sábado, 31 de janeiro de 2026

Um golinho de psicanálise

Boa tarde, pessoal!

Dentro da psicanálise, existe uma definição que todos nós conhecemos: ID, EGO e SUPEREGO. 

Confesso que já escutei inúmeras vezes os alunos da psicologia falando, inclusive encaixando as definições dentro das minhas explicação na aula de neuro ou psicofisiologia, e muitas vezes eu boiava completamente!

Explorando o curso de psicanálise consegui distinguir melhor e associar às minhas coisas, aos meus comportamentos, manias. Confesso que estudar psicanálise, em muitos pontos, tem sido uma auto terapia. Lembrem-se, terapia é igual a autoconhecimento, e autoconhecimento é vida, porque liberta!

Mas vamos ao vídeo, depois escrevo um texto digno para que todos consigam parar de boiar quando escutam essas 3 definições, assim como eu fiz por muito tempo.


Associem com suas coisas, fará toda a diferença!

Bons estudos e boa auto análise.


Neuroplasticidade

Bom dia, pessoal!

Fechando a série de vídeos que valem a pena ver (ou rever, para meus alunos e para aqueles que já são da casa), esse último vídeo da série fala sobre Neuroplasticidade, talvez a característica mais fantástica do nosso cérebro.

Por muito tempo, acreditou-se que o cérebro era imutável. Que amadurecia até determinando ponto, e perdia, inclusive, a capacidade de aprender. Porém, as descobertas foram mostrando que não era nada disso, até porque, se fosse assim, um trauma jamais seria superado, hábitos jamais poderiam ser mudados, lesões jamais seriam recuperadas, como um AVC, por exemplo.

Chamamos de neuroplasticidade porque é basicamente isso, o cérebro é plastico, e não que seja de plástico, mas no sentido de que vai se moldando de acordo com o que vamos fornecendo para ele. Como o clássico exemplo que uso em sala de aula: se só oferecermos merda, ele vai se desenvolver como merda, cognitivo prejudicado, fala pobre, pensamentos de baixa qualidade... Se oferecemos bons conteúdos, ele vai se desenvolver como um cérebro mais atento, mais criativo, mais capaz de formar memórias de longo prazo. Ou seja, a responsabilidade é nossa. 

Livros são o carro chefe para esse desenvolvimento de qualidade, abuse deles.

Mas chega de Bruno, segue o vídeo:


Resumindo:

- hábitos e comportamentos podem ser mudados, mesmo que não seja fácil

- Você consegue melhorar e bastante suas funções cognitivas, exercício aeróbico e meditação, por exemplo, auxiliam drasticamente na atenção. Mais atenção, mais memória, simples!

Use e abuse do seu cérebro, os frutos serão excelentes!



quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Depressão, como é conviver com ela?

Bom dia, pessoal.

Assim como os vídeos de ontem, mostrando que nem só de genética se constrói a doença de Alzheimer, esse vídeo que trago hoje também utilizo em aulas com a Psicologia.

Esse vídeo tem como título Black Dog, onde o autor faz uma analogia do que sente vivendo com depressão, como se fosse um cachorro preto enorme, que o acompanha e influencia em todas as suas atividades diárias.

Parece bobo, mas o vídeo deixa claro uma coisa que ainda permeia e confunde a cabeça de muita gente, a de que depressão significa tristeza, uma pessoa deprimida. Hoje, após anos estudando o assunto e interagindo com milhares de alunos, uma coisa me parece bem clara: a depressão parece mais a falta de sentir algo, do que o sentir tristeza demais.

Mas, tirem suas próprias conclusões e fiquem a vontade para discutir o que pensam nos comentários, será um prazer conversar com vocês a respeito.


Bons estudos e reflexões, pessoal!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Alzheimer, boas reflexões

Boa noite, pessoal.

Quem está aqui a mais tempo, ou teve aula comigo, com certeza viu esse Ted talks da Lisa Genova, escritora do livro que virou filme, Para Sempre Alice.

Para quem não conheço, o livro é sobre uma mulher que desenvolveu o Alzheimer muito nova, se não me engano na casa dos 30 e poucos anos. Raro, mas dependendo da genética, pode sim acontecer.

