segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Como vai sua memória?

Boa noite, pessoal!

O projeto Plantando Ciência e UniSaúde, da Unifaj, entra na sua segunda semana, e essa semana vamos focar nossas reflexões na Memória.

Eu aposto que, em algum momento da última semana você chegou em um cômodo da casa e não lembrou o que ia buscar, ou abriu a geladeira e não fazia a menor ideia do que foi pegar ali. Talvez tenha "perdido" a chave dentro de casa.

Alguns provavelmente pensaram e até falaram para alguém: estou com problema de memória, ou, minha memória está ruim.

E para acalmar seu coração, e muito improvável que você tenha algum problema de memória, é bem mais provável que você só não tenha prestado atenção, ou está com a cabeça cheia de informações, as vezes cansado ou estressado, e ai o foco fica difícil de se manter, acontece!



Mas porque falei sobre atenção?

Imagina o seguinte cenário: ao longo do dia, nosso cérebro recebe milhares de informações através dos cinco sentidos. É só pensar: até o momento em que você está lendo esse conteúdo, quantas coisas já viu desde que está acordado? Quantos cheiros sentiu? Quantos sabores provou ao longo desse dia?

Imagina se o cérebro precisasse guardar todas essas informações, ele ficaria completamente sobrecarregado e sem energia, como se não sobrasse espaço para novas experiências serem registradas.

E isso não faria sentido nenhum. 

Imagina ter uma máquina tão potente como o cérebro humano e não conseguir aproveitar toda sua capacidade cognitiva? Que tristeza biológica seria.

E qual foi a solução encontrada?

Nós transformamos em memórias de longo prazo, aquelas que duram as vezes para sempre, apenas as experiências que prestamos atenção e as que nos fizeram sentir emoções, que possuem carga emocional, seja boa ou ruim.

É como se o cérebro tivesse aprendido a grifar o que é importante ou não, economizando energia e espaço de armazenamento. E as canetas que grifam e sinalizam a importância da experiência são a atenção e o que sentimos em cada experiência.

Vai me falar que você nunca leu uma página inteira de um livro e, na última palavra, percebeu que não entendeu absolutamente nada do que tinha lido nos últimos parágrafos? Falta de atenção, lá vai você ler a página inteira de novo, rs.

Gosto de falar para os alunos que nossa atenção tem uma bateria, que gasta muito rápido quando estamos focados em algo, como no celular rolando as redes sociais. 

Para recarregar e poder usar novamente nosso foco, precisamos dos minutos para o cafezinho, de um exercício físico, de um bom banho, de uma forma de deixar o cérebro divagar um pouco, assimilar as ideias e voltar com força total. A bateria acaba rápido, mas recarrega rápido também, mas o cérebro precisa de um pouco de paz para isso.

E claro, praia e cachoeira são ótimas formas de ter um pouco de paz e recarregar as energias, mas como nem sempre é possível, pequenos intervalos na rotina, de preferência sem o celular, já ajudam bastante.

Nossa memória é fantástica, e mais reflexões sobre sua beleza você pode encontrar aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2022/07/memoria-algumas-reflexoes.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2023/09/a-beleza-da-memoria-humana.html


Existem alguma características fascinantes, como o fato da memória contar nossa história pessoal, uma vez que, ao refletir um pouco, percebemos que somos hoje o que temos guardado das experiências que passamos. 

Além disso, a memória nos faz enxergar o mundo de acordo com as lentes que foram colocadas em nossa visão de acordo com cada experiência marcante, e é por isso que cada um de nós enxerga o mesmo mundo de forma tão diferente, que gostamos de músicas diferentes, de livros diferentes, de filmes diferentes...

Vale a pena dar uma olhada nesses materiais para refletir mais a respeito:

https://plantandociencia.blogspot.com/2021/04/memoria-reflexoes.html

Mas quais áreas estão relacionadas com a formação de memórias no nosso cérebro?

A principal recebe o nome de hipocampo, uma região que faz parte do famoso Sistema Límbico, relacionado às nossas emoções, comportamentos emocionais e formação de memórias. 

O hipocampo, basicamente, guarda as experiências do dia para trabalhar em cima delas durante a noite, no sono. Daí a importância do sono para a formação das memórias e do nosso aprendizado. 

As experiências que foram grifadas pela atenção ou pela carga emocional são transformadas em memórias de longo prazo e ficam espalhadas no nosso cérebro. Ou seja, o hipocampo ajuda a formar a memória de longo prazo, mas não armazena ela.

E aquelas experiências que não precisam ser guardadas? São apagadas, e posso comprovar com uma pergunta simples: você lembra o que comeu no almoço de terça passada? E de quem encontrou na sala de aula no primeiro dia de aula de Fisiologia? 

Provavelmente não, porque isso não importa, não precisa ser registrado no cérebro.

Para finalizar essa primeira discussão sobre memória e as pílulas que irão surgir sobre o assunto, recomendo três leituras divertidas e ricas em conhecimento neurocientífico, além disso, tem uma dica de documentário espetacular para aprender assistindo:

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/01/explicando-mente-memoria-parte-1.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/02/explicando-mente-memoria-parte-2.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/03/explicando-mente-memoria-parte-3.html

Por hoje é só, pessoal!
Boas reflexões e lembrem-se, você não tem problema de memória (provavelmente), só não está prestando muito a atenção.

