Bom dia, pessoal!
Hoje tive o prazer de
participar do quadro: Cá entre nós!
De uma profissional que
admiro e acompanho a um bom tempo, a Camila Manga. Inclusive, muito obrigado
pelo convite, Cá.
E o tema da live?
“O que fazer quando a
liberdade assusta?”
Para refletirmos melhor
sobre o assunto, dividi a discussão em cinco pontos principais, começando pelo
mais neurobiológico deles:
1. O cérebro prefere previsibilidade
Nossos ancestrais precisavam
caçar para obter alimentos, pasmem, não existia ifood em épocas antigas, rs.
Imagina ser difícil obter
combustível e ter um cérebro extremamente potente, sedento por conhecimentos e
aventuras, mas que gasta um combustível danado, tipo um superesportivo.
A conta não fechava e,
para continuar se desenvolvendo sem fronteiras, o cérebro aprendeu a ser o mais
econômico possível quando executa suas funções.
E aqui mora a biologia
por trás da discussão de hoje: para gastar menos energia sendo tão “inteligente”
quanto seu potencial, o cérebro constrói padrões e adora previsibilidade e zona
de conforto.
Escolhas, principalmente
quando existem diversas opções, implicam incertezas.
Incertezas fazem com que
o cérebro gaste mais energia para evitar erros, para nos manter vivos... Mais
opções, maior gasto energético, mais trabalho para o cérebro.
Resultado? Melhor evitar
e se manter no fluxo normal dos hábitos e padrões.
Mas, diante do catálogo
da Netflix ou das dezenas de opções do rodízio da churrascaria (ou do japonês),
frente à liberdade, o cérebro enxerga:
- múltiplas possibilidades;
- ausência de garantias;
- responsabilidade pelas escolhas;
- imprevisibilidade dos resultados.
Do ponto de vista neural,
isso aumenta a incerteza.
E incerteza costuma
ativar circuitos relacionados à vigilância e à ansiedade.
Ou seja, biologicamente
falando, escolhas causam medo. É inevitável, rs.
2. Mais opções nem sempre
significa mais felicidade
Já ouviu falar sobre:
paradoxo da escolha?
Quando temos poucas
opções, escolhemos e seguimos em frente. Tipo quando seu parceiro ou sua
parceira diminui as opções de hambúrguer para duas hamburguerias, agilizou
absurdamente sua vida.
Quando temos muitas
opções nosso cérebro começa a trabalhar com questões mais complexas do que apenas
escolher e pronto, ele precisa analisar fatores como:
- aumento do medo de errar;
- arrependimento potencial – achei fantástico
esse termo, porque quanto mais opções eu tenho, maior a impressão de que
posso mais errar do que acertar. Psicologicamente péssimo;
- aumenta a comparação entre
alternativas.
O resultado pode ser
justamente uma sensação de paralisia, travar frente tantas opções.
Pensando no self-service, normalmente é quando colocamos 5 tipos de mistura no prato, porque queria provar todas (mesmo sem a menor necessidade e, muitas vezes, sem nem fome para isso – vale olhar isso aqui: comer-com-os-olhos)
A liberdade absoluta pode
se transformar em peso.
3. A responsabilidade
assusta
Do ponto de vista
psicológico, quando alguém está preso a uma regra rígida, uma tradição ou uma
autoridade, parte da responsabilidade pela decisão pode ser atribuída a algo
externo.
É o que comentei na live:
quando minha rotina era definida pelos meus pais, com a escola ocupando parte do
meu dia, refeições prontas e acontecendo sempre na mesma faixa de horário,
dentre inúmeras outras coisas da rotina daquela época, meu cérebro não
precisava se preocupar com inúmeras escolhas importantes do meu dia, podendo
ser mais criativo, mais imaginativo – talvez até construindo uma ideia errônea
de que liberdade em demasia é sempre maravilhoso.
Mas quando a pessoa é
verdadeiramente livre, ela se torna autora das próprias escolhas, ou seja,
aumenta drasticamente a responsabilidade pelos resultados que serão colhidos
daquela escolha.
Senti uma pontada de
ansiedade aqui, só de lembrar de todas as responsabilidades que tenho
atualmente, rs.
A neurociência social
mostra que regiões como o córtex pré-frontal medial estão envolvidas na
autorreferência e na avaliação das consequências das próprias decisões. Que,
coincidentemente, também é uma das regiões envolvida no controle das nossas
emoções, um caminho que conhecemos com inteligência emocional.
Consegue entender melhor
agora, como nossas emoções influenciam nas nossas escolhas?
4. Para o cérebro:
segurança é mais importante que prazer
Uma descoberta importante
das últimas décadas é que o sistema nervoso não trabalha prioritariamente para
buscar felicidade, isso foi uma ideia maligna construída por nós mesmos.
O cérebro trabalha para
garantir sobrevivência.
Por isso muitas pessoas
permanecem:
- em relacionamentos ruins;
- em empregos insatisfatórios;
- em hábitos prejudiciais.
Não porque gostem deles.
Mas porque são locais seguros, mesmo que seja uma possível falsa segurança,
como a Camila colocou muito bem na live.
O conhecido gera
previsibilidade. O desconhecido gera ativação fisiológica, e, nesses casos, a
ativação fisiológica é a famosa resposta do medo, base dos nossos anseios mais
comuns.
Nesse sentido, a
liberdade pode ser vivida como uma ameaça biológica antes de ser experimentada
como uma oportunidade. Análise de risco!
5. O desenvolvimento
humano exige tolerar a incerteza
Talvez a reflexão mais
interessante seja:
A maturidade não consiste
em eliminar o medo da liberdade. Ela consiste em desenvolver recursos para agir
apesar dele.
Do ponto de vista
neurobiológico, isso envolve o fortalecimento de circuitos relacionados à
regulação emocional, especialmente as conexões entre regiões pré-frontais e
estruturas límbicas como a amígdala.
Ou seja, não é que
pessoas maduras sintam menos incerteza. É que elas desenvolveram ferramentas e
conseguem sustentar a incerteza por mais tempo sem fugir dela.
E aqui, meu amigo, só a terapia e o autoconhecimento podem te ajudar!

Excelente reflexão da analise do celebro humano na nossa atualidade. Onde o consumo vem a frente de tudo e a exposição a grandes informações diárias e facilidades do dia dia.
ResponderExcluirComo dito o celebro humano sempre vai procurar a economia e atalhos em tudo e por conta disso que estamos em uma era onde encontramos de tudo fácil como comida, bebidas, prazeres, lazeres, jogos e etc (vícios no geral). E é onde entra as doenças psicossomática. E é neste ponto que quero dialogar. Porque existe a evolução humana? Somos únicos num universo? Minha vida termina quando moremos? Deus existe? Jesus viveu mesmo?
Se existir egoísmo em qualquer uma das suas resposta não faria sentido evolução da espécie humana. O celebro "preguiçoso" é o que determina a evolução. Se lá atrás ele era preguiçoso morria de fome e hoje se é preguiçoso morre de doenças psicossomática. Veja que ambos leva a morte, superar ela, por mais tempo ela é evoluir para a próxima (vida ou outras vidas). Se pensar ganhamos a batalha da "Segurança" em comida e sobrevivência. Hoje vivemos a segurança e o que devemos agora começar a pensar, qual próximo passo? Eu vejo que agora, mais que doque antes é obter o autoconhecimento. Sofrera mais e mais aqueles que ficarem para trás. Portanto o papel que fizeram hoje deve e deverá acontecer cada vez mais para levar essas informações a diante. Começar fazer as pessoas pensar mais e mais em si mesmas e tentar responder aqueles questões acima.
A ansiedade é um grão do reflexo de que não estamos pensando em nós, ou seja, deixando ser levados por influências alheiras.