Porém, assim como no vídeo que já postei aqui e estará em primeiro, aqui em baixo, conseguimos entender com as descobertas atuais da ciência que, na maioria das vezes, a genética não é o fator chave para o desenvolvimento da doença. Diria que, é mais ambiental (hábitos e estilo de vida), do que genético. 

Ou seja, seguindo as dicas da neurocientista dos vídeos. existe uma chance interessante de você evitar o desenvolvimento da doença ou, pelo menos, postergar para o mais tarde possível, tendo uma vida mais longa e repleta de qualidade e independência, mesmo na terceira idade.

Qualidade de sono, qualidade cardiovascular (exercício aeróbico e alimentação), leitura ou obter conhecimento ao longo da vida (e sim, por ser o tema ou temas que te interessar, não precisar ser neurociência, rs). Muitas informações extremamente úteis podem ser tiradas desses dois vídeos, então assista com atenção!


Esse acima é o clássico, que utilizo em sala de aula quando trabalho a comunicação nervosa, as sinapses.

Esse segundo descobri hoje, mas segue a mesma linha e é mais atual:


Utilizem para refletir sobre os hábitos que fazem parte da rotina diária de vocês, pois, como mostram os vídeos, pequenos ajustes podem fazer uma diferença gigantesca daqui algumas décadas.

Bons estudos!

sábado, 24 de janeiro de 2026

Breve discussão sobre sinapses químicas e suas funções

Boa tarde, pessoal.

Nessa aula de hoje, em uma parceria inédita entre professor Bruno Damião, Plantando Ciência e a inovadora UniFECAF, vamos falar um pouco sobre uma das coisas mais interessantes que acontecem no nosso sistema nervoso, cumprindo funções das mais simples, até as mais fantásticas. Permitindo, inclusive, que você consiga ler esse material agora!!!

E sim, o assunto de hoje é a forma como os neurônios se comunicam em nosso sistema nervoso, seja entre neurônio no nosso cérebro, cumprindo funções como nossa capacidade de manter atenção, a formação, armazenamento e resgate (evocação) de nossas memórias, como também no sistema nervoso periférico, como quando ativam seus músculos da mão quando você decide movimentar a tela para baixo para aprender mais com esse texto. Aha, outra função básica feita pelas sinapses, é o controle do funcionamento dos nossos órgãos pelo sistema nervoso central.

Sabia que é nas sinapses que a toxina botulínica (como a famosa marca botox), age para sumir com aquelas ruguinhas (marcas) feitas pela expressão facial? vamos ver isso com mais detalhes, mas essa toxina literalmente paralisa nossos músculos, assim cumprindo seu papel, estético ou médico (existem aplicações fantásticas).

Mas, acho mais fácil vocês montarem uma ideia sobre a sinapse química com o seguinte GIF, em movimento fica mais didático:



A famosa sinapse química, que é essa apresentada no GIF, é a forma como os neurônios se comunicam uns com os outros, ou com glândulas e músculos. É esse tipo de sinapse que utiliza os neurotransmissores, dos quais, com certeza, você conhece a Serotonina, a Dopamina, dentre muitos outros que atuam diariamente no seu cérebro.

Para entender mais afundo como acontece a sinapse química, conhecimento indispensável para a disciplina de Fisiologia Humana, deixo o link a seguir:

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/03/sinapses-quimicas.html

Sabe uma parte bem legal de estudar e entender a sinapse química, é que todas as substâncias que de alguma forma mexem com o funcionamento do seu cérebro, como o cafézinho ou o energético que te deixa acordado, como o açúcar que acaba viciando nosso paladar e cérebro sem nem percebermos, como o álcool que diminui a atividade do seu sistema nervoso, causando aquela sensação de relaxamento. O mesmo serve para os psicofármacos, como os ansiolíticos que cresceram absurdamente em vendas nos últimos anos (alias, desde 2017, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a ONU), assim como também é o local de ação das drogas ilícitas.

Ou seja, tudo que de alguma forma altera sua percepção e o funcionamento do seu cérebro, está agindo a nível de sinapse química, alterando para mais ou para menos a liberação de determinados neurotransmissores, como a cocaína faz ao aumentar drasticamente a liberação de dopamina, causando seus efeitos característicos e justificando o estado depressivo e letárgico que um usuário fica no dia após o uso.