Fisiologia, primeira parte

Bom dia, pessoal!

Encerramos hoje, em sala de aula, a primeira parte da disciplina de Fisiologia Humana. 

Até o momento, trabalhamos bastante sobre as sinapses químicas e suas características e funções, sistema ósseo e sistema músculo esquelético, com o maior foco sendo dado ao processo da contração muscular. 

Quando começamos o semestre, trouxe novamente para vocês o conceito de sinapses químicas, e mostrei como ela está por trás de basicamente tudo que fazemos ao longo do nosso dia, desde os cinco sentidos até os movimentos, passando por toda a base cognitiva do nosso cérebro.

Alguns materiais que valem a pena serem incluídos no estudo de vocês é:

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/02/potenciais-de-acao.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/09/tecido-nervoso-i.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2021/03/tecido-nervoso-2-celulas-da-glia-e.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/03/sinapses-quimicas.html


Aha Bruno, mas o que devo focar desses materiais, pensando em prova? Sinapses químicas (mecanismo de ação), exemplo dos inibidores da recaptação de serotonina e o conceito de neuroplasticidade envolvido no transtorno depressivo antes e depois do fármaco, e o exemplo da toxina botulínica, que conecta os temas sinapse química e contração muscular.

Depois desse primeiro susto, falamos sobre tecido ósseo e algumas das suas principais características, desde a anatomia até a questão celular, onde estudamos osteoblastos, osteoclastos e a relação da saúde óssea e a osteoporose. 

Aqui no blog, tem um resumo de sistema ósseo da Anatomia, que deixo aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2016/12/introducao-ao-estudo-da-anatomia_20.html

Porém, lembrem-se do que falei em sala de aula. Esse material é uma revisão de anatomia, então, caso algo apareça na prova, é a relação entre a destruição controlada dos ossos causada pelos osteoclastos e a reconstrução que é papel dos osteoblastos. 

Acrescentaria, a essa discussão, o papel da vitamina D e do cálcio na manutenção da saúde óssea, e a menopausa como fator de risco para as mulheres, principal grupo diagnosticado com a patologia.

Finalizando a parte óssea, entramos no sofrimento de verdade, rs. Brincadeira, entramos em contração muscular, e aqui temos uma gama de materiais um pouco maior, sendo que, esse assunto, é o principal dentre os primeiros estudados. 

Vocês já sabem, nessa altura, que o principal significa o que vai aparecer com mais frequência na primeira prova, dentre os materiais citados! Fica a dica!

Alguns links que podem salvar nos estudos:

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/04/juncao-neuromuscular.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/04/contracao-do-musculo-esqueletico.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2026/08/fisiologia-da-contracao-muscular-2.html


Não se esqueçam que dividimos a fisiologia da contração em dois grandes momentos, um momento onde o movimento é gerado e desenhado no sistema nervoso central (SNC) e chega até a placa motora, com a liberação da acetilcolina. E um segundo momento, que ocorre quando a acetilcolina se liga aos receptores do músculo esquelético e dispara a contração do músculo esquelético.

A primeira parte, até a junção neuromuscular, vocês encontram aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2020/05/cerebelo-e-motricidade-20.html

Agora, não tem segredo, é com vocês!

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Enzimas e vitaminas: pequenas moléculas, grandes responsabilidades - parte 1

Olá, pessoal!

Hoje vou começar nossa discussão com uma pergunta bem simples:

O que está acontecendo dentro do seu corpo agora?


Enquanto você lê este texto, está respirando sem precisar pensar sobre isso, coração batendo para que o oxigênio da respiração chegue a todos os cantos do seu corpo, inclusive, abastecendo seu cérebro de energia para permitir que você leia o material, rs.

E, enquanto tudo isso acontece, existe uma coisa acontecendo em praticamente todos os lugares do seu organismo: Reações químicas.

Muitas. Milhares delas.

O tempo todo moléculas sendo quebradas, outras sendo construídas, energia sendo produzida e utilizada, substâncias sendo transformadas.

A vida, em grande parte, é química acontecendo.

Mas aqui aparece uma pergunta ainda mais interessante:

Se as moléculas do nosso organismo são capazes de reagir umas com as outras...

Por que elas não fazem isso simplesmente sozinhas?

Não faria mais sentido se elas não precisassem de ajuda para realizar essas reações? Por que precisamos de algo para ajudar?

Para responder a essa pergunta, precisamos falar sobre duas coisas que, à primeira vista, parecem assuntos completamente diferentes:

enzimas e vitaminas.

Mas, no final, talvez você perceba que elas estão muito mais conectadas do que imaginávamos.

E não só isso, na discussão sobre vitaminas, vamos entender como a ciência vem mostrando a relação direta entre falta e excesso de vitaminas e alguns nutrientes estão diretamente relacionadas à saúde mental.

Na verdade, a vida não pode esperar

Imagine que você acabou de comer.

Os alimentos precisam ser digeridos. Carboidratos precisam ser quebrados. Proteínas precisam ser transformadas em aminoácidos. Lipídios precisam ser processados.

Parte dessas moléculas será utilizada para produzir energia. Outra parte será utilizada para construir novas estruturas.

Agora imagine que todas essas reações até fossem possíveis...

Mas demorassem dias. Ou semanas. Isso seria um enorme problema.

Porque a vida não funciona apenas porque as reações químicas podem acontecer. Ela funciona porque essas reações acontecem na hora certa, no lugar certo e na velocidade adequada.

E aqui é exatamente o ponto onde entram as enzimas na nossa discussão.


Enzimas: os aceleradores da vida

As enzimas são catalisadores biológicos.

Traduzindo para uma linguagem menos assustadora: elas ajudam as reações químicas a acontecerem mais rapidamente.

Como se fosse um turbo, que acelera o acontecimento das coisas dentro do nosso organismo.

E isso é extremamente importante.

Uma reação que poderia acontecer lentamente pode ocorrer milhares ou milhões de vezes mais rapidamente quando existe uma enzima participando do processo. Isso é vida, ágil, dinâmica, rápida!

E existe outro detalhe interessante.

A enzima não é simplesmente “gasta” durante a reação, como se fosse um combustível.

Ela participa. Ajuda. Facilita a transformação.

E pode participar novamente. E novamente. E novamente...

Uma mesma enzima pode catalisar várias reações semelhantes em um período relativamente curto. Por isso, grande parte do nosso metabolismo depende delas. Mas não pense que uma enzima é uma espécie de trabalhador genérico, capaz de fazer qualquer coisa.

As enzimas são específicas.

Elas reconhecem determinadas moléculas, chamadas de substratos, e participam de reações específicas.

Aqui podemos parar e pensar em uma pergunta:

Se existem milhares de moléculas circulando dentro de uma célula, como uma enzima “sabe” com qual delas deve interagir?

A resposta está na sua estrutura.

E, na maioria dos casos, estamos falando de proteínas.

Proteínas com uma estrutura tridimensional extremamente importante para o seu funcionamento. Mas a palavra “maioria” é importante. Porque nem todas as moléculas capazes de exercer atividade catalítica são proteínas.

Existem também moléculas de RNA capazes de catalisar reações. Elas recebem o nome de ribozimas.

Ou seja:

Até uma molécula que normalmente associamos ao armazenamento e à transmissão de informações pode, em determinadas situações, participar ativamente da química da vida.

Fora toda a relação das enzimas com o funcionamento e quebra dos fármacos em nosso organismo, ponto que vamos analisar ali na frente, quando falarmos sobre as enzimas hepáticas AST E ALT.

 

Mas, para continuarmos, vamos fazer uma experiência bioquímica bem simples?

Vamos colocar uma batata em água oxigenada?

Agora vamos sair um pouco da teoria.

Imagine três copos.

No primeiro, colocamos pedaços de batata crua.

No segundo, pedaços de batata cozida.

No terceiro, apenas água.

Depois adicionamos água oxigenada aos três.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Seu cansaço não está passando? Mesmo depois de dormir?

Bom dia, pessoal!

Sabe aquela sensação de acordar cansado, mesmo depois de uma noite boa de sono?

Já acordou cansado? Ou melhor, mentalmente cansado?

Tipo aqueles dias em que, nas primeiras horas da manhã, você mal consegue organizar os pensamentos, o cérebro parece esgotado...

E ele está, coitado. 

E advinha quem está por trás desse cenário? 

O Estresse.

Estresse que vai se acumulando dia após dia, na correria da rotina, dos boletos, dos BOs surpresas que sempre aparecem, da alimentação atrapalhada e que mais judia que ajuda o corpo, das noites de sonos mal dormidas...

E, normalmente, o que fazemos?

Nada.

Consideramos normal, que faz parte da vida, e esquecemos que o estresse que se acumula precisa ser gasto, precisamos de válvulas de escape para que o cérebro se reinvente, descanse mesmo sem dormir, tire o foco do lado mais puxado e tenha momentos para ser ele mesmo, praticando o ócio criativo.

 


É uma reclamação comum, que com frequência aparece nas salas de aula, na roda de conversa com amigos, em alguns (poucos) ambientes que frequento na minha rotina. 

E tem aparecido com cada vez mais frequência.

Imagina um cenário maravilho, onde tiramos o estresse acumulado da sua vida e rotina. Sobrando só sua versão que faz as coisas, mas lida bem com tudo, não acumulando estresse.

Nesse cenário, seu sono está bem regulado, tanto em horas quanto em qualidade. Aqui, dentre os papéis essenciais do sono, gostaria de focar em alguns específicos:

 

- Descanso e limpeza do cérebro! Durante as fases mais profundas do sono e na fase do sono REM, o cérebro se reorganiza, se limpa, se prepara para o novo ciclo que começa ao despertar. Isso é essencial para manutenção da nossa saúde mental, para construção de memórias, para um maior nível de atenção e cognitivo, é o cérebro poder funcionar com seu potencial máximo.

