Bem-vindo, 2026!
E por aqui, vamos começar com um assunto que despertou ainda mais meu interesse depois que comecei a estudar mais a fundo a psicanálise.
Eu gosto de música desde quando me conheço por gente. Não sei se pelo fato de meu pai, a vida inteira, andar de um lado para o outro da casa com o radinho de pilha, pelas centenas de discos de vinil tocando com frequência... Sei que, sempre que posso, faço as coisas com música, acho maravilhoso.
Mas, o que vem ocupando meus pensamentos e minha curiosidade é: porque determinada música me desperta um determinado sentimento? Por que a mesma música desperta uma coisa em mim e outra em você?
Se analisarmos a neurociência por trás do "ouvir" uma música, o caminho até o córtex auditivo, onde realmente escutamos a música, é o mesmo para todos nós. A forma de interpretar também. Mas e a partir dai? Como ela desperta emoções, sentimentos, resgata memórias? Teria o inconsciente papel nisso?
Antes de entendermos melhor esse caminho da música no nosso sistema nervoso, vale lembrar que: todos os nossos cinco sentidos, incluindo a audição, captam a informação a que respondem e transformam em energia elétrica, o impulso nervoso, pois ai a informação (como a música), percorre o sistema nervoso e chega até o córtex responsável por interpretar aquela mensagem.
Isso significa que: não é sua boca que sente o gosto quando você morde um pedaço da sua comida favorita: aqui, as papilas gustativas transformaram a informação da comida em impulso nervoso, mandaram até o córtex gustativo, que fez você sentir o sabor do alimento. Um ponto fantástico dessa história, que deve ter aparecido como curiosidade ai na sua cabeça: a impressionante velocidade do processo.
Faça o teste: ao tocar no seu braço, você sente o toque, mas aconteceu a mesma coisa da comida! Fantástico!
Mas vamos entender um pouco mais sobre a neurociência da música, vou resumir o caminho até o cérebro conseguir entender o que entrou pelo seu ouvido:
(O tanto que é fantástico esse processo - além de complexo - não tá escrito):
Podemos dividir em quatro etapas (que serão destrinchadas em uma outra matéria):
1 - Captação mecânica: da entrada do som na estrutura do ouvido externo até o tímpano.
2 - Transmissão mecânica: envolve os ossículos, martelo, bigorna e estribo, sendo que o estribo passa a informação para a cóclea.
3 - Transdução mecânica: aqui, que a mágica acontece! Movimento de líquido, ativação de células ciliadas e do órgão de Conti e, como num passe de mágica (que é zero mágica, pura fisiologia e beleza, rs), as ondas sonoras se transformam em potencial de ação, e agora começa a transmissão no sistema nervoso!
4 - Via auditiva central: do nervo coclear,a informação caminha pelo sistema nervoso (bulbo, mesencéfalo, tálamo) até ser direcionada para o córtex auditivo primário, onde realmente começamos a "ouvir" a música.
Detalhe: existe uma organização conhecida como tonópica, que significa que frequências específicas são "lidas" ou interpretadas por regiões específicas desse córtex auditivo. Um verdadeiro espetáculo.
Olha quem realmente "escuta" (sente) a música!
Agora, apesar de ainda chocado com a velocidade que tudo isso acontece (e quando ler a matéria completa sobre essas quatro etapas descritas acima, você ficará ainda mais impressionado com a velocidade do processo), você entendeu como ouvimos uma música.
Esse processo é fantástico, mas agora entram os grandes detalhes da nossa discussão. A partir do ouvir, o que acontece? Por que sentimos o que sentimos com determinadas músicas?
Aqui, meu amigo, vamos explorar o sistema límbico, e tentar entender como a audição mexe tanto com nossas memórias e sentimentos. Mas essa parte merece uma matéria à parte! Diria que algo como o colorido emocional da música!
Só para vocês saberem, eu sou do tipo que, se está triste, coloca música para acabar de afundar até o final do poço, se é para sentir já sente logo, depois coloca as animadas e vai treinar!
Bons estudos e ótimo 2026 para todos!
Me desculpem, mas eu não poderia ver isso sozinho, rs:



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