Mas, para essa introdução em sinapses era só.

Deixo o link de um material que escrevi ontem, contando como o estresse, principalmente aquele acumulado, considerado crônico, afeta nossa biologia e neurobiologia, prejudicando, inclusive, a rotina de sono.

https://plantandociencia.blogspot.com/2019/03/sinapses-quimicas.html

Bons estudos pessoal!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Meu cansaço mental não passa, o que fazer?

Bom dia, pessoal!

Já acordou cansado?
Ou melhor, mentalmente cansado?
Tipo aqueles dias onde, nas primeiras horas da manhã, você mal consegue organizar os pensamentos, o cérebro parece esgotado...

E ele está, coitado. 
E advinha quem está por trás desse cenário? 
Sim, o Estresse.


É uma reclamação comum, que com frequência aparece nas salas de aula, na roda de conversa com amigos, em alguns (poucos) ambientes que frequento na minha rotina. 

Mas, dessa vez, quem me trouxe essa questão foi meu querido amigo Leandro Lopes, professor, reitor, um ser humano de um coração enorme, que agora trás reflexões desse tipo no seu podcast Vozes e Silêncio. 

Vamos tirar o estresse da sua rotina, sobrando só sua versão que faz as coisas, mas lida bem com tudo, não acumulando estresse. Nesse cenário, seu sono está bem regulado, tanto em horas quanto em qualidade. Aqui, dentre os papéis essenciais do sono, gostaria de focar em alguns específicos:

- Descanso e limpeza do cérebro! Durante as fases mais profundas do sono e na fase do sono REM, o cérebro se reorganiza, se limpa, se prepara para o novo ciclo que começa ao despertar. Isso é essencial para manutenção da nossa saúde mental, para construção de memórias, para um maior nível de atenção e cognitivo, é o cérebro poder funcionar com seu potencial máximo.

- Além dessas alterações, o sono ainda diminui  o cortisol corporal, libera hormônios como o do crescimento (GH), diminui o tônus simpático (responsável pelo estado de alerta do nosso corpo e mente), dentre várias funções biológicos que auxiliam na nossa saúde física e mental.

Quando estamos sobre uma grande carga de estresse ou sobre os drásticos efeitos do estresse patológico crônico, acontecem algumas mudanças no nosso organismo que vão dificultando cada vez mais a qualidade do sono, minando a qualidade do descanso através dos altos níveis de cortisol e outras alterações neurobiológicas.

Para que vocês entendem de uma forma mais simples, estresse acumulado tende a aumentar a concentração do hormônio cortisol, pois o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal está constantemente ativo. 

Dentre os efeitos conhecidos de um aumento crônico do cortisol, temos uma diminuição da força do sistema imune, tornando nosso corpo mais fraco e mais apto a ficar doente, disfunções cognitivas, declínio na formação de memórias e do aprendizado... 

E boa parte, se não tudo, conversa com os efeitos do estresse sobre o  nosso sono, e porque o coitado do cérebro não consegue descansar, mesmo que você durma oito horas todas as noites.

Estresse alto, cortisol alto, sistema nervoso simpático (aquele da resposta de Luta ou Fuga) hiperativo. 

De dia, tudo isso vai afetar bastante sua rotina, seu humor, mas a noite meu amigo, os efeitos acabam custando mais caro, e muitas vezes de uma forma bem sutil.

Primeiro, existe um aumento do cortisol noturno, uma vez que, nessa fase de grande carga de estresse, o parassimpático não consegue tomar as rédeas nem mesmo durante a noite, e o simpático e toda a tensão que ele trás, continuam ativos durante seu sono. Assim, aumenta o gasto energético do corpo e do cérebro durante a noite. e tem mais, o cérebro ainda não consegue fazer a limpeza adequada, prejudicando a consolidação de memórias.

Se não bastasse, pesquisas mostram que essa "limpeza", basicamente uma faxina que acontece durante o sono, limpa do nosso cérebro a famosa beta-amiloide, que quando acumulada da início à inflamação e morte neuronal associadas à doença de Alzheimer. Tem pesquisas, inclusive, que mostram que uma noite mal dormida já aumentaria a probabilidade de desenvolver a doença, ou seja, ferrou, rs.

Ou seja, mesmo dormindo, o cérebro não consegue recarregar suas baterias. 

Além de essa combinação aumentar os episódios de despertar ao longo da noite, mesmo que seja micro, sem que a gente nem perceba, todas essas alterações em conjunto aumentam a inflamação ao longo de todo o nosso corpo. Algo como uma inflamação basal, pequena, porém corrosiva no longo prazo.

Juntando tudo isso, seu corpo pode até ter a sensação de estar descansado, mas seu cérebro não. Você fica esgotado nas primeiras horas do dia, atenção prejudicada, formação de memórias prejudicada, humor desequilibrado... 

Não adianta, precisamos enxergar o estresse acumulado como um formador de caos na nossa biologia, principalmente na neurobiologia. Por isso, encontrar válvulas de escape para o estresse: exercício físico que você se apaixone, pessoas ou locais que te fazem bem, atividades que geram prazer... é extremamente necessário em nossa rotina atual.

Até porque, se assim como eu, você não for herdeiro ou tenha alguém para te bancar, os níveis de estresse por conta dos BOs diários e da vida continuarão sendo altos, então, não adianta visualizarmos um mundo de plenitude e paz, mas sim encontrar formas para que o caos do dia a dia, não torne o nosso corpo e, consequentemente, a nossa mente, em um caos também.

Bons estudos, meu povo! 

Um adendo importantíssimo.
Lembra que falei do Leandro, amigo que me incentivou a escrever essa matéria? Sigam ele nas redes sociais e acompanhem o podcast, vale a pena demais!



terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Filosofia e Antropologia na Psicanálise

Bom dia, pessoal!

Estudando psicanálise, me deparei com um tema extremamente interessante e sensível: é necessário entender o papel das minhas crenças, das minhas experiências e dos meus próprios traumas, para poder analisar, sem julgamentos ou interferências do Bruno em si, nas reflexões e descobertas do próprio paciente.

O foco da terapia sempre será o paciente, mesmo quando os traumas dele serão parecidos com os meus, mesmo que eu não esteja passando por um período fácil da minha vida, independente de qualquer fator pessoal, o foco é na evolução do paciente. Fantástico, real e extremamente desafiador. Gostei, rs.

Em meio a essas reflexões iniciais, aproveitei para estudar os tópicos de Filosofia e Antropologia, duas das disciplinas que mais podem nos ajudar no processo de autoconhecimento, na reflexão sobre a forma como enxergamos e interagimos com o mundo, na forma de entender como cada pessoa é seu próprio universo e, que sua cultura e crenças variam de acordo com o local onde nasceram, onde vivem atualmente... 

Cada pessoa é um universo, e cada um desses universos humanos enxergam o mundo de formas completamente diferentes, exigindo, para um bom convívio social e construção de uma sociedade mais saudável mentalmente, o conhecimento filosófico e antropológico nos permite enxergar com mais sabedoria e empatia o universo humano, seja individual ou social.

Outro ponto que me chamou muito a atenção e me trouxe reflexões foi o fato de pensadores como Sócrates, Aristóteles e Platão, terem construído idéias e princípios que permeiam a intelectualidade humana até hoje! Teorias e ideias que sobreviveram a mais de 2 mil anos de modificações nas culturas, saberes e sociedades em geral. Qual legado você está construindo? Você tem seguido seus sonhos e eles estão alinhados com melhorias positivas na sociedade em que vivemos? 

Interessante também os focos dados pelas escolas de filosofia ocidentais e orientais, onde, particularmente, me identifico mais com os objetivos de estudo da oriental, dando enfoque mais à natureza da mente, da consciência, e como o autoconhecimento pode colaborar tão diretamente para uma melhor manutenção da saúde mental. 

as reflexões avançam conforme avanço no andamento do curso, agora começa a saga do TCC, o último que fiz foi em 2014, rs. Porém, a meu favor, fui professor e orientador de TCC de 2018 a 2022, então bora, rs.

Ótima semana e reflexões, pessoal!

sábado, 10 de janeiro de 2026

Neurociência da Música - O som é o mesmo. A emoção, não - parte II

Bom dia, pessoal!