- Além dessas alterações, o sono ainda diminui  o cortisol corporal, libera hormônios como o do crescimento (GH), diminui o tônus simpático (responsável pelo estado de alerta do nosso corpo e mente), dentre várias funções biológicos que auxiliam na nossa saúde física e mental.

 

Quando estamos sobre uma grande carga de estresse ou sobre os drásticos efeitos do estresse patológico crônico, acontecem algumas mudanças no nosso organismo que vão dificultando cada vez mais a qualidade do sono, minando a qualidade do descanso através dos altos níveis de cortisol e outras alterações neurobiológicas.

Para que vocês entendem de uma forma mais simples, estresse acumulado tende a aumentar a concentração do hormônio cortisol, pois o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal está constantemente ativo. 

Dentre os efeitos conhecidos de um aumento crônico do cortisol, temos uma diminuição da força do sistema imune, tornando nosso corpo mais fraco e mais apto a ficar doente, disfunções cognitivas, declínio na formação de memórias e do aprendizado... 

E boa parte, se não tudo, conversa com os efeitos do estresse sobre o nosso sono, e porque o coitado do cérebro não consegue descansar, mesmo que você durma oito horas todas as noites.

Estresse alto, cortisol alto, sistema nervoso simpático (aquele da resposta de Luta ou Fuga) hiperativo. 

De dia, tudo isso vai afetar bastante sua rotina, seu humor, mas a noite meu amigo, os efeitos acabam custando mais caro, e muitas vezes de uma forma bem sutil.

Primeiro, existe um aumento do cortisol noturno, uma vez que, nessa fase de grande carga de estresse, o parassimpático não consegue tomar as rédeas nem mesmo durante a noite, e o simpático e toda a tensão que ele trás, continuam ativos durante seu sono. Assim, aumenta o gasto energético do corpo e do cérebro durante a noite. e tem mais, o cérebro ainda não consegue fazer a limpeza adequada, prejudicando a consolidação de memórias.

Se não bastasse, pesquisas mostram que essa "limpeza", basicamente uma faxina que acontece durante o sono, limpa do nosso cérebro a famosa beta-amiloide, que quando acumulada da início à inflamação e morte neuronal associadas à doença de Alzheimer. Tem pesquisas, inclusive, que mostram que uma noite mal dormida já aumentaria a probabilidade de desenvolver a doença, ou seja, ferrou, rs.

Ou seja, mesmo dormindo, o cérebro não consegue recarregar suas baterias. 

Além de essa combinação aumentar os episódios de despertar ao longo da noite, mesmo que seja micro, sem que a gente nem perceba, todas essas alterações em conjunto aumentam a inflamação ao longo de todo o nosso corpo. Algo como uma inflamação basal, pequena, porém corrosiva no longo prazo.

Juntando tudo isso, seu corpo pode até ter a sensação de estar descansado, mas seu cérebro não. Você fica esgotado nas primeiras horas do dia, atenção prejudicada, formação de memórias prejudicada, humor desequilibrado... 

Não adianta, precisamos enxergar o estresse acumulado como um formador de caos na nossa biologia, principalmente na neurobiologia. Por isso, encontrar válvulas de escape para o estresse: exercício físico que você se apaixone, pessoas ou locais que te fazem bem, atividades que geram prazer... é extremamente necessário em nossa rotina atual.

Até porque, se assim como eu, você não for herdeiro ou tenha alguém para te bancar, os níveis de estresse por conta dos BOs diários e da vida continuarão sendo altos, então, não adianta visualizarmos um mundo de plenitude e paz, mas sim encontrar formas para que o caos do dia a dia, não torne o nosso corpo e, consequentemente, a nossa mente, em um caos também.

Tenham momentos ou pratiquem atividades, coisas que você gosta, que dá aquela sensação de abraço mental, que faz bem para o corpo e para a saúde mental.

E antes de finalizarmos essa reflexão, é com o maior prazer que anuncio a parceria entre o Plantando Ciência e o Centro Universitário de Jaguariúna, a UNIFAJ.



segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Fisiologia da Contração Muscular 2

Bom dia, pessoal!

Semana passada conversamos sobre a contração muscular na aula de Fisiologia Humana.

Hoje, continuamos e encerramos o assunto, com a segunda parte da contração, uma parte que acontece depois da placa motora, ou seja, depois que o impulso nervoso que caminhou desde a medula espinhal até o músculo que vamos movimentar através dos nervos espinhais, saiu pela sinapse química através da acetilcolina e ativou o músculo estriado esquelético.

Mantendo a qualidade dos desenhos feitos ao vivo em sala de aula, na lousa, fiz um desenho para vocês lembrarem dessa primeira parte:

Desde o movimento ser construído em conjunto pelo cerebelo e pelo córtex motor, até o impulso nervoso caminhar no sistema nervoso periférico e conseguir acionar o músculo que queremos movimentar, muita coisa acontece. Mas muita coisa bem simples de entender, numa sequência lógica que construímos juntos em sala de aula.

Agora, quando o músculo ativa e começa realmente a parte fisiológica da contração muscular, cujos principais atores serão o retículo sarcoplasmático, o cálcio, a troponina, a actina, a miosina e claro, o ATP.

