

Mas vamos à reflexão, visto que, essas duas substâncias, são muito utilizadas hoje em dia, e os efeitos para o usuário e para as pessoas que estão à sua volta podem ser terríveis:


"No que se refere ao uso de substâncias psicoativas, a neurociência oferece um campo privilegiado para o diálogo com a psicanálise ao evidenciar como alterações neuroquímicas impactam diretamente os sistemas de regulação emocional, recompensa e controle inibitório. A cocaína, por exemplo, atua principalmente aumentando a liberação e bloqueando a recaptação de dopamina no sistema mesolímbico, especialmente em regiões como o núcleo accumbens, levando a um aumento intenso e rápido da sensação de prazer e reforço.

Esse mecanismo promove um aprendizado poderoso baseado em recompensa, fortalecendo circuitos associados à busca compulsiva pela substância. Paralelamente, há relatos científicos que comprovam o prejuízo progressivo da função do córtex pré-frontal, reduzindo a capacidade de inibição comportamental e tomada de decisão. Ou seja, o uso de maiores quantidades e com maior frequência, dá cada vez mais poder à resposta de prazer e reforça esse aprendizado através da dopamina, enquanto diminui cada vez mais a capacidade de tomada de decisão e de controle sobre o uso do córtex pré-frontal. Sob a perspectiva psicanalítica, esse fenômeno pode ser compreendido como uma predominância do Id — regido pelo princípio do prazer — sobre as instâncias do Ego, responsáveis pela mediação com a realidade. A fragilização do controle pré-frontal se aproxima, portanto, de um enfraquecimento das funções egóicas, permitindo que impulsos primitivos e imediatistas se expressem de maneira mais direta no comportamento. Um questionamento, aqui: quantas vezes você, ciente de que não podia tomar mais aquela dose, comer mais aquele doce, buscar mais aquela porção de alguma droga de abuso, ou qualquer outro comportamento compulsivo e, normalmente, destrutivo, foi lá e o fez? Quem venceu nessa batalha, a razão ou a emoção? O consciente ou os impulsos?

De forma distinta, mas igualmente relevante, o zolpidem — um hipnótico que atua como agonista dos receptores GABAérgicos — promove um efeito depressor do sistema nervoso central, facilitando a indução do sono ao reduzir a atividade cortical, especialmente em áreas frontais. Apesar de seu uso terapêutico, há relatos de comportamentos complexos realizados em estado dissociativo, como alimentar-se, dirigir, realizar compras totalmente desnecessárias e interagir socialmente, algumas vezes de forma desastrosa. Neurobiologicamente, esse fenômeno pode ser explicado pela dissociação entre sistemas de memória e consciência, envolvendo uma redução da atividade do córtex pré-frontal associada à manutenção parcial de circuitos automáticos subcorticais. Sob a ótica psicanalítica, tais manifestações podem ser interpretadas como uma suspensão temporária das funções do Ego, com expressão de conteúdos e comportamentos não mediados pela consciência. Nesse sentido, o zolpidem evidencia, de forma experimental, como a diminuição da atividade reguladora cortical pode permitir a emergência de padrões comportamentais automatizados, aproximando-se da noção de conteúdos inconscientes que se manifestam na ausência de censura psíquica."


Entendam, o abuso de substâncias, independente da substância, lícitas ou não, tem sido a muleta para sustentar as mazelas psíquicas de muitas pessoas, MUITAS! Mas assim como o álcool serve apenas para amenizar uma crise de ansiedade e jamais vai servir para tratar o transtorno (até porque, vai construir diversos outros problemas), qualquer outra substância segue o mesmo preceito, o de uma muleta. Que nunca trata, apenas ameniza! 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Córtex pré-frontal e sistema límbico - uma relação que pode mudar sua vida!

Boa noite, pessoal!

O que você sabe sobre a magnífica relação entre as estruturas do Sistema Límbico e o córtex pré-frontal? Além de ser extremamente interessante e treinável, essa interação molda a forma como você responde e interage com o mundo, seu autocontrole, sua tomada de decisões, seus comportamentos...

