sábado, 10 de janeiro de 2026

Neurociência da Música - O som é o mesmo. A emoção, não - parte II

Bom dia, pessoal!

Escrevo essa segunda matéria ouvindo música, claro, rs.

Na primeira parte, que vou deixar o link aqui em baixo, falamos mais sobre o papel do ouvido no processo de escutarmos uma música. Como a magnífica e extremamente complexa estrutura do ouvido capta, amplifica e faz a grande mágica de converter o som, uma onda, em impulso nervoso. Também vimos como que esse impulso chega até o córtex auditivo, onde realmente "ouvimos" a música.

Vale a pena começar pela primeira:

https://plantandociencia.blogspot.com/2026/01/neurociencia-da-musica-o-som-e-o-mesmo.html

Mas, agora que vem a minha real curiosidade sobre a música: Como ela consegue me fazer sentir algo? 

Do córtex auditivo, para onde caminha essa informação que acaba despertando tantas emoções e sentimentos? Dando ânimo, ou deixando ainda mais na fossa. O que será que realmente acontece em nosso cérebro?

Seria algo como: até o córtex auditivo 1, o som segue um caminho anatômico, como se transitasse por um cérebro vazio, cujo destino é a informação chegar no local correto para ser interpretada. Por isso, é igual em todos nós. A partir daqui, a música se conecta com nossas histórias individuais, nossas memórias, pessoas, fases da vida... 

Aqui a música está "trabalhando" com você, com o universo que você se tornou frente às suas experiências pessoais, até esse momento da sua vida, fantástico.

Mas em quais áreas do nosso cérebro a música chega para mexer com tanta coisa?

Basicamente áreas do sistema límbico e do córtex pré-frontal!

Mais especificamente: Amígdala, Hipocampo, e três regiões do córtex pré-frontal (medial. dorsolateral e órbitofrontal). Caso te faça sentir prazer, é porque ela atingiu também o sistema de recompensa (Núcleo Accumbes e Área tegmentar ventral).

Em cada uma dessas áreas, a música se funde à sua história, e, mesmo que nem sempre conseguimos entender claramente o porque aquela música nos faz sentir aquelas coisas, o que acontece dentro de você é exclusivo seu, daí tamanha a beleza da neurociência da música.

Mas, vamos analisar um pouco mais afundo essa história:

Um dos primeiros caminhos que a música segue, é para chegar à Amígdala. 

As informações sensoriais, após serem interpretadas por seus respectivos córtex (aqui, no caso, o auditivo), caminham para a Amígdala, basicamente um sistema de alarme do nosso cérebro. Aqui, ela vai analisar a valência emocional da música (prazer e medo). Músicas tristes, tensas ou com tons ameaçadores ativam fortemente a Amígdala.

Essa última parte, explica porque algumas músicas me dão um ânimo diferenciado para treinar, por exemplo.

O Hipocampo também vai receber essa informação, e, além de ser vizinho anatômico da amígdala (quanto mais ela é ativada, mas influencia o hipocampo), é responsável por associar a música a sua autobiografia. E aqui, meu amigo, é o motivo pelo qual Backstreet boys me faz sofrer ainda mais durante um dia triste, porque Strokes, Blink 182, Placebo, Racionais e Pink Floyd me levam a momentos diferentes da minha história, inclusive, algumas músicas levam exatamente para determinados episódios, como toda vez que escuto Time ou Wish you are here, ambas do Pink Floyd.

Por mexer tanto com essas duas regiões sensacionais do nosso sistema límbico, muitas vezes a sensação é essa:



Mas por favor, sempre lembrando: o coração já trabalha demais bombeando sangue e deixando todas as células do seu corpo vivas, ele não tem tempo para sentir nada sobre seu ou sua ex.

A informação continua até atingis as três regiões do córtex pré-frontal: a porção medial, faz uma análise emocional consciente, tentando explicar o que você está sentindo naquele momento. A porção órbitofrontal analisa prazer, recompensa e ajuda na questão do seu gosto musical. Enquanto a porção dorsolateral, faz uma análise mais estruturada da música, colocando até aspectos como expectativa. 

Sim, o córtex pré-frontal é muito fod*, e tem dessas de querer dar significado a tudo o que sentimos, como naquela música que amamos. 

Se a música for prazerosa, como disse lá atrás, ainda ativa as regiões do sistema de recompensa, principalmente o Núcleo Accumbens e a Área tegmentar ventral, e a dopamina será o neurotransmissor responsável por aquela deliciosa sensação de prazer, como a que sinto em alguns solos de guitarra. como o da música Tears of the Dragon, acontecendo nesse exato momento.

Sensacional, né?

Bons estudos meu povo" 

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