Boa tarde, pessoal!
A memória é uma das
funções mais fascinantes do cérebro humano. Envolve os cinco sentidos, regiões
do sistema límbico como o hipocampo e a amígdala, envolve o famoso córtex
pré-frontal. A atenção que damos e tudo o que sentimos em nossas experiências
influenciam o que vamos registrar como memórias de longo prazo ou não.
E isso confirma uma
coisa, nossa memória não funciona como um arquivo digital que simplesmente
registra tudo o que acontece ao nosso redor. Na verdade, o cérebro seleciona
constantemente quais informações merecem ser armazenadas e quais podem ser
descartadas.
Advinha quem fez a figura? Sim, ele: chat gpt!
Mas Bruno, não seria mais vantajoso registrar tudo e ficar muito mais inteligente?
Não, pelo contrário! Imagina
guardar o rosto de todas as pessoas que você cruza em um ônibus, ou todos os
sons que escutou pegando o trânsito de Campinas em horário de pico. Ficou mais
claro agora, né? Seria um inferno para o cérebro, e um inferno totalmente desnecessário,
que serviria apenas para gastar energia e atrapalhar as funções cognitivas.
Dois fatores exercem
enorme influência nesse processo: a atenção e a emoção.
Ou seja, tendemos a
registrar com mais facilidade o que prestamos atenção e o quanto nos fez sentir
determinada experiência.
Vai me falar que você
nunca chegou na última palavra da folha de um livro e não sabia absolutamente
nada do que leu naquela página inteira? Não prestou atenção, não processou e
muito menos registrou nada.
Quando prestamos atenção a
uma experiência, ativamos circuitos cerebrais responsáveis pela codificação das
informações, especialmente regiões como o hipocampo. É como se a atenção
passasse um marco texto naquela experiência, que durante o sono o hipocampo
fará mais questão de transformar em memória de longo prazo.
Sem atenção, dificilmente
uma experiência será registrada de forma eficiente. Imagina o conteúdo que vai
cair na prova do seu concurso, então!
As emoções também atuam
como um marcador biológico da importância de um evento. Experiências carregadas
de alegria, medo, surpresa ou tristeza tendem a ser lembradas com mais
facilidade.
E o motivo também é
simples, e fantástico. A Amígdala cerebral, é uma região do sistema límbico que
interpreta a carga emocional das experiências, e quanto mais essa carga, ou
seja, quanto mais aquela experiência te faz sentir, mais ativa fica a amígdala,
outra caneta marca texto é passada na experiência para o hipocampo, que entende
de uma forma bem simples: fez sentir, melhor lembrar! Posso querer mais ou
evitar depois.
Mas ai vieram as novas
pesquisas e mostraram algo ainda mais legal.
Essa análise feita pela
amígdala, além de sinalizar para o hipocampo, também serve para mostrar o que
devemos prestar atenção naquele momento. E ai, a amígdala mexe diretamente com
os dois principais fatores que precisamos para registrar algo com mais facilidade:
atenção e carga emocional.
Entende, agora, por que é
tão difícil aprender ou desenvolver algo quando seu estresse está muito alto?
Quando seu “psicológico” está desregulado?
E isso nos leva a outro ponto muito comum no âmbito popular atualmente: estou com problemas de memória.
E não, meu amigo ou amiga.
Dificilmente você tem algum problema de memória, provavelmente é só falta de
atenção.
A boa notícia é que
existem hábitos simples, incorporados à rotina diária, capazes de fortalecer os
mecanismos biológicos responsáveis pela formação e manutenção das memórias.
Exercício aeróbico
Se existisse uma
"pílula" para melhorar a memória, provavelmente ela se pareceria
muito com a atividade física.
Diversos estudos mostram
que exercícios aeróbicos aumentam a produção de fatores neurotróficos,
especialmente o BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), uma proteína
essencial para a sobrevivência dos neurônios e para a formação de novas
conexões neurais.
Além disso, a prática
regular de atividade física favorece a saúde do hipocampo, estrutura cerebral
fundamental para a consolidação de memórias.
Pesquisas recentes
demonstraram que programas de treinamento aeróbico, especialmente em
intensidades moderadas e altas, podem melhorar significativamente funções
dependentes do hipocampo, com benefícios observados mesmo anos após a
intervenção.
Muito disso tem relação
com a circulação sanguínea, sabia? Mais aeróbico, melhor saúde cardiovascular,
mais sangue, oxigênio e nutrientes abastecendo nosso cérebro.
Resultado?
Funções cognitivas
melhores, mais atenção, maiores chances de formar memórias de longo prazo
quando queremos focar em algo.
Como aplicar na rotina:
- Caminhada rápida por 30 minutos;
- Corrida leve;
- Bicicleta;
- Natação;
- Dança.
O mais importante é a
regularidade. Três a cinco sessões semanais já podem trazer benefícios
cognitivos mensuráveis.