Sabe a tal da Inteligência Emocional? Basicamente um cérebro bem regulado onde o córtex pré-frontal se sobressai (na maioria das vezes, rs) aos impulsos da Amígdala e de outras regiões do sistema límbico. Algo como você tomando a decisão consciente frente suas vontades mais instintivas. Freud? Oi? rs

Esse texto far parte do meu TCC de psicnálise, e vale a reflexão:

"Nas últimas décadas, o notável desenvolvimento da neurociência, principalmente apoiada em técnicas de imagem que permite estudar o cérebro vivo, em funcionamento, analisando as regiões mais ativas em cada tarefa, confirmou teorias anatômicas antigas sobre o sistema límbico e sua relação com as emoções e comportamentos instintivos, assim como o magnífico papel de formação de novas memórias. Além disso, também demonstrou como o córtex pré-frontal, região responsável pela tomada de decisões conscientes, análise de riscos, elaboração de respostas e comportamentos, dentre inúmeras outras funções, influenciava no dia a dia do ser humano. A relação entre sistema límbico e córtex pré-frontal está por trás de conceitos como Inteligência Emocional, autocontrole, dentre diversos outros assuntos correlacionados à psicanálise.

O funcionamento psíquico humano pode ser compreendido, sob a perspectiva neurobiológica, a partir da interação dinâmica entre o córtex pré-frontal e estruturas do sistema límbico, especialmente o hipocampo e a amígdala. O córtex pré-frontal está associado a funções executivas, como tomada de decisão, regulação emocional, planejamento e controle inibitório, enquanto o sistema límbico está diretamente envolvido no processamento emocional, memória e respostas adaptativas ao ambiente. Essa integração constitui a base neural da forma como o indivíduo interpreta, sente e reage às experiências ao longo da vida (BEER, 2018).

A amígdala desempenha papel central na detecção e avaliação de estímulos emocionalmente relevantes, sobretudo aqueles relacionados ao medo e à ameaça, tendo também relação com prazer. Sua ativação rápida permite respostas adaptativas imediatas, frequentemente antes mesmo da elaboração consciente do estímulo. A resposta de luta ou fuga, clássica resposta de medo, instintiva, que garantiu a sobrevivência de nossa espécie até os tempos atuais, para desenvolvermos essas reflexões, é disparada quando a amígdala detecta um perigo e em instantes prepara o corpo para trabalhar como uma máquina biológica, pronta para lutar ou, se necessário, correr do perigo.

Estudos recentes demonstram que a conectividade funcional entre a amígdala e o córtex pré-frontal é essencial para o processamento de ambiguidade emocional, influenciando diretamente a forma como o indivíduo interpreta situações sociais e ambientais. Quando essa comunicação é disfuncional, observa-se maior tendência a respostas emocionais exageradas ou inadequadas. Uma amígdala hiperativa ou um córtex pré-frontal hipoativo frente aos estímulos da amígdala, são achados clínicos consistentes em quadros de transtornos de ansiedade. Pelas funções citadas no parágrafo, já consegue-se ver a relação entre amígdala hiperativa e os sintomas característicos do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

O hipocampo, por sua vez, está intimamente relacionado à formação, consolidação e evocação de memórias, especialmente as de caráter episódico, relacionadas às experiências que envolvem um ou mais dos nossos cinco sentidos. Além disso, ele desempenha papel fundamental na contextualização das experiências, permitindo distinguir situações seguras de ameaçadoras com base em experiências passadas. Evidências recentes indicam que o hipocampo não apenas armazena memórias, mas também participa ativamente da antecipação de cenários futuros, influenciando decisões e comportamentos. Essa capacidade de projeção reforça seu papel na construção da subjetividade e da narrativa pessoal.