Vamos elaborar juntos um passo a passo para que tudo isso fique mais claro, mas recomendo, antes de tudo, estudarem esse material aqui:

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/04/contracao-do-musculo-esqueletico.html

Bons estudos meu povo!

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A água, o pH e o equilíbrio que você nunca percebeu que existia

Bom dia, pessoal!

Na nossa terceira aula de bioquímica básica vamos falar sobre água e toda sua relação com o funcionamento do nosso organismo, e como isso conversa com os dois próximos temas, pH e sistema tempão.

Vocês devem ter bebido água hoje, né?

Talvez um copo assim que acordaram, ou junto com o café da manhã.

Um gesto tão automático que ninguém para pra pensar nele.

Mas, se a gente for parar pra realmente entender o que está acontecendo, a água é, provavelmente, a molécula mais subestimada de todo o nosso organismo.

Cerca de 75% de você é água.

E não estou falando de "água parada", tipo um copo em cima da mesa. Estou falando de uma molécula extremamente ativa, que participa, literalmente, de todos os processos biológicos que discutimos até aqui na disciplina. Sem ela, nenhuma reação bioquímica acontece.

Mas vamos entender isso com mais detalhes, água e bioquímica são as bases da nossa biologia.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Papo de Consultório 3 - Transferência - Você está reagindo a mim ou a alguém do seu passado?

Olá, pessoal!

Bom dia.

Nos dois últimos #Papo de Consultório, falamos sobre dois conceitos muito trabalhados dentro da psicanálise: Sombra de Jung e projeção (Freud e Jung), que conectamos da seguinte forma: o que você não aceita em si (sombras) pode ser projetado no outro, gerando conflito, e outras questões importantes que podem atrapalhar relações.

Hoje, vamos falar de é um conceito extremamente famoso da psicanálise, mas que pode ser explicado de uma maneira muito contemporânea, a transferência.

Freud percebeu algo fundamental no consultório: o paciente não chega diante do terapeuta como se estivesse diante de uma pessoa completamente nova e neutra.

E, talvez, isso sirva para todas as nossas relações: amorosas, familiares, amizades, colegas de trabalho. Nós não começamos um contato com uma pessoa nova do zero, nós trazemos nossos medos, inseguranças, julgamentos, expectativas.

Nós colocamos, nessa nova relação, formas de vínculos que aprendemos e os modelos construídos ao longo da vida.

E isso cria uma pergunta maravilhosa:

Quando alguém reage exageradamente a uma pessoa, será que está reagindo apenas ao que aquela pessoa fez?

No Papo 2, nós vimos que:

Na projeção: "Existe algo meu que eu coloco em você."

Na transferência: "Existe algo que eu vivi antes e que passo a experimentar novamente na relação atual."

É uma diferença sutil, mas muito poderosa.

E que deve ser explorada em análise.

Olhando com o olhar da neurociência: o cérebro não começa cada relacionamento do zero.

Nós construímos modelos internos a partir das experiências anteriores. Experiências repetidas de cuidado, rejeição, abandono, crítica, imprevisibilidade, acolhimento, dentre outras, ajudam a formar expectativas sobre como os outros provavelmente irão se comportar.

Quando uma situação atual possui alguma semelhança com experiências anteriores, esses modelos podem influenciar a interpretação do presente.

E aqui entra conceitos da neurociência moderna, como a Memória Emocional.

Olhe para a memória emocional da seguinte maneira: nosso cérebro entende que as experiências que nos fazem sentir mais coisas, sejam boas ou ruins, devem ser registradas com mais detalhes. Tudo que marca nos relacionamentos anteriores tende a ser registrado e, no novo relacionamento, essas memórias podem ser resgatadas e gerar grande influência por conta de gatilhos.

Um perfume parecido, um comportamento semelhante, um hábito, uma música, qualquer coisa que marcou naquela época, tende a voltar. Seja bom ou ruim. Seja em um relacionamento amoroso ou não.

Essas memórias conversam com a Aprendizagem associativa, aquelas repetições de padrões e situações que vão condicionando nosso cérebro e influenciando nossas decisões ao longo da vida.

Cuidado, não estou dizendo que a neurociência "provou a transferência freudiana".

A neurociência não confirma literalmente a teoria freudiana da transferência, mas oferece mecanismos plausíveis para entendermos por que experiências passadas influenciam a maneira como interpretamos e reagimos às relações presentes. Vai falar que não achou que as duas conversam muito bem?

Mas vamos imaginar essa transferência acontecendo em um consultório, com um paciente:

“Imagine uma paciente fictícia, Marina.

Ela chega dizendo:

— Doutor, acho que você está ficando decepcionado comigo.

Você pergunta:

— O que fez você pensar isso?

Ela responde:

— Você ficou em silêncio quando eu terminei de falar.

Você explica que estava apenas pensando no que ela havia contado. Mas aquilo não parece suficiente para ela.

Nas sessões seguintes, qualquer pequena mudança na sua expressão, um atraso, uma pergunta mais direta ou até uma discordância começa a ser interpretada como:

"Você está bravo comigo."

"Você está cansado de me ouvir."

"Você acha que eu sou incompetente."

Até que, em determinado momento, aparece uma lembrança:

O pai de Marina era extremamente crítico.

Quando ela contava alguma coisa, ele frequentemente respondia com silêncio, expressão fechada ou frases como:

"Você nunca faz nada direito."

E aí aparece a pergunta:

Marina estava realmente enxergando o terapeuta?
Ou estava enxergando o terapeuta através da história que viveu com o pai?

Pesado, não? Mas um excelente ponto de reflexão e análise.

Vale dizer que a transferência não acontece apenas no consultório.

Por exemplo: A pessoa que recebe uma mensagem curta do namorado: "Precisamos conversar." E imediatamente pensa: "Ele vai terminar comigo."

Talvez o namorado simplesmente queira conversar. Mas o cérebro não recebe apenas aquelas palavras. Ele lembra de experiências anteriores, vídeos sobre relacionamentos, tudo que tiver armazenado e parecer relevante, tende a aparecer (mesmo que falhe algumas vezes, é um mecanismo de proteção psicológico).

E constrói uma interpretação.

Mas, apesar do exemplo didático, não custa você ser mais didático e claro nas mensagens, principalmente se souber que a pessoa que receberá a mensagem sofre com ansiedade, que isso possa servir como um gatilho para piorar o dia da pessoa. Se souber disso, não faça, pois você só está sendo cretino.

Quando o presente toca em uma memória emocional, a transferência pode acontecer – proteção, modo de operação, visões que foram construídas ao longo do tempo, com as experiências da vida.

E o cérebro começa a preparar a resposta antes mesmo de termos certeza do que está acontecendo.

Às vezes, não reagimos à pessoa que está diante de nós. Reagimos à história que o nosso cérebro aprendeu a contar quando encontra alguém parecido com ela.

Não adianta, terapia é vida. E só o autoconhecimento nos ajuda a lidar com nossas mazelas psicológicas e conseguirmos aproveitar a vida e nossas relações de uma forma mais intensa e prazerosa.

Boas reflexões!

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A máquina do tempo cerebral

Olá, pessoal!

Boa tarde.

Ontem, escrevi sobre ócio criativo, aquele momento onde o cérebro está livre para viajar na maionese, funcionando basicamente como uma máquina do tempo, 

Quando não focamos em nada específico, damos uma desacelerada e o cérebro não, porém, ele consegue mudar o foco.

Sem entradas sensoriais, o cérebro pode explorar as funções mágicas de duas áreas sensacionais, o córtex pré-frontal e o hipocampo.

Isso se traduz, basicamente, em um cérebro criando a partir das memórias e conhecimentos prévios. Imaginando, inventando, encontrados soluções... o cérebro sendo ele mesmo, excelente para nossa saúde mental.

Para entender melhor, uma leitura:

https://plantandociencia.blogspot.com/2026/08/voce-pratica-o-ocio-criativo.html

Mas esse post é para o vídeo, que gravei hoje:



Boas reflexões!


terça-feira, 18 de agosto de 2026

Você pratica o ócio criativo?

Olá pessoal, boa tarde.

Já ouviu falar do ócio criativo? Tipo aquela lampadazinha que aparecia nos desenhos, quando algum personagem tinha uma idéia genial!

E gostaria de começar com uma frase impactante:

As vezes, para encontrar uma resposta, o cérebro precisa parar de procurá-la.



Como se ao pensar menos, ele se divertisse e criasse mais.

Uma das expressões que mais gosto, a respeito do assunto, é do Livro: Neurociências: descobrindo o sistema nervoso - do Beer. 

Quando discute sobre o assunto, falando sobre a Rede Neural de Modo Padrão (RNMP), ele compara o cérebro curtindo o ócio criativo a uma máquina do tempo, que utiliza as memórias e os conhecimentos do passado para imaginar cenários futuros, fantasiar, curtir. 

Algo como o cérebro sendo ele mesmo.

Mas vamos relacionar tudo isso? Assim conseguimos entender a neurociência por trás do ócio criativo, e porque ter momentos de não focar em nada, ao longo do seu dia, vai melhorar drasticamente sua imaginação, criatividade, atenção e não menos importante, sua produtividade.

Primeiro, quando você não está focado em nada, tipo aqueles momentos que estamos "viajando na maionese", como balançando numa rede. 

E sim, mexer no celular é estar focado em alguma coisa, eai seu cérebro não vai poder se divertir. 

Quando não focamos nenhum dos nossos cinco sentidos em uma atividade, duas regiões do nosso cérebro começam a trabalhar em conjunto: o córtex pré-frontal e o hipocampo, assim começa toda a mágica do processo. 

O hipocampo, trabalhando como porta de entrada, ou, mais didaticamente, como quem abre a gavetinha que ficam guardadas as memórias, fornecendo combustível preciosíssimo para o córtex pré-frontal criar cenários futuros, criar novas memórias de memórias, encontrar a resposta daquele problema que você tanto buscava. 

Na neurociência, isso se chama Rede Neural de Modo Padrão, um momento de viagem particular do nosso cérebro, curtindo suas magníficas habilidades para simplesmente imaginar e criar. 