Mas lembre-se: de leve se
você estiver parado a muito tempo, sem inventar ou esforçar de uma maneira
estúpida, assim evitamos lesões e colhemos apenas os benefícios, rs.
Dormir bem
Dormir é parte essencial
do processo e tem uma relação gritante com nossa saúde mental.
Só de ler essa primeira
frase, você já ligou os pontos e entendeu que, se sono está relacionado a saúde
mental, sono de qualidade vai deixar meu cérebro mais afiado e funcionando
perfeitamente bem, ou seja, apto a formar mais memórias.
Durante o sono,
especialmente nas fases profundas e no sono REM, o cérebro revisita
experiências recentes e fortalece conexões neurais relacionadas ao aprendizado.
Esse processo é chamado de consolidação da memória.
E lembra que a atenção
que demos às experiências e o que elas nos fizeram sentir grifaram a
importância daqueles episódios para o hipocampo? É na consolidação que ele
trabalha para transformar o que foi grifado como importante em memória de longo
prazo.
Todo o restante?
Simplesmente apagado, não era importante.
Em termos simples, dormir
é o momento em que o cérebro organiza, seleciona e armazena as informações
adquiridas ao longo do dia.
Pesquisas demonstram que
uma boa noite de sono melhora a retenção de informações, o desempenho cognitivo
e a memória emocional.
Como aplicar na rotina:
- Dormir entre 7 e 9 horas por noite –
isso varia bastante de pessoa para a pessoa, e você deve observar quantas
horas dormiu e como foi seu desempenho no outro dia. E assim ir ajustando
a quantidade de horas que faz mais sentido para você!
- Manter horários regulares para
dormir;
- Evitar telas brilhantes na última
hora antes de dormir;
- Reduzir cafeína no período noturno.
Em muitos momentos,
chamamos esse processo de higiene do sono, como aquela skin care antes de dormir.
Vamos desacelerando nosso cérebro para o repouso e ainda construindo uma
rotina, com padrões que vão mostrando para ele que está chegando a hora de dormir.
Consuma alimentos ricos em flavonoides
Alguns alimentos parecem
oferecer uma ajuda extra para o cérebro.
Entre eles, os frutos
vermelhos, como o mirtilo (blueberry), têm recebido atenção crescente da
comunidade científica.
Essas frutas são ricas em
flavonoides, compostos antioxidantes capazes de reduzir processos inflamatórios
e favorecer a comunicação entre neurônios.
Uma revisão sistemática
de estudos clínicos encontrou melhora em diferentes aspectos da cognição,
incluindo memória de curto e longo prazo, após intervenções com mirtilos e seus
derivados.
Embora nenhum alimento
seja milagroso, uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, azeite de
oliva, peixes e oleaginosas parece favorecer a saúde cerebral ao longo da vida.
Fora que é uma delícia né, rs.
Como aplicar na rotina:
- Consumir frutas vermelhas
regularmente;
- Incluir castanhas e nozes;
- Aumentar o consumo de vegetais;
- Priorizar alimentos minimamente
processados.
Aprenda algo novo
O cérebro é um órgão
adaptável, plástico, dai o termo neuroplasticidade.
Quando aprendemos uma
nova habilidade, novos circuitos neurais são formados e a repetição pode fortalecê-los,
algo como criar hábitos.
Aprender um instrumento
musical, estudar um idioma, praticar uma nova modalidade esportiva ou até mesmo
mudar caminhos habituais pode estimular processos de plasticidade cerebral.
Um cérebro que aprende
constantemente, que é estimulado e desafiado constantemente, que lê, se mantêm
jovem e tende a afastar ou a pelo menos postergar o surgimento de doenças neurodegenerativas.
Essa dica é basicamente a
evolução do famoso “fazer palavras cruzadas”.
Quanto mais desafiamos o
cérebro, maior a necessidade de criar e fortalecer conexões neurais envolvidas
no aprendizado e na memória.
Muitas pessoas procuram
técnicas complexas para melhorar a memória, mas a ciência mostra que os maiores
benefícios costumam vir de hábitos simples e consistentes.
Constância nos bons hábitos,
o grande x da questão da saúde cerebral.
Praticar exercícios
físicos, dormir adequadamente, manter uma alimentação equilibrada, aprender
coisas novas e prestar mais atenção ao momento presente são atitudes capazes de
fortalecer os mecanismos biológicos que sustentam nossas lembranças.
A memória não depende
apenas daquilo que tentamos guardar. Ela depende, principalmente, da forma como
cuidamos do cérebro que realiza esse trabalho todos os dias.
Emoções intensas aumentam a liberação de adrenalina e noradrenalina, substâncias que ajudam o cérebro a sinalizar que uma experiência é importante (lembra do papel da amígdala nesse processo?). É por isso que muitas pessoas lembram exatamente onde estavam em momentos marcantes da vida, mas esquecem facilmente o que almoçaram na terça-feira passada.

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