A relação entre Amígdala e Hipocampo que, além de funcional, é também anatômica (são “vizinhas anatômicas”), explica o porquê experiências que envolvam grande carga emocional, como os traumas, são armazenadas com tantos detalhes em nossa memória de longo prazo e, assim, acabam sendo ativadas, muitas vezes, por inúmeros gatilhos, prejudicando e muito a saúde mental do indivíduo. Quanto maior a carga emocional da experiência, principalmente quando negativa, ameaçadora, mais ativa fica a Amígdala com seus sensores de perigo. Amígdala mais ativa mostra para o hipocampo que aquilo é muito importante e deve ser armazenado nos mínimos detalhes.

A interação entre córtex pré-frontal, amígdala e hipocampo forma um circuito funcional responsável pela regulação emocional e pelo comportamento adaptativo. O córtex pré-frontal exerce um controle “top-down” sobre a amígdala, modulando respostas emocionais e inibindo reações impulsivas. Paralelamente, o hipocampo fornece o contexto necessário para que essas respostas sejam adequadas à situação. Alterações na rede estão associadas a diversos padrões comportamentais disfuncionais, como ansiedade, respostas de evitação e dificuldade de regulação emocional .

Do ponto de vista do desenvolvimento, essa rede não é estática. O córtex pré-frontal, em particular, apresenta maturação tardia, sendo altamente influenciado por experiências sociais e ambientais durante a adolescência. Estudos recentes mostram que vivências nesse período são capazes de moldar estrutural e funcionalmente o Córtex pré-frontal, impactando diretamente o comportamento na vida adulta. Isso sugere que a história de vida do indivíduo exerce influência direta sobre sua capacidade de regulação emocional e tomada de decisão. Porém, isso mostra, também, que inteligência emocional, autocontrole e outros aspectos podem ser moldados, mesmo que na vida adulta. Mudanças comportamentais e de hábitos podem ser realizadas graças à imensa capacidade de neuroplasticidade do cérebro humano, podendo construir novos caminhos neurais e, assim, novos hábitos e comportamentos.

Por fim, é importante destacar que processos como aprendizagem emocional, formação de memórias traumáticas e extinção do medo dependem da integração entre essas três estruturas. Pesquisas apontam que a memória do medo, por exemplo, é um fenômeno distribuído nessa rede, envolvendo não apenas neurônios, mas também células gliais, como os astrócitos, na modulação dessas experiências . Dessa forma, o comportamento humano emerge de uma complexa interação entre emoção, memória e controle cognitivo, sustentando uma base biológica para fenômenos amplamente discutidos na psicanálise, como a formação de padrões inconscientes e a repetição de experiências."


Bons estudos, meu povo!

terça-feira, 7 de abril de 2026

Aula 2 - Neurociência, Neuropsicologia e Processos Básicos

Olá, pessoal!
Boa tarde.

A segunda aula da nossa disciplina de pós fala sobre tecido nervoso e sinapses.
E aqui, começa a ficar realmente fantástica a nossa discussão.

A primeira pergunta da nossa aula: se eu pegar um pedacinho do cérebro humano e colocar em um microscópio potente (BEM potente, rs), o que eu vejo? Ou melhor, do que o cérebro é formado?

Pelos neurônios e pelas células da glia (ou neuróglias). Juntas, essas células formam o famoso tecido nervoso. 

Gosto bastante dessa representação:


Os neurônios são as principais células, e a forma como trocam informações, as sinapses, em especiais as químicas (que usam neurotransmissores, como a serotonina e dopamina), estão por trás de todas as funções cognitivas do nosso cérebro, como a nossa atenção e a nossa memória, por exemplo.

Alguns materiais para aprofundar mais:


Mas, nem só de neurônios vive o cérebro. Existem outras células que, juntas, formam o que chamamos de neuróglias. Além de darem suporte e facilitar muito a vida dos neurônios, quanto mais avançamos nas pesquisas em neurociência, mais aprendemos sobre suas funções e disfunções. 

