sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Meu cansaço mental não passa, o que fazer?

Bom dia, pessoal!

Já acordou cansado?
Ou melhor, mentalmente cansado?
Tipo aqueles dias onde, nas primeiras horas da manhã, você mal consegue organizar os pensamentos, o cérebro parece esgotado...

E ele está, coitado. 
E advinha quem está por trás desse cenário? 
Sim, o Estresse.


É uma reclamação comum, que com frequência aparece nas salas de aula, na roda de conversa com amigos, em alguns (poucos) ambientes que frequento na minha rotina. 

Mas, dessa vez, quem me trouxe essa questão foi meu querido amigo Leandro Lopes, professor, reitor, um ser humano de um coração enorme, que agora trás reflexões desse tipo no seu podcast Vozes e Silêncio. 

Vamos tirar o estresse da sua rotina, sobrando só sua versão que faz as coisas, mas lida bem com tudo, não acumulando estresse. Nesse cenário, seu sono está bem regulado, tanto em horas quanto em qualidade. Aqui, dentre os papéis essenciais do sono, gostaria de focar em alguns específicos:

- Descanso e limpeza do cérebro! Durante as fases mais profundas do sono e na fase do sono REM, o cérebro se reorganiza, se limpa, se prepara para o novo ciclo que começa ao despertar. Isso é essencial para manutenção da nossa saúde mental, para construção de memórias, para um maior nível de atenção e cognitivo, é o cérebro poder funcionar com seu potencial máximo.

- Além dessas alterações, o sono ainda diminui  o cortisol corporal, libera hormônios como o do crescimento (GH), diminui o tônus simpático (responsável pelo estado de alerta do nosso corpo e mente), dentre várias funções biológicos que auxiliam na nossa saúde física e mental.

Quando estamos sobre uma grande carga de estresse ou sobre os drásticos efeitos do estresse patológico crônico, acontecem algumas mudanças no nosso organismo que vão dificultando cada vez mais a qualidade do sono, minando a qualidade do descanso através dos altos níveis de cortisol e outras alterações neurobiológicas.

Para que vocês entendem de uma forma mais simples, estresse acumulado tende a aumentar a concentração do hormônio cortisol, pois o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal está constantemente ativo. 

Dentre os efeitos conhecidos de um aumento crônico do cortisol, temos uma diminuição da força do sistema imune, tornando nosso corpo mais fraco e mais apto a ficar doente, disfunções cognitivas, declínio na formação de memórias e do aprendizado... 

E boa parte, se não tudo, conversa com os efeitos do estresse sobre o  nosso sono, e porque o coitado do cérebro não consegue descansar, mesmo que você durma oito horas todas as noites.

Estresse alto, cortisol alto, sistema nervoso simpático (aquele da resposta de Luta ou Fuga) hiperativo. 

De dia, tudo isso vai afetar bastante sua rotina, seu humor, mas a noite meu amigo, os efeitos acabam custando mais caro, e muitas vezes de uma forma bem sutil.

Primeiro, existe um aumento do cortisol noturno, uma vez que, nessa fase de grande carga de estresse, o parassimpático não consegue tomar as rédeas nem mesmo durante a noite, e o simpático e toda a tensão que ele trás, continuam ativos durante seu sono. Assim, aumenta o gasto energético do corpo e do cérebro durante a noite. e tem mais, o cérebro ainda não consegue fazer a limpeza adequada, prejudicando a consolidação de memórias.

Se não bastasse, pesquisas mostram que essa "limpeza", basicamente uma faxina que acontece durante o sono, limpa do nosso cérebro a famosa beta-amiloide, que quando acumulada da início à inflamação e morte neuronal associadas à doença de Alzheimer. Tem pesquisas, inclusive, que mostram que uma noite mal dormida já aumentaria a probabilidade de desenvolver a doença, ou seja, ferrou, rs.

Ou seja, mesmo dormindo, o cérebro não consegue recarregar suas baterias. 

Além de essa combinação aumentar os episódios de despertar ao longo da noite, mesmo que seja micro, sem que a gente nem perceba, todas essas alterações em conjunto aumentam a inflamação ao longo de todo o nosso corpo. Algo como uma inflamação basal, pequena, porém corrosiva no longo prazo.

Juntando tudo isso, seu corpo pode até ter a sensação de estar descansado, mas seu cérebro não. Você fica esgotado nas primeiras horas do dia, atenção prejudicada, formação de memórias prejudicada, humor desequilibrado... 

Não adianta, precisamos enxergar o estresse acumulado como um formador de caos na nossa biologia, principalmente na neurobiologia. Por isso, encontrar válvulas de escape para o estresse: exercício físico que você se apaixone, pessoas ou locais que te fazem bem, atividades que geram prazer... é extremamente necessário em nossa rotina atual.

Até porque, se assim como eu, você não for herdeiro ou tenha alguém para te bancar, os níveis de estresse por conta dos BOs diários e da vida continuarão sendo altos, então, não adianta visualizarmos um mundo de plenitude e paz, mas sim encontrar formas para que o caos do dia a dia, não torne o nosso corpo e, consequentemente, a nossa mente, em um caos também.

Bons estudos, meu povo! 

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