Boa noite, pessoal!
O projeto Plantando Ciência e UniSaúde, da Unifaj, entra na sua segunda semana, e essa semana vamos focar nossas reflexões na Memória.
Eu aposto que, em algum momento da última semana você chegou em um cômodo da casa e não lembrou o que ia buscar, ou abriu a geladeira e não fazia a menor ideia do que foi pegar ali. Talvez tenha "perdido" a chave dentro de casa.
Alguns provavelmente pensaram e até falaram para alguém: estou com problema de memória, ou, minha memória está ruim.
E para acalmar seu coração, e muito improvável que você tenha algum problema de memória, é bem mais provável que você só não tenha prestado atenção, ou está com a cabeça cheia de informações, as vezes cansado ou estressado, e ai o foco fica difícil de se manter, acontece!
Mas porque falei sobre atenção?
Imagina o seguinte cenário: ao longo do dia, nosso cérebro recebe milhares de informações através dos cinco sentidos. É só pensar: até o momento em que você está lendo esse conteúdo, quantas coisas já viu desde que está acordado? Quantos cheiros sentiu? Quantos sabores provou ao longo desse dia?
Imagina se o cérebro precisasse guardar todas essas informações, ele ficaria completamente sobrecarregado e sem energia, como se não sobrasse espaço para novas experiências serem registradas.
E isso não faria sentido nenhum.
Imagina ter uma máquina tão potente como o cérebro humano e não conseguir aproveitar toda sua capacidade cognitiva? Que tristeza biológica seria.
E qual foi a solução encontrada?
Nós transformamos em memórias de longo prazo, aquelas que duram as vezes para sempre, apenas as experiências que prestamos atenção e as que nos fizeram sentir emoções, que possuem carga emocional, seja boa ou ruim.
É como se o cérebro tivesse aprendido a grifar o que é importante ou não, economizando energia e espaço de armazenamento. E as canetas que grifam e sinalizam a importância da experiência são a atenção e o que sentimos em cada experiência.
Vai me falar que você nunca leu uma página inteira de um livro e, na última palavra, percebeu que não entendeu absolutamente nada do que tinha lido nos últimos parágrafos? Falta de atenção, lá vai você ler a página inteira de novo, rs.
Gosto de falar para os alunos que nossa atenção tem uma bateria, que gasta muito rápido quando estamos focados em algo, como no celular rolando as redes sociais.
Para recarregar e poder usar novamente nosso foco, precisamos dos minutos para o cafezinho, de um exercício físico, de um bom banho, de uma forma de deixar o cérebro divagar um pouco, assimilar as ideias e voltar com força total. A bateria acaba rápido, mas recarrega rápido também, mas o cérebro precisa de um pouco de paz para isso.
E claro, praia e cachoeira são ótimas formas de ter um pouco de paz e recarregar as energias, mas como nem sempre é possível, pequenos intervalos na rotina, de preferência sem o celular, já ajudam bastante.
Nossa memória é fantástica, e mais reflexões sobre sua beleza você pode encontrar aqui:
https://plantandociencia.blogspot.com/2022/07/memoria-algumas-reflexoes.html
https://plantandociencia.blogspot.com/2023/09/a-beleza-da-memoria-humana.html
Existem alguma características fascinantes, como o fato da memória contar nossa história pessoal, uma vez que, ao refletir um pouco, percebemos que somos hoje o que temos guardado das experiências que passamos.
Além disso, a memória nos faz enxergar o mundo de acordo com as lentes que foram colocadas em nossa visão de acordo com cada experiência marcante, e é por isso que cada um de nós enxerga o mesmo mundo de forma tão diferente, que gostamos de músicas diferentes, de livros diferentes, de filmes diferentes...
Vale a pena dar uma olhada nesses materiais para refletir mais a respeito:
https://plantandociencia.blogspot.com/2021/04/memoria-reflexoes.html
Mas quais áreas estão relacionadas com a formação de memórias no nosso cérebro?
A principal recebe o nome de hipocampo, uma região que faz parte do famoso Sistema Límbico, relacionado às nossas emoções, comportamentos emocionais e formação de memórias.
O hipocampo, basicamente, guarda as experiências do dia para trabalhar em cima delas durante a noite, no sono. Daí a importância do sono para a formação das memórias e do nosso aprendizado.
As experiências que foram grifadas pela atenção ou pela carga emocional são transformadas em memórias de longo prazo e ficam espalhadas no nosso cérebro. Ou seja, o hipocampo ajuda a formar a memória de longo prazo, mas não armazena ela.
E aquelas experiências que não precisam ser guardadas? São apagadas, e posso comprovar com uma pergunta simples: você lembra o que comeu no almoço de terça passada? E de quem encontrou na sala de aula no primeiro dia de aula de Fisiologia?
Provavelmente não, porque isso não importa, não precisa ser registrado no cérebro.
Para finalizar essa primeira discussão sobre memória e as pílulas que irão surgir sobre o assunto, recomendo três leituras divertidas e ricas em conhecimento neurocientífico, além disso, tem uma dica de documentário espetacular para aprender assistindo:
https://plantandociencia.blogspot.com/2020/01/explicando-mente-memoria-parte-1.html
https://plantandociencia.blogspot.com/2020/02/explicando-mente-memoria-parte-2.html
https://plantandociencia.blogspot.com/2020/03/explicando-mente-memoria-parte-3.html
Por hoje é só, pessoal!
Boas reflexões e lembrem-se, você não tem problema de memória (provavelmente), só não está prestando muito a atenção.