Inclusive, muitas disfunções estão relacionadas a transtornos psicológicos e até doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.

Para entender mais:

Depois de explorar a base desses materiais e entender as principais características e as principais funções das células que compõem nosso tecido nervoso, vamos utilizar as sinapses para dar um passo além na nossa discussão:

Neuroplasticidade e formação de memórias, que vocês podem começar por esse vídeo:

Bons estudos, meu povo!

Padrões Relacionados e Modelos Internos

Oi pessoal, bom dia.
Espero que todos estejam bem, ou, pelo menos, buscando ficar!

Ontem me peguei em uma reflexão e, como um bom eterno estudante, fui discutir com o chat gpt sobre alguns pontos da reflexão que não estavam encaixando na minha cabeça.



A neuroplasticidade é uma coisa fantástica, e abre um bilhão de possibilidades para nós, humanos. Basicamente, podemos fazer qualquer coisa, mudar qualquer coisa, aprender qualquer coisa, as possibilidades para nosso cérebro são basicamente infinitas. 

Uma vez que não podemos apagar memórias, a neuroplasticidade entra com maestria no que chamamos dentro da neurociência de Ressignificação de memórias, o que os psicólogos e psicanalistas fazem com escuta e palavras, ajudando o paciente a trabalhar suas memórias traumáticas até um ponto onde conseguem ressignificá-las, ou seja, elas continuam existindo, mas a partir daquele momento não vão doer mais, ou então, vão doer menos.

Isso, para mim, mostra o quão gigante o processo terapêutico pode ser, chega a ser fascinante. Escutando e ajudando com palavras nas reflexões, auxilia-se o paciente a ressignificar algo que o fez sofre por anos, as vezes por décadas, isso jamais terá um preço, mas tem um valor inimaginável!

Porém, uma coisa não saia da minha cabeça:
Quantos casos, observamos, onde existiu um trauma, como um abuso na infância, décadas depois isso foi trabalhado em terapia, o paciente sente que foi "resolvido", a memória foi ressignificada, ou seja, a neuroplasticidade aconteceu, não existe mais a dor gerada quando algum gatilho leva o paciente de volta aquela memória. Porém, os relacionamentos continuam difíceis pela falta de confiança, as amizades escassas, a solitude ainda é solidão na maioria das vezes... As consequências ainda existem.

Onde entrou o chat gpt aqui? Com uma pergunta bem simples: existem pessoas incuráveis? quebradas de uma forma, que, talvez, a lente colocada na forma de enxergar o mundo, pelo trauma, jamais vai permitir que ela enxergue o mundo de uma forma mais saudável?

E ai veio um ponto que eu não conhecia.

A neuroplasticidade vai ajudar na dor da memória, eu posso até perdoar e ressignificar, porém, foram criadas estratégias de sobrevivência a partir dessa memória. Todas as relações, todos os comportamentos, todos os padrões internos e os modelos internos foram desenvolvidos com um cérebro mais reativo, com mais medo, porque jamais gostaria de vivenciar aquele terror novamente. Tudo é pensado e construído para que aquela dor não se repita!

TUDO!

Relacionamentos, hábitos, rotinas, vícios...

Mesmo que a dor não exista mais, ou seja bem mais leve do que já foi um dia, o seu cérebro se adaptou à desconfiança, ao receio, ao medo de ser ferio novamente. Mesmo que na fase adulta isso seja bem mais difícil de acontecer, o modelo enraizado é esse.

Mas ai vem o grande detalhe:
Assim como os hábitos, é difícil, mas dá para mudar.
Padrões são econômicos de serem seguidos para o cérebro, ou seja, custam menos energia, algo como a zona de conforto. E ele adora! Por isso buscar nos boicotar quando tentamos mudar algum hábito, mas se insistirmos, ele vai se reorganizando (neuroplasticidade), se acostumando ao novo caminho até que ele se torne a estrada habitual, e o novo hábito seja construído.

Então, nenhum de nós foi quebrado para sempre!
Pode ser difícil, pois existem padrões e modelos bem estruturados, que aprenderam a garantir a sua segurança frente às experiências que te causaram dor. Vai dar trabalho, mas podem ser amenizados, melhorando seus relacionamentos e sua vida social de uma forma geral.

De qualquer maneira, só o autoconhecimento pode te ajudar com isso, e, normalmente, o caminho mais fácil (mas não menos dolorido), é a terapia!

Reflitam!
Beijos!

terça-feira, 31 de março de 2026

Prazer, Neurociências, Neuropsicologia e Processos Básicos

Bom dia, pessoal!

Hoje damos início à disciplina Neurociências, Neuropsicologia e Processos Básicos, na pós graduação da UniEduk. Gosto muito de trabalhar com a graduação, mas, nos últimos semestres, a pós-graduação tem sido uma excelente surpresa.

E a ementa dessa disciplina está sensacional!

Basicamente, vamos aproveitar o começo para relembrar como e do que é formado o sistema nervoso (neuroanatomia) e como ele funciona (neurofisiologia). Relembrando esses tópicos iniciais, partimos para discutir funções executivas, parte cognitiva e transtornos, e relacionar a neurobiologia com a psicologia, a parte que é ainda mais fantástica.

O primeiro dos 6 encontros é voltado para a neuroanatomia e a construção básica do sistema nervoso humano. E aqui, não tem jeito. A primeira divisão a ser lembrada, é a divisão em Sistema Nervoso Periférico (SNP) e Sistema Nervoso Central (SNC).


Nessa divisão anatômica básica, o SNP é composto pelos nervos, gânglios e terminações nervosas. Enquanto o SNC é composto pela medula espinhal e pelo encéfalo (tronco encefálico, cerebelo e cérebro). Essa divisão é de componentes, vale acrescentar que, quando falamos de Sistema Nervoso Periférico (SNP), ele tem uma classificação que o divide em Somático (onde entram as fibras motoras dos nervos espinhais, relacionadas aos movimentos voluntários) e a porção Autônoma, relacionada a uma parte automática do nosso corpo, que independe da nossa vontade, que é a porção responsável pela regulação dos nossos órgãos (essa porção, é a porção que faz com que as coisas que não são resolvidas a nível psicológico, apareçam de alguma forma no nível orgânico - lembra das doenças e manifestações psicossomáticas?).

As duas porções do nosso sistema nervoso estão em locais distintos e possuem funções distintas, por isso dizemos que são anatômicas e funcionalmente distintas, porém, elas trocam informações 24 horas por dia! Isso mesmo, 100% do nosso tempo existe troca de informação entre SNP e SNC, é só pensar que nossos 5 sentidos, que permitem que consigamos sentir e interagir com o mundo à nossa volta, se encontram no sistema nervoso periférico! 

Ou seja, as informações chegam a um dos nossos sentidos, são traduzidas e transformadas em impulso nervoso (energia elétrica) e são levadas para o cérebro (SNC) para serem interpretadas e sentidas! Ou seja, quem abastece nosso cérebro e permite que ele sinta e se desenvolva são os sentidos!


Uma observação de um assunto lá da frente: tem ideia do quanto o excesso de celular tem prejudicado o bom desenvolvimento do nosso cérebro? Nossa atenção? Nossa formação de memórias? Nosso cérebro foi desenvolvido para receber, constantemente, informação de cinco sentidos diferentes, sensações e experiências riquíssimas e distintas. Hoje, basicamente, só fornecemos para ele informações visuais e auditivas, contínuas, ininterruptas, uma avalanche! Gosto? Quando você comeu apreciando a comida pela última vez? Quando parou para sentir o cheiro de alguma coisa, de verdade? Uma flor durante a caminhada? Um perfume? Qual foi a última vez que escutou o solo de guitarra da sua música preferida? E de olhos fechados, com aquela atenção que chega até arrepiar a pele?