Bom dia, pessoal!
Sabe aquela sensação de
acordar cansado, mesmo depois de uma noite boa de sono?
Já acordou cansado? Ou melhor,
mentalmente cansado?
Tipo aqueles dias em que, nas
primeiras horas da manhã, você mal consegue organizar os pensamentos, o cérebro
parece esgotado...
E ele está, coitado.
E advinha quem está por trás
desse cenário?
O Estresse.
Estresse que vai se acumulando
dia após dia, na correria da rotina, dos boletos, dos BOs surpresas que sempre
aparecem, da alimentação atrapalhada e que mais judia que ajuda o corpo, das
noites de sonos mal dormidas...
E, normalmente, o que fazemos?
Nada.
Consideramos normal, que faz
parte da vida, e esquecemos que o estresse que se acumula precisa ser gasto,
precisamos de válvulas de escape para que o cérebro se reinvente, descanse
mesmo sem dormir, tire o foco do lado mais puxado e tenha momentos para ser ele
mesmo, praticando o ócio criativo.
É uma reclamação comum, que
com frequência aparece nas salas de aula, na roda de conversa com amigos, em
alguns (poucos) ambientes que frequento na minha rotina.
E tem aparecido com cada vez
mais frequência.
Imagina um cenário maravilho, onde
tiramos o estresse acumulado da sua vida e rotina. Sobrando só sua versão que
faz as coisas, mas lida bem com tudo, não acumulando estresse.
Nesse cenário, seu sono está
bem regulado, tanto em horas quanto em qualidade. Aqui, dentre os papéis
essenciais do sono, gostaria de focar em alguns específicos:
- Descanso e limpeza do
cérebro! Durante as fases mais profundas do sono e na fase do sono REM, o
cérebro se reorganiza, se limpa, se prepara para o novo ciclo que começa ao
despertar. Isso é essencial para manutenção da nossa saúde mental, para
construção de memórias, para um maior nível de atenção e cognitivo, é o cérebro
poder funcionar com seu potencial máximo.
- Além dessas alterações, o
sono ainda diminui o cortisol corporal, libera hormônios como o do
crescimento (GH), diminui o tônus simpático (responsável pelo estado de alerta
do nosso corpo e mente), dentre várias funções biológicos que auxiliam na nossa
saúde física e mental.
Quando estamos sobre uma
grande carga de estresse ou sobre os drásticos efeitos do estresse patológico
crônico, acontecem algumas mudanças no nosso organismo que vão dificultando
cada vez mais a qualidade do sono, minando a qualidade do descanso através dos
altos níveis de cortisol e outras alterações neurobiológicas.
Para que vocês entendem de uma
forma mais simples, estresse acumulado tende a aumentar a concentração do
hormônio cortisol, pois o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal está
constantemente ativo.
Dentre os efeitos conhecidos
de um aumento crônico do cortisol, temos uma diminuição da força do sistema
imune, tornando nosso corpo mais fraco e mais apto a ficar doente, disfunções
cognitivas, declínio na formação de memórias e do aprendizado...
E boa parte, se não tudo,
conversa com os efeitos do estresse sobre o nosso sono, e porque o coitado do
cérebro não consegue descansar, mesmo que você durma oito horas todas as
noites.
Estresse alto, cortisol alto,
sistema nervoso simpático (aquele da resposta de Luta ou Fuga)
hiperativo.
De dia, tudo isso vai afetar
bastante sua rotina, seu humor, mas a noite meu amigo, os efeitos acabam
custando mais caro, e muitas vezes de uma forma bem sutil.
Primeiro, existe um aumento do
cortisol noturno, uma vez que, nessa fase de grande carga de estresse, o
parassimpático não consegue tomar as rédeas nem mesmo durante a noite, e o
simpático e toda a tensão que ele trás, continuam ativos durante seu sono. Assim,
aumenta o gasto energético do corpo e do cérebro durante a noite. e tem mais, o
cérebro ainda não consegue fazer a limpeza adequada, prejudicando a
consolidação de memórias.
Se não bastasse, pesquisas
mostram que essa "limpeza", basicamente uma faxina que acontece
durante o sono, limpa do nosso cérebro a famosa beta-amiloide, que quando
acumulada da início à inflamação e morte neuronal associadas à doença de Alzheimer.
Tem pesquisas, inclusive, que mostram que uma noite mal dormida já aumentaria a
probabilidade de desenvolver a doença, ou seja, ferrou, rs.
Ou seja, mesmo dormindo, o
cérebro não consegue recarregar suas baterias.
Além de essa combinação
aumentar os episódios de despertar ao longo da noite, mesmo que seja micro, sem
que a gente nem perceba, todas essas alterações em conjunto aumentam a
inflamação ao longo de todo o nosso corpo. Algo como uma inflamação basal, pequena,
porém corrosiva no longo prazo.
Juntando tudo isso, seu corpo
pode até ter a sensação de estar descansado, mas seu cérebro não. Você fica
esgotado nas primeiras horas do dia, atenção prejudicada, formação de memórias
prejudicada, humor desequilibrado...
Não adianta, precisamos
enxergar o estresse acumulado como um formador de caos na nossa biologia,
principalmente na neurobiologia. Por isso, encontrar válvulas de escape para o
estresse: exercício físico que você se apaixone, pessoas ou locais que te fazem
bem, atividades que geram prazer... é extremamente necessário em nossa rotina
atual.
Até porque, se assim como eu,
você não for herdeiro ou tenha alguém para te bancar, os níveis de estresse por
conta dos BOs diários e da vida continuarão sendo altos, então, não adianta
visualizarmos um mundo de plenitude e paz, mas sim encontrar formas para que o
caos do dia a dia, não torne o nosso corpo e, consequentemente, a nossa mente,
em um caos também.
Tenham momentos ou pratiquem atividades, coisas que você gosta, que dá aquela sensação de abraço mental, que faz bem para o corpo e para a saúde mental.
E antes de finalizarmos essa reflexão, é com o maior prazer que anuncio a parceria entre o Plantando Ciência e o Centro Universitário de Jaguariúna, a UNIFAJ.






