segunda-feira, 25 de maio de 2026

O papel do inconsciente em nossas escolhas

Você realmente toma suas próprias decisões?

Suas escolhas são conscientes?

Olha isso:

Antes de tomarmos uma decisão, nosso cérebro já foi inundado por memórias, emoções e padrões construídos ao longo da vida. Tudo em frações de um segundo.

Muitas vezes acreditamos estar escolhendo racionalmente, mas parte das nossas decisões nasce de processos inconscientes ligados às experiências que vivemos, principalmente aquelas carregadas de emoção.

Ou seja, as experiências com maior carga emocional que vivemos, são as que mais influenciam na construção do que somos e, consequentemente, das nossas escolhas no dia a dia, mesmo nas mais simples e inofensivas.

A neurociência mostra que memórias emocionais podem influenciar nossas reações de forma automática, ativando respostas aprendidas muito antes da consciência elaborar aquilo que está acontecendo.

Te lembra algo como um padrão?

A psicanálise, por sua vez, busca compreender o significado desses padrões: por que repetimos certos comportamentos, insistimos nos mesmos vínculos ou reagimos sempre da mesma maneira diante de determinadas situações? Mesmo quando, já conscientes dos prováveis resultados de uma escolha, nós ainda sim seguimos o padrão e repetimos um ciclo negativo?

Falando assim, conseguimos visualizar um pouco melhor o tamanho do inconsciente em meio à nossa rotina de vida.

Podemos olhar da seguinte maneira, também:

Nem toda escolha vem apenas da análise do presente, da experiência vivenciada naquele exato momento da tomada de decisão.

Algumas são atravessadas por marcas antigas que continuam atuando silenciosamente dentro de nós. Já ouviu aquela história de que cada experiência marcante coloca uma lente em frente aos nossos olhos? E que, dali em diante, passamos a enxergar o mundo através daquela lente?

O autoconhecimento começa quando deixamos de apenas reagir automaticamente e passamos a compreender aquilo que nos move emocionalmente. Identificar os padrões, principalmente os tóxicos, é um passo crucial para bons resultados dentro da clínica psicanalítica.

A partir daí, mudanças reais se tornam possíveis.

Como já vimos em diversos momentos aqui no Plantando Ciência, a plasticidade neural, através de um bom esquema terapêutico e de uma organização de sentimentos e emoções em fala, permite separa o trauma da dor, uma vez que as memórias não podem simplesmente ser apagadas do nosso cérebro.

Porém, quanto mais estudo sobre o tema dentro da pscinálise, mais observo que a ressignificação do trauma é apenas o primeiro passo de um real processo de cura. E sabe o porquê?

Porque o trauma, e as memórias de imensa carga emocional, que nos faz sentir muitas coisas, são registrados nos mínimos detalhes nas nossas memórias (mecanismo de sobrevivência, quanto mais informações tenho sobre aquele episódio, menores as chances de se repetir), podem ser ressignificadas, mas, existem padrões e comportamentos que foram construídos a partir daquele episódio, e para se curar, talvez a pessoa precise reconstruir os hábitos e comportamentos construídos.

Uma coisa muito comum na clínica: paciente com trauma na infância, ressignifica o trauma se livrando da dor que sentia ao relembrar algo relacionado ao episódio. Porém, a desconfiança nos relacionamentos, os padrões de amizades, os comportamentos e hábitos, que muitos foram moldados a partir das lentes do trauma, não se desfazem. O paciente não sente mais dor com a lembrança do episódio, mas continua utilizando as mesmas válvulas de escape, como o abuso de substâncias, pois os padrões tendem a se repetir sozinhos, quando não analisados.

Como citei na matéria onde conversamos a respeito pela primeira vez, o buraco é bem mais embaixo. E o processo terapêutico, principalmente o desenvolvimento do autoconhecimento, é um trabalho contínuo na vida de todos nós!

Assim, buscamos e melhoramos nossa saúde mental diariamente.

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