Boa noite, pessoal.
Ao avançar no estudo da psicanálise, finalmente me deparei com um material excelente sobre as definições de Freud sobre ID, EGO e SUPEREGO.
Podem utilizar, para estudar e entender mais claramente esses três conceitos, o vídeo que postei na última matéria de Janeiro, que vocês encontram no link aqui em baixo:
Como disse no post citado, sempre tive dificuldade para entender essas definições (confesso que nunca tinha pegado para ler algo de maior qualidade ou assistir um bom vídeo a respeito, rs), e me surpreendi ao entender.
Além de uma divisão bem interessante, estudar um pouco mais afundo essas divisões da mente humana me fez enxergar relações bem interessantes com conhecimentos mais atuais da neurociência.
Para mim, um dos pontos mais interessantes de enxergar esses dois mundos (Freud e Neurociência atual), é pensar que o mesmo lançou essa teoria sobre o modelo estrutural da mente em 1923. Isso, você não leu errado, 1923.
Apesar de não ser uma divisão anatômica, ou seja, não existir um local onde fique guardado ou uma região específica que tenha como função o ID, o EGO e o SUPEREGO, fiquei intrigado como quão relacionado ao conceito de inteligência emocional e a sensacional relação entre sistema límbico e córtex pré-frontal está essa divisão Freudiana de "apenas" 123 anos!
O ID, como uma porção mais impulsiva, que busca prazer imediato e odeia ser contrariado, uma coisa mais instintiva talvez, é a cara das definições de sistema límbico. Ou, alguma vez, quando você respondeu um argumento em uma discussão sem nem raciocinar, ou tomou uma decisão impulsiva, baseada em emoções, isso foi benéfico para você? Provavelmente nunca, rs.
EGO, com sua função de mediador, entre conseguir o prazer mas dentro dos limites plausíveis, de forma a não gerar problemas ou trazer malefícios. algo como obter o prazer evitando a dor, conta claramente com papéis relacionados a porções do córtex pré-frontal, mesmo que isento de questões morais ou de certo e errado, decisões práticas e lógicas, como as do EGO, são comumente relacionadas a porções do córtex pré-frontal. Algo racional tentando sobrepujar os impulsos do ID, que provavelmente contém porções do sistema límbico e outras regiões cerebrais atuando.
O SUPEREGO, com suas análises de certo ou errado, baseado em um viés mais social, até ético, com certeza envolver outras porções do córtex pré-frontal, pois exige uma análise racional, comparações com memórias e conhecimentos, como os limites que não devem ser transpassados a nível social e ético.
Novamente, uma batalha de regiões do córtex pré-frontal sobre impulsos, muitas vezes emocionais. Córtex pré-frontal analisando e se sobrepondo aos desejos animalescos do sistema límbico, base do que hoje conhecemos como inteligência emocional.
Sensacional.
Outras questões que vieram à tona e me trouxeram reflexões curiosas e divertidas, daquelas que excitam o cérebro pois exigirão pesquisas mais aprofundadas para se obter respostas de qualidade, foram:
- Seria o zolpidem e seus efeitos colaterais, como compras impulsivas, muitas vezes meio que inconscientes, um excitador do ID? Ou um inibidor do EGO e do SUPEREGO? Pensando na neurociência, nos neurotransmissores e nas região afetadas pela substância, uma inibição de regiões envolvidas no papel de EGO e SUPEREGO, como as do córtex pré-frontal, é uma teoria mais plausível.
- E as drogas de abuso, como a cocaína} Porque continuamos abusando de substâncias, mesmo conhecendo seus malefícios, prejuízos financeiros, de saúde... Onde elas irão agir dentro dessa divisão Freudiana? Neurobiologicamente, tem muita dopamina envolvida no uso da cocaína, mas e pensando na divisão freudiana? Excitação de ID, inibição dos outros dois? Curioso e interessante, vou explorar mais para trazer respostas aqui.
Muitas reflexões e associações podem ser feitas, mesmo que não em uma proporção de 1:1. Ou seja, o objetivo não é chegar em uma região cerebral que seja responsável pelo ID, por exemplo. Mas sim tentar trazer relações anatômicas e funcionais, tentando entender neurobiologicamente como essas divisões da mente freudiana encontram respaldo na neurociência moderna.
Sério, chega a excitar o cérebro que vos escreve!
Seguiremos!