Escrevo essa segunda matéria ouvindo música, claro, rs.

Na primeira parte, que vou deixar o link aqui em baixo, falamos mais sobre o papel do ouvido no processo de escutarmos uma música. Como a magnífica e extremamente complexa estrutura do ouvido capta, amplifica e faz a grande mágica de converter o som, uma onda, em impulso nervoso. Também vimos como que esse impulso chega até o córtex auditivo, onde realmente "ouvimos" a música.

Vale a pena começar pela primeira:

https://plantandociencia.blogspot.com/2026/01/neurociencia-da-musica-o-som-e-o-mesmo.html

Mas, agora que vem a minha real curiosidade sobre a música: Como ela consegue me fazer sentir algo? 

Do córtex auditivo, para onde caminha essa informação que acaba despertando tantas emoções e sentimentos? Dando ânimo, ou deixando ainda mais na fossa. O que será que realmente acontece em nosso cérebro?

Seria algo como: até o córtex auditivo 1, o som segue um caminho anatômico, como se transitasse por um cérebro vazio, cujo destino é a informação chegar no local correto para ser interpretada. Por isso, é igual em todos nós. A partir daqui, a música se conecta com nossas histórias individuais, nossas memórias, pessoas, fases da vida... 

Aqui a música está "trabalhando" com você, com o universo que você se tornou frente às suas experiências pessoais, até esse momento da sua vida, fantástico.

Mas em quais áreas do nosso cérebro a música chega para mexer com tanta coisa?

Basicamente áreas do sistema límbico e do córtex pré-frontal!

Mais especificamente: Amígdala, Hipocampo, e três regiões do córtex pré-frontal (medial. dorsolateral e órbitofrontal). Caso te faça sentir prazer, é porque ela atingiu também o sistema de recompensa (Núcleo Accumbes e Área tegmentar ventral).

Em cada uma dessas áreas, a música se funde à sua história, e, mesmo que nem sempre conseguimos entender claramente o porque aquela música nos faz sentir aquelas coisas, o que acontece dentro de você é exclusivo seu, daí tamanha a beleza da neurociência da música.

Mas, vamos analisar um pouco mais afundo essa história:

Um dos primeiros caminhos que a música segue, é para chegar à Amígdala. 

As informações sensoriais, após serem interpretadas por seus respectivos córtex (aqui, no caso, o auditivo), caminham para a Amígdala, basicamente um sistema de alarme do nosso cérebro. Aqui, ela vai analisar a valência emocional da música (prazer e medo). Músicas tristes, tensas ou com tons ameaçadores ativam fortemente a Amígdala.

Essa última parte, explica porque algumas músicas me dão um ânimo diferenciado para treinar, por exemplo.

O Hipocampo também vai receber essa informação, e, além de ser vizinho anatômico da amígdala (quanto mais ela é ativada, mas influencia o hipocampo), é responsável por associar a música a sua autobiografia. E aqui, meu amigo, é o motivo pelo qual Backstreet boys me faz sofrer ainda mais durante um dia triste, porque Strokes, Blink 182, Placebo, Racionais e Pink Floyd me levam a momentos diferentes da minha história, inclusive, algumas músicas levam exatamente para determinados episódios, como toda vez que escuto Time ou Wish you are here, ambas do Pink Floyd.

Por mexer tanto com essas duas regiões sensacionais do nosso sistema límbico, muitas vezes a sensação é essa:



Mas por favor, sempre lembrando: o coração já trabalha demais bombeando sangue e deixando todas as células do seu corpo vivas, ele não tem tempo para sentir nada sobre seu ou sua ex.

A informação continua até atingis as três regiões do córtex pré-frontal: a porção medial, faz uma análise emocional consciente, tentando explicar o que você está sentindo naquele momento. A porção órbitofrontal analisa prazer, recompensa e ajuda na questão do seu gosto musical. Enquanto a porção dorsolateral, faz uma análise mais estruturada da música, colocando até aspectos como expectativa. 

Sim, o córtex pré-frontal é muito fod*, e tem dessas de querer dar significado a tudo o que sentimos, como naquela música que amamos. 

