sexta-feira, 10 de abril de 2026

Reflexões neurocientíficas e psicanalíticas - uso de substâncias

Boa tarde, pessoal!

Mais um trecho do meu TCC, para vocês refletirem sobre como a Psicanálise e a Neurociência moderna podem conversar e avançar juntos, lembrando sempre que, o objetivo, é a saúde mental humana, que caminha em pedaços, e não uma disciplina diminuir ou tentar explicar a outra, isso é EGO. E não o EGO freudiano, o EGO besta que mais nos atrapalha do que ajuda!

Mas vamos à reflexão, visto que, essas duas substâncias, são muito utilizadas hoje em dia, e os efeitos para o usuário e para as pessoas que estão à sua volta podem ser terríveis:


"No que se refere ao uso de substâncias psicoativas, a neurociência oferece um campo privilegiado para o diálogo com a psicanálise ao evidenciar como alterações neuroquímicas impactam diretamente os sistemas de regulação emocional, recompensa e controle inibitório. A cocaína, por exemplo, atua principalmente aumentando a liberação e bloqueando a recaptação de dopamina no sistema mesolímbico, especialmente em regiões como o núcleo accumbens, levando a um aumento intenso e rápido da sensação de prazer e reforço.

Esse mecanismo promove um aprendizado poderoso baseado em recompensa, fortalecendo circuitos associados à busca compulsiva pela substância. Paralelamente, há relatos científicos que comprovam o prejuízo progressivo da função do córtex pré-frontal, reduzindo a capacidade de inibição comportamental e tomada de decisão. Ou seja, o uso de maiores quantidades e com maior frequência, dá cada vez mais poder à resposta de prazer e reforça esse aprendizado através da dopamina, enquanto diminui cada vez mais a capacidade de tomada de decisão e de controle sobre o uso do córtex pré-frontal. Sob a perspectiva psicanalítica, esse fenômeno pode ser compreendido como uma predominância do Id — regido pelo princípio do prazer — sobre as instâncias do Ego, responsáveis pela mediação com a realidade. A fragilização do controle pré-frontal se aproxima, portanto, de um enfraquecimento das funções egóicas, permitindo que impulsos primitivos e imediatistas se expressem de maneira mais direta no comportamento. Um questionamento, aqui: quantas vezes você, ciente de que não podia tomar mais aquela dose, comer mais aquele doce, buscar mais aquela porção de alguma droga de abuso, ou qualquer outro comportamento compulsivo e, normalmente, destrutivo, foi lá e o fez? Quem venceu nessa batalha, a razão ou a emoção? O consciente ou os impulsos?

De forma distinta, mas igualmente relevante, o zolpidem — um hipnótico que atua como agonista dos receptores GABAérgicos — promove um efeito depressor do sistema nervoso central, facilitando a indução do sono ao reduzir a atividade cortical, especialmente em áreas frontais. Apesar de seu uso terapêutico, há relatos de comportamentos complexos realizados em estado dissociativo, como alimentar-se, dirigir, realizar compras totalmente desnecessárias e interagir socialmente, algumas vezes de forma desastrosa. Neurobiologicamente, esse fenômeno pode ser explicado pela dissociação entre sistemas de memória e consciência, envolvendo uma redução da atividade do córtex pré-frontal associada à manutenção parcial de circuitos automáticos subcorticais. Sob a ótica psicanalítica, tais manifestações podem ser interpretadas como uma suspensão temporária das funções do Ego, com expressão de conteúdos e comportamentos não mediados pela consciência. Nesse sentido, o zolpidem evidencia, de forma experimental, como a diminuição da atividade reguladora cortical pode permitir a emergência de padrões comportamentais automatizados, aproximando-se da noção de conteúdos inconscientes que se manifestam na ausência de censura psíquica."


Entendam, o abuso de substâncias, independente da substância, lícitas ou não, tem sido a muleta para sustentar as mazelas psíquicas de muitas pessoas, MUITAS! Mas assim como o álcool serve apenas para amenizar uma crise de ansiedade e jamais vai servir para tratar o transtorno (até porque, vai construir diversos outros problemas), qualquer outra substância segue o mesmo preceito, o de uma muleta. Que nunca trata, apenas ameniza! 

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