Por isso, podemos chamar de Ócio, pelo relaxamento que tudo isso causa, basicamente um descanso para o cérebro e para o corpo, e criativo, porque livre para criar nosso cérebro não encontra barreiras, podendo usar e abusar de todo seu potencial.

Só vantagens!

Vamos de mais uma frase de impacto?

Quando você para, seu cérebro continua - o ócio criativo funciona como uma máquina do tempo cerebral.

Deixar a rede neural de modo padrão assumir o controle em determinados momentos é basicamente viajar mentalmente, ir para outros lugares, lembrar, imaginar, associar, se autoconhecer.

Enquanto tudo isso acontece, sua bateria cerebral recarrega rapidamente, e você volta a trabalhar com mais foco, produzindo mais. 

Não atoa, uma das técnicas mais conhecidas de estudo eficiente é a de Pomodoro. Que intercala 20-25 minutos de estudo focado com 5-10 minutos para um cafezinho, para o cérebro associar as informações do estudo e guardar melhor (pode usar o celular, mas só um pouquinho, viaje um pouco nos próximos minutos do intervalo). Assim, você carrega sua bateria de atenção e volta para mais 20-25 minutos de aprendizado de qualidade.

Lembre-se, suas memórias são seus conhecimentos, contam a sua história, mas também servem como um arsenal de informações a serem consultadas e misturadas para criar! Criar respostas, criar soluções, criar ideias que podem render muita grana, ou só viajar e aproveitar nossa maravilhosa cognição.

E olha que difícil, é só passar alguns minutos sem fazer nada, propositalmente. 

Novamente, zero desvantagens!

Como já escrevi aqui algumas vezes, caminhar e pensar funciona muito bem para organizar meus pensamentos, melhorar minha ansiedade, e facilitar minha volta ao trabalho em dias não tão produtivos. 

A ideia de fazer um exercício e ainda melhorar minha cognição me atrai bastante, acredito que faça sentido para muitos de vocês também.

Aliás, qualquer esporte vale, viu?

Academia e pedal, já testei muitas vezes e funcionam absurdamente bem também. Encontre o seu movimento, o seu esporte, e permita que seu cérebro te surpreenda com o que ele pode fazer quando se diverte.

Uma figura para resumirmos tudo isso:



Bons momentos de ócio criativo!

Até a próxima.

domingo, 16 de agosto de 2026

Fisiologia da contração muscular

Olá pessoal, boa noite.

Seguindo nossa disciplina de Fisiologia Humana, hoje vamos falar um pouco sobre contração muscular, um dos assuntos mais interessantes da Fisiologia Básica.


Nossa jornada começa com uma discussão sobre o papel do cérebro e, principalmente, do cerebelo, no processo de construção do movimento voluntário. Ambos trabalham em conjunto para montar o tipo de um mapa para nosso corpo, decidindo quem contrai, quem relaxa, e como esse movimento vai sendo regulado durante a execução. 

É fantástico, pois juntos, cérebro e cerebelo montam um mapa, e depois, durante a execução, o cerebelo toma conta do processo de regulação do movimento, analisando se tudo está acontecendo da forma correta, para que a execução seja perfeita.

Tudo isso para que o impulso nervoso chegue até o músculo, função esta que é do neurônio motor, conhecido como motoneurônio, que tem seu corpo celular lá na medula espinhal e sua fibra nervosa chega até os músculos esqueléticos através dos nervos espinhais. 

Chegando no local onde neurônio encontra músculo, região que recebe o nome de Placa Motora, o neurônio libera o neurotransmissor Acetilcolina (ACh) que, ao se ligar nos receptores musculares, começam todo o processo da verdadeira contração muscular.

Aqui acontece a real fisiologia da contração, que tem o start com a entrada de cálcio, nutriente que tem papel essencial no processo de contração.

Alguns materiais que valem a pena explorar para entender mais sobre o assunto:

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/04/juncao-neuromuscular.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/04/contracao-do-musculo-esqueletico.html

https://plantandociencia.blogspot.com/2021/04/atividade-fisiologia-contracao-muscular.html


Comecem por aqui, logo libero um material resumo com todas as etapas que abordaremos na sala de aula.

Bons estudos, aqui tem vários pontos que podem e, provavelmente vão, cair na prova.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Prazer, Bioquímica Básica

Bom dia, pessoal!

Hoje começamos aqui no blog a disciplina de Bioquímica Básica, conteúdo novo por aqui!

A anatomia humana te deu as bases de como é construído e quais os componentes do maravilhoso corpo humano. A fisiologia te mostrou como os sistemas e os órgãos funcionam. Agora, na Bioquímica, nós vamos um pouco mais fundo, entendendo tudo isso olhando na base de todos os processos, o interior da célula humana.

Vamos começar com alguns exemplos para que voce consiga entender a beleza da Bioquímica, sem sofrer logo de cara.



Essa imagem será a capa da nossa disciplina, um infográfico que resume basicamente tudo que estudaremos ao longo do semestre. 

Mas vamos começar com uma coisa que provavelmente todos fizeram hoje, tomar café da manhã.

Pensando que voce está de jejum a algumas horas, desde que dormiu na noite anterior, quando os carboidratos do pão são absorvidos, começam a ser quebrados em glicose, um dos principais combustíveis do nosso corpo.

Quando o corpo detecta os carboidratos e a glicose, avisa para o pancreas que está na hora de produzir insulina, que vai abrir os transportadores nas células musculares e hepáticas, fazendo com que a glicose consiga entrar em nossas células.

E essa é só a primeira parte do processo, a mágica acontece dentro da célula, quando glicose e o oxigenio são utilizados pela mitocondria para formar ATP, a molécula que as células realmente utilizam para gerar energia. 

Olha que caminho fantástico esse pãozinho fez: ativou boas sensações e uma explosão de sabor quando mexeu com as papilas gustativas e mandou um monte de informação para seu cérebro processar e apreciar. Desceu pelo esofago, enfrentou o ácido estomacal e seguiu para o intestino, onde começa a ser absorvido. Passa pelo fígado, cai na circulação sanguínea e com a ajuda da insulina adentra para ser utilizado nas células.

Já tinha enxergado  o pãozinho dessa forma? rs.

Outro exemplo sensacional é o ato de sentir fome, mas falo da fome fisiológica, quando seu corpo precisa de nutrientes.

Quando começa a baixar a glicose da nossa circulação sanguínea, sinais são enviados para o hipotálamo, uma região espetacular do nosso cérebro que controla nossa sensação de fome e de saciedade.

Quando ativa, o hipotálamo nos faz sentir fome e, consequentemente, buscar alimentos. Quando buscamos o alimento, caímos num processo muito parecido ao que acabamos de discutir para o pãozinho do café da manhã.

Mas, antes de chegarmos ao pãozinho, a queda da glicose mostra para o pancreas que ele precisa liberar o glucagon, hormonio que faz com que o glicogenio (nosso estoque de glicose), principalmente os do fígado, comecem a se quebrar e liberar glicose na circulação sanguínea.

Não é porque voce não está mandando nutrientes que ele não gasta energia. Pelo contrário, nosso corpo consome muita energia ao longo de 24 horas. E como antigamente os nutrientes dependiam de caçar um animal, nosso corpo entendeu que estocar combustível seria uma estratégia inteligente para a sobrevivencia.

Olha que sensacional: glicose diminuir, pancreas produz glucagon, glucagon quebra glicogenio que libera glicose no sangue - corpo continua funcionando normalmente. 

Ao mesmo tempo, tudo isso faz voce sentir fome e buscar alimento. 

Comeu? Pancreas para de liberar glucagon e começa a liberar a insulina. A insulina, além de facilitar a entrada de glicose nas células, ainda sinaliza para o fígado utilizar a glicose dessa refeição para construir mais glicogenio e deixar de reserva. 

Um espetáculo do nosso organismo, não?

Por trás de tudo isso, aliás, dentro de tudo isso, lá no interior das células, é onde a bioquímica explica esses processos que discutimos acima e todos os outros, ela basicamente nos ensina como nossas células funcionam e trabalham para sustentar todos os órgãos e sistemas do nosso organismo.

Vamos juntos nessa jornada! 


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Placebo funciona?

Olá pessoal, boa tarde.

Hoje vamos fazer uma reflexão dentro da Farmacologia: Uso de placebos e eficácia.

Vamos começar com uma frase essa reflexão:

"Quanto da melhora observada pode ser atribuída ao medicamento, além do que aconteceria sem o princípio ativo?"

E aqui gostaria de lembrar um ponto importante: placebo não é sinônimo de "não fazer nada".

Mas como não, Bruno?
Se ele não tem princípio ativo.

Porque a resposta observada no grupo placebo pode envolver expectativa, condicionamento, contato com o profissional, evolução natural da doença e outros componentes. Ou seja, pode ter efeito sim (obviamente, não para todos os casos e patologias).

O estudo clínico, que a empresa farmacêutica precisa realizar antes de ter as devidas autorizações para vender seu medicamento em drogarias tenta justamente separar esses efeitos do efeito específico do fármaco.

E podemos confiar nos resultados disponibilizados pela própria empresa do fármaco? Sim, mas embasamento científico externo e, de preferência, de anos de duração, mitigam quaisquer riscos desnecessários relacionados a apenas acreditar. Diria que seguindo uma regrinha básica, conseguimos resultados cientificamente mais atraentes para essa análise:

Estudo da indústria ≠ estudo inválido. Porém, estudo da indústria também não deve ser nossa única fonte de evidência. O ideal seria cruzar: estudos clínicos originais + revisões sistemáticas/meta-análises + documentos regulatórios + bula.

Para medicamentos antigos, como paracetamol e loratadina, isso é particularmente importante, porque os estudos que estabeleceram sua eficácia ocorreram décadas atrás. E muita coisa mudou desde então na indústria farmacêutica e em nossos conhecimentos a respeito dessas substâncias e a interação com o organismo humano.

Para rastrear a história regulatória, o FDA disponibiliza bases como o Orange Book e o repositório de informações de medicamentos aprovados. Para os mais curioso, vale a pena dar uma olhada.

Mas, vamos ver como medicamentos clássicos, que fazem parte do nosso dia a dia, se saíram contra os placebos?

Uma figura que pode resumir nossa discussão: