terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Psicanálise - vídeo e observações pessoais

Boa tarde, pessoal!

Dentro da trilha para formação em psicanálise, me deparei com um vídeo curto e bem interessante, abordando e discutindo algumas ideias centrais das teorias de Freud. O vídeo está aqui:



Mas, a partir do vídeo, me peguei em meio a algumas reflexões interessantes:

Um primeiro ponto, foi a excelente forma como o autor do vídeo explicou ID, EGO e SUPEREGO, expressões que sempre foram apresentadas de uma forma bem confusa para mim, e hoje ficou bem mais claro (claro que, o buraco é bem mais embaixo, mas ajudou a clarear).

Aha, me desculpem, mas não tenho conhecimento suficiente sobre o tema para discutir ainda, rs.

Porém, o ponto que mais me chamou a atenção e que me atreverei em discutir, é a questão da mente inconsciente, consciente e subconsciente. 

Esse assunto já vem me intrigando desde o primeiro contato, por algumas questões que gerou instantaneamente na minha mente consciente (rs):

- Qual o papel das memórias na construção dessa mente Inconsciente?

- Seria ela, exclusivamente, formada apenas por memórias, sejam as vindas de experiências, sejam aquelas formadas pelo funcionamento do nosso corpo... Pelo que entendi até o momento, não, tem mais coisa por trás!

- Pensando em episódios marcantes, que resultam naquelas memórias normalmente ricas em detalhes, que eu consigo acessar a qualquer momento que decidir (como uma bela lembrança com comida de vó, na infância, com toda a primaiada, e coisas do tipo), qual o papel dessas memórias (declarativas) na composição do inconsciente? 

- Um adendo à questão anterior, caso as experiências acessáveis também façam parte do inconsciente, elas existem em dois locais no nosso cérebro? Pergunto porque uma memória segue um padrão de armazenamento, no caso das declarativas, hipocampo para o córtex onde serão armazenadas no formato de memórias de longo prazo (como o exemplo da casa da minha avó Landa).

É simplesmente, sensacional! rs

Mas puxando exclusivamente do vídeo, a definição de Subconsciente remete a uma "estrutura mental" que resgata aquilo que não lembramos, mas que será útil no momento certo. Ao meu ver, parece muito com memórias formadas a partir de repetição, que envolvem o desenvolvimento em algum esporte, atividade motora, ou criação de um hábito, por exemplo.

Lembra da história: uma vez que você aprende a andar de bicicleta, você nunca mais esquece! Memória motora, que só vai ser resgatada e utilizada quando eu for andar de bicicleta. 

Mas Bruno, eu lembro como se anda de bicicleta. Não, você lembra das experiências que viraram memórias de alguns passeios de bicicleta, inclusive de imagens das suas pernas descendo e subindo no ato de pedalar. Memórias de experiências marcantes, memórias declarativas! 

Eu, no exato momento em que escrevo essas palavras, estou sentado em meu escritório lembrando de uma prova de bike que participei na serra da canastra! Excelentes memórias, até a sensação corporal gerada é agradável após lembrar do que foi registrado naquele momento, porém, em nenhuma dessas lembranças meu corpo fez algum movimento de pedal, equilíbrio, e todos os outros fatores que preciso para parar em cima de uma bicicleta, memórias diferentes!

Se Freud enxergar o subconsciente apenas como um reservatório de informações úteis aprendidas para determinados momentos, teremos uma classificação bem parecida com uma das aceitas na neurociência atual, de memórias declarativas e não-declarativas.

Seguirei nos estudos para trazer mais reflexões e comparações para vocês aqui!

Quem quiser saber um pouco mais sobre Memória e suas definições e classificações, da uma olhadinha no link aqui do blog:

http://plantandociencia.blogspot.com/2023/09/a-beleza-da-memoria-humana.html

http://plantandociencia.blogspot.com/2021/09/memoria-e-aprendizado-iii.html

Bons estudos!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Neurociência da Música - O som é o mesmo. A emoção, não - parte I

Bem-vindo, 2026!

E por aqui, vamos começar com um assunto que despertou ainda mais meu interesse depois que comecei a estudar mais a fundo a psicanálise. 

Eu gosto de música desde quando me conheço por gente. Não sei se pelo fato de meu pai, a vida inteira, andar de um lado para o outro da casa com o radinho de pilha, pelas centenas de discos de vinil tocando com frequência... Sei que, sempre que posso, faço as coisas com música, acho maravilhoso.

Mas, o que vem ocupando meus pensamentos e minha curiosidade é: porque determinada música me desperta um determinado sentimento? Por que a mesma música desperta uma coisa em mim e outra em você? 

Se analisarmos a neurociência por trás do "ouvir" uma música, o caminho até o córtex auditivo, onde realmente escutamos a música, é o mesmo para todos nós. A forma de interpretar também. Mas e a partir dai? Como ela desperta emoções, sentimentos, resgata memórias? Teria o inconsciente papel nisso?

Antes de entendermos melhor esse caminho da música no nosso sistema nervoso, vale lembrar que: todos os nossos cinco sentidos, incluindo a audição, captam a informação a que respondem e transformam em energia elétrica, o impulso nervoso, pois ai a informação (como a música), percorre o sistema nervoso e chega até o córtex responsável por interpretar aquela mensagem.

Isso significa que: não é sua boca que sente o gosto quando você morde um pedaço da sua comida favorita: aqui, as papilas gustativas transformaram a informação da comida em impulso nervoso, mandaram até o córtex gustativo, que fez você sentir o sabor do alimento. Um ponto fantástico dessa história, que deve ter aparecido como curiosidade ai na sua cabeça: a impressionante velocidade do processo. 

Faça o teste: ao tocar no seu braço, você sente o toque, mas aconteceu a mesma coisa da comida! Fantástico!

Mas vamos entender um pouco mais sobre a neurociência da música, vou resumir o caminho até o cérebro conseguir entender o que entrou pelo seu ouvido:

(O tanto que é fantástico esse processo - além de complexo - não tá escrito):

Podemos dividir em quatro etapas (que serão destrinchadas em uma outra matéria): 

1 - Captação mecânica: da entrada do som na estrutura do ouvido externo até o tímpano.

2 - Transmissão mecânica: envolve os ossículos, martelo, bigorna e estribo, sendo que o estribo passa a informação para a cóclea.

3 - Transdução mecânica: aqui, que a mágica acontece! Movimento de líquido, ativação de células ciliadas e do órgão de Conti e, como num passe de mágica (que é zero mágica, pura fisiologia e beleza, rs), as ondas sonoras se transformam em potencial de ação, e agora começa a transmissão no sistema nervoso!

4 - Via auditiva central: do nervo coclear,a  informação caminha pelo sistema nervoso (bulbo, mesencéfalo, tálamo) até ser direcionada para o córtex auditivo primário, onde realmente começamos a "ouvir" a música.

Detalhe: existe uma organização conhecida como tonópica, que significa que frequências específicas são "lidas" ou interpretadas por regiões específicas desse córtex auditivo. Um verdadeiro espetáculo.


Olha quem realmente "escuta" (sente) a música!

Agora, apesar de ainda chocado com a velocidade que tudo isso acontece (e quando ler a matéria completa sobre essas quatro etapas descritas acima, você ficará ainda mais impressionado com a velocidade do processo), você entendeu como ouvimos uma música.

Esse processo é fantástico, mas agora entram os grandes detalhes da nossa discussão. A partir do ouvir, o que acontece? Por que sentimos o que sentimos com determinadas músicas? 

Aqui, meu amigo, vamos explorar o sistema límbico, e tentar entender como a audição mexe tanto com nossas memórias e sentimentos. Mas essa parte merece uma matéria à parte! Diria que algo como o colorido emocional da música!

Só para vocês saberem, eu sou do tipo que, se está triste, coloca música para acabar de afundar até o final do poço, se é para sentir já sente logo, depois coloca as animadas e vai treinar!

Bons estudos e ótimo 2026 para todos!


Me desculpem, mas eu não poderia ver isso sozinho, rs: