segunda-feira, 28 de agosto de 2023

MHC de Classe I - Linfócitos T citotóxicos

Boa tarde, pessoal.

Hoje vamos falar sobre o Complexo de Histocompatibilidade, ou MHC, de classe I.

Reparem que o título já foi mais dramático, porque a resposta é mais dramática, ela culmina na morte da célula infectada. 

Diferente do que estudamos no MHC de Classe II, o MHC de classe I apresenta antígenos para os Linfócitos T Citotóxicos, também conhecidos como CD8+.

Observe a figura abaixo, para entender melhor o processamento do antígeno:



A figura, retirada do livro de Imunologia Básica do Abbas, mostra mais uma diferença entre os MHCs. O MHC de classe I é expresso em todas as células nucleadas. Sim, em TODAS!

Por que tudo isso? 
Vários motivos, mas um exemplo pode ajudar a entender: os vírus, dos principais "inimigos" dos linfócitos T citotóxicos, é um parasita intracelular obrigatório, ou seja, ele precisa de uma célula nucleada, capaz de produzir proteínas, para se multiplicar. 

Logo, teoricamente (na prática não é tão simples), os vírus podem infectar qualquer célula nucleada do corpo humano. E, se ele pode atacar, eu preciso de mecanismos para me defender.

Outro ponto, que é importante ressaltar na diferenciação entre os dois tipos de MHC, é que o de classe I lida com antígenos intracelulares. Eles não foram absorvidos por uma célula de defesa, eles infectam a célula.

Observem o esquema abaixo:


Repare, só existe vesícula no final do processo de preparo para a apresentação do antígeno. 

O antígeno já está no citoplasma, então é necessário a ação de uma enzima, como a Proteassoma da figura, para quebrar esse antígeno em "pedaços" menores. O antígeno é quebrado para conseguir entrar no retículo endoplasmático, onde se liga à molécula do MHC de classe I (produzida pelo RE). 

MHC de classe I se une ao antígeno e esse complexo Antígeno-MHC é exposto do lado de fora da célula, conectado à membrana celular, à espera do Linfócito T CD8+.

Após se ligar e entender o recado, os linfócitos T CD8+ (ou citotóxicos) destroem a célula infectada, eliminando assim o reservatório de infecção.

Anote as diferenças entre as etapas de processamento de antígenos do MHC de classe I e II, isso ajudará a entender a função e as características principais de cada um.


Bons estudos!

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Enzimologia Clínica

Boa tarde, pessoal.

Hoje estudaremos um pouco sobre a Enzimologia clínica, que nada mais é que o estudo das enzimas que tem interesse clínico-diagnóstico, um dos principais ramos de estudo da Bioquímica Clínica.

Primeiro de tudo, enzimas são proteínas.
A função delas é catalisar reações químicas dos nossos sistemas biológicos. Detalhe: elas influenciam a reação sem sofrer qualquer alteração em suas estruturas, ou seja, elas não são consumidas na reação.

A figura abaixo mostra bem o papel de uma enzima:



O estudo das enzimas tem uma importância enorme, e hoje, nosso objetivo é exatamente esse, entender o papel das enzimas dentro do diagnóstico clínico.

Todas as enzimas presentes no corpo humano são sintetizadas dentro de células (intracelularmente) e três tipos de enzima são considerados de importância clínica:

terça-feira, 22 de agosto de 2023

MHC de Classe II - Imunologia Clínica

Boa tarde, pessoal.

Hoje vamos falar sobre o Complexo de Histocompatibilidade, conhecido como MHC e terror de muitos alunos na Imunologia básica e clínica.

Vamos por partes, para construir o conceito em um passo a passo.

Primeiro ponto importante: as células que expressam o MHC de Classe II são: Células Dendríticas, Macrófagos e Linfócitos B. Logo, tudo que for escrito nessa matéria está relacionado a essas três células.

Segundo ponto importante: os antígenos aqui são antígenos extracelulares. Quando observarem o antígeno dentro da célula nos desenhos, lembre-se que ele foi "engolido" pela célula.

Terceiro ponto importante: como são antígenos extracelulares, repare que todas as etapas acontecem dentro de vesículas, para que o antígeno nunca tenha contato com o interior (citoplasma) da célula. Isso acontece porque caso seja uma bactéria, por exemplo, ela poderia infectar a célula, o que exigira a resposta do MHC de classe I, que leva à morte celular.

Beleza, agora vamos de figuras né, para facilitar a visualização disso tudo. Lembrando, por último (prometo), que toda essa história de MHC e processamento de antígenos, é a forma como nossas células apresentadoras de antígenos conseguem deixar o antígeno do jeito que o linfócito T gosta e consegue reagir. O MHC de classe II, que estudamos hoje, prepara o antígeno para os Linfócitos T CD4+, ou Linfócitos Auxiliares. O MHC de classe I, que aparece no próximo post de Imuno, apresenta o antígeno para os Linfócitos T CD8+, ou Linfócitos Citotóxicos.

Mas, voltando às figuras:


Uma excelente figura do livro do Abbas (Imunologia Básica), representando as células que expressam o MHC de Classe II.

Uma obra de arte, como meus alunos bem conhecem, um esquema que demonstra todas as minhas habilidades artísticas, um esquema de como acontece o processamento do antígeno com o MHC de classe II:



E, para finalizar, uma figura que não tem toooooda a qualidade artística do meu desenho, mas que pode ajudar bastante. Também uma figura do livro de Imunologia Básica do Abbas:



Era isso.
Bons estudos, pessoal.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Introdução à Imunologia Clínica

Bom dia, pessoal.

Para iniciar nossas discussões sobre Imunologia Clínica aqui no blog, preparei uma matéria com alguns vídeos e informações que são extremamente úteis para revisar o conteúdo de Imunologia básica e seguir sem problemas ao longo da disciplina. Espero que facilitem o estudo de vocês.

Nossa revisão da Imunologia básica começou com 4 perguntas:

1 - Quais as funções do Sistema imune (SI)?

2 - Onde são produzidas as células do SI?

3 - Quais os tipos de Imunidade?

4 - Qual a diferença principal entre a imunidade gerada a partir de uma vacina ou infecção e a imunidade gerada a partir de uma transfusão de anticorpos ou do aleitamento materno?


Essas quatro pergurtinhas, se bem respondidas, podem ser utilizadas para relembrar boa parte do conteúdo visto em imunologia básica. 

Mas, antes de passar as respostas, separei alguns vídeos bem didáticos para resgatar as memórias sobre imunologia básica (pode ser pra criar algumas também, para quem não lembra nada, rs):

terça-feira, 9 de maio de 2023

Introdução à Imunologia

Bom dia, pessoal.
Essa é a primeira aula do curso de Imunologia, uma introdução aos principais assuntos que abordaremos em sala de aula.

Como posso definir o sistema imune? Para que serve?


Imunidade é definida como a resistência a doenças infecciosas. O conjunto de células, tecidos e moléculas que são intermediários na resistência às infecções é chamado de Sistema Imunológico, e a reação ordenada dessas células e moléculas aos microrganismos infecciosos é a Resposta Imunológica.

A Imunologia, então, é o estudo do sistema imunológico e de suas respostas aos microrganismos invasores.

Podemos dizer que a função fisiológica (natural) do sistema imunológico é prevenir infecções e erradicar as infecções estabelecidas.

Um sistema imune fraco, debilitado, aumenta nossa chance de ficar doentes (nossa susceptibilidade a doenças), o que observamos em pacientes imunodeprimidos. Hoje, já sabemos que estresse crônico, ansiedade, má alimentação, hábitos ruins relacionados ao sono, dentre vários outros fatores, são as causas mais comuns de uma queda no nosso sistema de defesa. Nossos hábitos e rotinas atuais estão deixando nossos corpos cada vez mais fracos.



A importância do sistema imunológico fica mais evidente quando analisamos o caso de um indivíduo com resposta imunológica deficiente, como na Síndrome da Imunodeficiência Humana (AIDS) causada pelo vírus HIV.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Resposta ao estresse

Boa tarde, pessoal!

O assunto hoje é estresse, algo que, tenho certeza que não faz parte da rotina diária de vocês. Quem dera, né?

Pesquisar dos últimos anos deixam muito claro que o estresse cresceu drasticamente nas últimas décadas e, talvez, tenha atingido seu ápice (até agora) com as milhões de informações vindas dos nossos celulares.



Eu sei, para você, estresse é sinônimo de passar raiva. Também é, mas olha que legal essa definição do ganhador do prêmio Nobel, Hans Selye: Estresse é visto como qualquer coisa ou acontecimento que eleve os níveis sanguíneos de corticosteroides (cortisol).

Mas, vamos por partes!

Dentro da fisiologia humana, estresse tem um significado extremamente amplo, então, vamos focar a nossa discussão no nosso estresse diário mais comum, o estresse comportamental. Sabe qual tipo de estresse é esse? Aquele que vai nos tirar do sério em algum momento, porque vai acumulando...



As fontes mais comuns de estresses comportamentais são os nossos 5 sentidos (aposto que você consegue pensar em um som ou música que te irrite, em cheiros e imagens que te desagradam e podem te estressar), mas também existe uma outra fonte de estresse, a nossa criativa mente (estilo as velhas paranóias que nos acompanham em determinados assuntos, tipo relacionamento).

Apesar dos fatores que podem nos estressar serem basicamente infinitos e vindos das mais variadas fontes, as respostas em nosso organismos são comuns a todos nós, e podem nos ajudar a entender porque nossa saúde física e mental tem ficado cada vez mais debilitadas (prejudicadas) com nossos hábitos e rotinas atuais.

Podemos dividir a resposta fisiológica do estresse em duas partes principais:

  • A resposta endócrina, que envolve hormônios;
  • A resposta autonômica, que é de responsabilidade do nosso sistema nervoso e vai atuar diretamente nos nossos órgãos (não temos controle algum das respostas autonômicas do nosso corpo, são automáticas, como o nome diz).

Quem coordena toda essa resposta é o hipotálamo, uma região do nosso cérebro que recebe informações do sistema límbico e do córtex pré-frontal (principalmente, mas de outras regiões cerebrais também) e possui funções muito importantes, como o controle da nossa sensação de fome e saciedade (motivo pelo qual estresse e ansiedade podem alterar seu apetite).

O estresse atua ativa o hipotálamo, que vai atuar sobre a hipófise (famoso eixo hipotálamo-hipófise, ou hipotalâmico-hipofisário), e o resultado é a liberação de dois hormônios em nossa corrente sanguínea: a tireotrofina, que age na tireoide e tem o papel de aumentar nosso metabolismo, e a adrenocorticotrofina, que vai agir lá na glândulazinha que fica em cima dos nossos rins (suprarrenais) e vai atuar na liberação do cortisol, conhecido por muitos como hormônio do estresse.

Essa primeira parte da resposta ao estresse, a parte hormonal (endócrina), garante um aumento no nosso metabolismo, aumento da glicose sanguínea (combustível) em nosso sangue... Garante energia extra, frente a um estressor que, teoricamente, é um perigo à nossa saúde.


A segunda parte da resposta, a parte autonômica, que é de responsabilidade do nosso sistema nervoso, vai atuar em nossos órgãos, garantindo que todo organismo fique preparado para utilizar todas as suas armas para enfrentar aquele estresse, caso seja necessário! (lembra da resposta de luta ou fuga?)

Essas alterações incluem: redução na produção de saliva (boca seca), redução na atividade do trato gastrointestinal (nesse momento, meu corpo não está preocupado em digerir um alimento, ele precisa de energia instantânea - lembra das cobras, que regurgitam o alimento quando estão em perigo?), aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, aumento do volume de sangue que é direcionado para a atividade dos músculos... Nosso corpo vai se tornando uma máquina.

É a preparação do nosso corpo, literalmente, para uma luta.

Uma resposta biológica de sobrevivência, que nos permitiu chegar até aqui, mas que é um problemão hoje. Por que?

Em quantos momentos de estresse diário você realmente está em uma luta? Quase sempre em nenhum (não estou falando da vontade de, eu sei que muitas vezes vocês querem voar em cima de uma pessoa, rs). 

Sem seu real uso, a resposta vai sobrecarregando nosso organismo, desgastando nossos corações e sistema cardiovascular (dai o maior índice de infartos, AVCs e problemas com pressão arterial em pessoas cada vez mais jovens), dai o desgaste e cansaço mental que apresentamos em dias de picos de estresse, que sugam pouco a pouco nossas habilidades cognitivas, como nossa atenção, nosso foco e nossa memória. Nosso corpo vai sendo sobrecarregado, e nossa qualidade de vida vai diminuindo pouco a pouco, até afetar nosso sistema imunológico e nos causar doenças...

Essa conta fecha muito bem!

Por isso, independente de qual maneira for a correta para você, para sua rotina, encontre momentos para gastar o estresse de vocês, para manejar ele da melhor maneira possível (esportes, uma cerveja com os amigos, uma boa conversa, sexo...).

Manejar seu estresse vai melhorar sua qualidade de vida, seu desempenho no trabalho, seu desempenho na academia, seu desempenho sexual... Vai melhorar sua vida como um todo!

Bora desestressar?