Olá, pessoal!
Boa tarde!
Hoje vamos fazer uma
mistura espetacular aqui no Plantando Ciência: tradição milenar chinesa
misturada com neurociência moderna.
Sendo um pouquinho mais
claro, o que sabemos hoje sobre os efeitos da acupuntura na Ansiedade,
Depressão e Estresse?
Olha que interessante esse quadro antes de começar a nossa reflexão:
Um dos trabalhos mais interessantes para abrir o artigo é uma meta-análise publicada em 2026, que reuniu 20 ensaios clínicos randomizados e 1.462 participantes.
A acupuntura tradicional
apresentou uma melhora significativa na ansiedade dos pacientes, quando comparados
aos pacientes que receberam outras técnicas e também quando comparados ao grupo
controle (que não passou por acupuntura ou outra intervenção).
O efeito também
permaneceu no acompanhamento dos pacientes. Porém, quando analisamos mais a
fundo outros pontos comparados no artigo, os resultados se mostraram mais heterogêneos,
justamente o tipo de ressalva que combina com a proposta aqui do Plantando
Ciência.
Um estudo com foco no transtorno
de ansiedade generalizada (TAG), uma meta-análise de 2025, encontrou uma redução
significativa nas escalas de ansiedade e também melhora da qualidade do sono e
sintomas depressivos, quando comparada a outras metodologias.
Mas tem estudo mostrando
o cérebro funcionando durante uma sessão de acupuntura? Tem!
Estudos de neuroimagem mostram
que a acupuntura não parece simplesmente produzir uma resposta “local”. Uma
revisão de estudos de ressonância magnética em depressão encontrou alterações
envolvendo o funcionamento de regiões como córtex cingulado anterior e regiões
pré-frontais, além de mudanças na conectividade funcional. Isso é sensacional,
uma vez que uma das discussões atuais sobre ansiedade fala sobre o córtex pré-frontal
trabalhando menos que o normal na contenção das análises emocionais da amígdala.
Algo como o freio dos impulsos ansiosos, das interpretações dramaticamente exageradas
da amígdala não funcionar corretamente.
Fato que vem sendo
confirmado por estudos recentes que apontam para um efeito sobre as redes
neurais relacionadas à regulação emocional, recompensa e modo padrão.
Há um trabalho
particularmente recente, publicado em 2026, que fez uma meta-análise de estudos
de fMRI envolvendo 357 pessoas com depressão.
Os autores encontraram
alterações consistentes em regiões como cíngulo e núcleo caudado, principalmente
por meio de plasticidade neural, o que aparenta ter levado a melhora clínica
dos pacientes analisados.
Também foi observada uma
relação dose-resposta entre número de sessões e modulação da amígdala. E modulação
da amígdala, hiperativada em muitos casos de transtornos de ansiedade, pode ser
chave dos efeitos ansiolíticos de uma técnica milenar, criada milhares de anos
antes de qualquer ideia sobre ciência como temos hoje, sensacional!
Talvez a pergunta mais
interessante não seja “qual ponto da acupuntura trata a ansiedade?”, mas “como
uma estimulação periférica consegue modificar a atividade de circuitos
cerebrais envolvidos na ansiedade?”
Mas e o estresse?
Se eu disse, apenas que: “Acupuntura
reduz o estresse.”
Eu não estaria sendo
honesto com vocês!
“Há evidências de que a
acupuntura pode interferir em sistemas neurobiológicos relacionados à resposta
ao estresse.”
Pronto, olha que poética
essa versão, rs.
Aqui, um dos principais
candidatos é o eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (HPA), responsável pela
liberação de cortisol no estresse, dentre diversos outros efeitos
característicos do estresse crônico, acumulado.
Uma revisão de 2024
reuniu evidências sobre a interação entre acupuntura e eixo HPA e descreveu
possíveis efeitos envolvendo hipotálamo, hipocampo, amígdala, hipófise,
neurotransmissores e neuropeptídeos. Uma análise um pouco mais neurobiológica das
ações.
E isso é muito
interessante porque conecta diretamente a acupuntura com algo que já discutimos
inúmeras vezes aqui:
Estímulo → sistema
nervoso → hipotálamo → eixo HPA → cortisol → resposta fisiológica ao estresse.
Um estudo publicado na Nature
demonstrou, em modelos experimentais, que a eletroacupuntura em determinados
locais poderia recrutar fibras sensoriais e ativar uma via vagal-adrenal,
associada à modulação de respostas inflamatórias.
Aqui, porém, preciso
deixar muito claro:
Isso é evidência experimental
— não significa que já esteja comprovado que a mesma via produza os mesmos
efeitos clínicos em seres humanos com ansiedade ou depressão.
Um mecanismo fascinante: a agulha conversa com o sistema nervoso
Um dos exemplos mais
bonitos de neurobiologia da acupuntura vem de um estudo publicado na Nature
Neuroscience.
Pesquisadores
demonstraram que a estimulação por acupuntura aumentava localmente a liberação
de adenosina, e que seus efeitos analgésicos dependiam da ativação de
receptores A1. Esse estudo foi feito em animais e estudou principalmente
dor, então não devemos extrapolá-lo diretamente para ansiedade ou
depressão.
Mas ele demonstra algo
conceitualmente importante: uma agulha inserida na periferia pode desencadear
uma cascata neuroquímica mensurável e auxiliar no tratamento de dor.
Imagina nos casos de
dores crônicas, o tanto de sofrimento que poderia ser resolvido com mais agulhas
e menos medicamentos! Qualidade de vida, saúde e longevidade juntos!
E isso muda completamente
a maneira de pensar a acupuntura, porque a ciência vem mostrando claramente
que: a estimulação mecânica de tecidos periféricos pode ativar fibras
sensoriais, produzir sinais neurais e desencadear respostas neuroquímicas e
autonômicas.
A questão científica
passa então a ser:
Quais vias são ativadas,
em quais condições e com qual magnitude? E quais os pontos mais interessantes
para serem explorados?
Mas, a partir desse
ponto, quem assume a discussão na segunda parte da matéria é a biomédica e
grande amiga Valéria Caruso, trazendo mais informações sobre a técnica em si, a
qual ela exerce a anos em sua clínica.
Boas reflexões e até a
próxima!
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