Se a música for prazerosa, como disse lá atrás, ainda ativa as regiões do sistema de recompensa, principalmente o Núcleo Accumbens e a Área tegmentar ventral, e a dopamina será o neurotransmissor responsável por aquela deliciosa sensação de prazer, como a que sinto em alguns solos de guitarra. como o da música Tears of the Dragon, acontecendo nesse exato momento.

Sensacional, né?

Bons estudos meu povo" 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Psicanálise - vídeo e observações pessoais

Boa tarde, pessoal!

Dentro da trilha para formação em psicanálise, me deparei com um vídeo curto e bem interessante, abordando e discutindo algumas ideias centrais das teorias de Freud. O vídeo está aqui:



Mas, a partir do vídeo, me peguei em meio a algumas reflexões interessantes:

Um primeiro ponto, foi a excelente forma como o autor do vídeo explicou ID, EGO e SUPEREGO, expressões que sempre foram apresentadas de uma forma bem confusa para mim, e hoje ficou bem mais claro (claro que, o buraco é bem mais embaixo, mas ajudou a clarear).

Aha, me desculpem, mas não tenho conhecimento suficiente sobre o tema para discutir ainda, rs.

Porém, o ponto que mais me chamou a atenção e que me atreverei em discutir, é a questão da mente inconsciente, consciente e subconsciente. 

Esse assunto já vem me intrigando desde o primeiro contato, por algumas questões que gerou instantaneamente na minha mente consciente (rs):

- Qual o papel das memórias na construção dessa mente Inconsciente?

- Seria ela, exclusivamente, formada apenas por memórias, sejam as vindas de experiências, sejam aquelas formadas pelo funcionamento do nosso corpo... Pelo que entendi até o momento, não, tem mais coisa por trás!

- Pensando em episódios marcantes, que resultam naquelas memórias normalmente ricas em detalhes, que eu consigo acessar a qualquer momento que decidir (como uma bela lembrança com comida de vó, na infância, com toda a primaiada, e coisas do tipo), qual o papel dessas memórias (declarativas) na composição do inconsciente? 

- Um adendo à questão anterior, caso as experiências acessáveis também façam parte do inconsciente, elas existem em dois locais no nosso cérebro? Pergunto porque uma memória segue um padrão de armazenamento, no caso das declarativas, hipocampo para o córtex onde serão armazenadas no formato de memórias de longo prazo (como o exemplo da casa da minha avó Landa).

É simplesmente, sensacional! rs

Mas puxando exclusivamente do vídeo, a definição de Subconsciente remete a uma "estrutura mental" que resgata aquilo que não lembramos, mas que será útil no momento certo. Ao meu ver, parece muito com memórias formadas a partir de repetição, que envolvem o desenvolvimento em algum esporte, atividade motora, ou criação de um hábito, por exemplo.

Lembra da história: uma vez que você aprende a andar de bicicleta, você nunca mais esquece! Memória motora, que só vai ser resgatada e utilizada quando eu for andar de bicicleta. 

Mas Bruno, eu lembro como se anda de bicicleta. Não, você lembra das experiências que viraram memórias de alguns passeios de bicicleta, inclusive de imagens das suas pernas descendo e subindo no ato de pedalar. Memórias de experiências marcantes, memórias declarativas! 

Eu, no exato momento em que escrevo essas palavras, estou sentado em meu escritório lembrando de uma prova de bike que participei na serra da canastra! Excelentes memórias, até a sensação corporal gerada é agradável após lembrar do que foi registrado naquele momento, porém, em nenhuma dessas lembranças meu corpo fez algum movimento de pedal, equilíbrio, e todos os outros fatores que preciso para parar em cima de uma bicicleta, memórias diferentes!

Se Freud enxergar o subconsciente apenas como um reservatório de informações úteis aprendidas para determinados momentos, teremos uma classificação bem parecida com uma das aceitas na neurociência atual, de memórias declarativas e não-declarativas.

Seguirei nos estudos para trazer mais reflexões e comparações para vocês aqui!

Quem quiser saber um pouco mais sobre Memória e suas definições e classificações, da uma olhadinha no link aqui do blog:

http://plantandociencia.blogspot.com/2023/09/a-beleza-da-memoria-humana.html

http://plantandociencia.blogspot.com/2021/09/memoria-e-aprendizado-iii.html

Bons estudos!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Neurociência da Música - O som é o mesmo. A emoção, não - parte I

Bem-vindo, 2026!

E por aqui, vamos começar com um assunto que despertou ainda mais meu interesse depois que comecei a estudar mais a fundo a psicanálise. 

Eu gosto de música desde quando me conheço por gente. Não sei se pelo fato de meu pai, a vida inteira, andar de um lado para o outro da casa com o radinho de pilha, pelas centenas de discos de vinil tocando com frequência... Sei que, sempre que posso, faço as coisas com música, acho maravilhoso.

Mas, o que vem ocupando meus pensamentos e minha curiosidade é: porque determinada música me desperta um determinado sentimento? Por que a mesma música desperta uma coisa em mim e outra em você? 

Se analisarmos a neurociência por trás do "ouvir" uma música, o caminho até o córtex auditivo, onde realmente escutamos a música, é o mesmo para todos nós. A forma de interpretar também. Mas e a partir dai? Como ela desperta emoções, sentimentos, resgata memórias? Teria o inconsciente papel nisso?

Antes de entendermos melhor esse caminho da música no nosso sistema nervoso, vale lembrar que: todos os nossos cinco sentidos, incluindo a audição, captam a informação a que respondem e transformam em energia elétrica, o impulso nervoso, pois ai a informação (como a música), percorre o sistema nervoso e chega até o córtex responsável por interpretar aquela mensagem.

Isso significa que: não é sua boca que sente o gosto quando você morde um pedaço da sua comida favorita: aqui, as papilas gustativas transformaram a informação da comida em impulso nervoso, mandaram até o córtex gustativo, que fez você sentir o sabor do alimento. Um ponto fantástico dessa história, que deve ter aparecido como curiosidade ai na sua cabeça: a impressionante velocidade do processo. 

Faça o teste: ao tocar no seu braço, você sente o toque, mas aconteceu a mesma coisa da comida! Fantástico!

Mas vamos entender um pouco mais sobre a neurociência da música, vou resumir o caminho até o cérebro conseguir entender o que entrou pelo seu ouvido:

(O tanto que é fantástico esse processo - além de complexo - não tá escrito):

Podemos dividir em quatro etapas (que serão destrinchadas em uma outra matéria): 

1 - Captação mecânica: da entrada do som na estrutura do ouvido externo até o tímpano.

2 - Transmissão mecânica: envolve os ossículos, martelo, bigorna e estribo, sendo que o estribo passa a informação para a cóclea.

3 - Transdução mecânica: aqui, que a mágica acontece! Movimento de líquido, ativação de células ciliadas e do órgão de Conti e, como num passe de mágica (que é zero mágica, pura fisiologia e beleza, rs), as ondas sonoras se transformam em potencial de ação, e agora começa a transmissão no sistema nervoso!

4 - Via auditiva central: do nervo coclear,a  informação caminha pelo sistema nervoso (bulbo, mesencéfalo, tálamo) até ser direcionada para o córtex auditivo primário, onde realmente começamos a "ouvir" a música.

Detalhe: existe uma organização conhecida como tonópica, que significa que frequências específicas são "lidas" ou interpretadas por regiões específicas desse córtex auditivo. Um verdadeiro espetáculo.


Olha quem realmente "escuta" (sente) a música!

Agora, apesar de ainda chocado com a velocidade que tudo isso acontece (e quando ler a matéria completa sobre essas quatro etapas descritas acima, você ficará ainda mais impressionado com a velocidade do processo), você entendeu como ouvimos uma música.

Esse processo é fantástico, mas agora entram os grandes detalhes da nossa discussão. A partir do ouvir, o que acontece? Por que sentimos o que sentimos com determinadas músicas? 

Aqui, meu amigo, vamos explorar o sistema límbico, e tentar entender como a audição mexe tanto com nossas memórias e sentimentos. Mas essa parte merece uma matéria à parte! Diria que algo como o colorido emocional da música!

Só para vocês saberem, eu sou do tipo que, se está triste, coloca música para acabar de afundar até o final do poço, se é para sentir já sente logo, depois coloca as animadas e vai treinar!

Bons estudos e ótimo 2026 para todos!


Me desculpem, mas eu não poderia ver isso sozinho, rs: