sexta-feira, 13 de março de 2026

Quando virou vício?

Olá, pessoal!
Boa noite.

Hoje trago uma reflexão complexa, que beira o tabu, sobre vício. 
Você já parou para pensar em, QUANDO, seu uso virou um vício?

Eu sei, ao ler vício, já aparece o uso de substâncias ilícitas ai na sua cabeça, né? Cocaína, maconha ou outra substância que, além de vício, lembra polícia.

E sim, a reflexão também engloba essas substâncias, mas está quilômetros de distância de ser apenas sobre elas.

Para você que, assim como eu, adora tomar um cafezinho, já passou a manhã inteira sem tomar nenhuma xícarazinha? E o dia inteiro? 
Prestou atenção nos sintomas corporais? Agitação, irritação, dor de cabeça, em alguns casos até náusea.  
Sabe o nome disso?
Abstinência.

Sim, você e seu cérebro são viciados em café.

Ou você, que ama um docinho, como um chocolate, já ficou sem? Já cortou tudo que contém açúcar bruscamente, de um dia para o outro? 
Reparou na mudança de humor? Nos sintomas físicos? 
Costumo brincar com meus alunos que, ao final do dia, a pessoa está com a pata armada, prontinha para dar uma patada em quem respirar perto dela.

Sim, vício em açúcar.

Mas nem só de substâncias vivem os vícios.
Em algum dos últimos dias, você saiu de casa sem seu celular? 
Fiz isso esses dias, para andar com os cachorros (cerca de 30 minutos de passeio), e deixei o celular carregando em casa. 
Eu perdi as contas de quantas vezes levei as mãos ao bolso para pegar o celular.

E aqui, vamos um pouco além. 
Se o celular não estava comigo, não teve vibração ou qualquer tipo de notificação. Ou seja, eu estava buscando ele, todas as vezes, para o mais absoluto nada, apenas de hábito, no automático.

Ou seja, vício!

Nos últimos tempos o vício em apostas, com a tenebrosa onda das Bets, nos mostrou o caos que pode se transformar a vida de uma pessoa por conta do vício. Se juntarmos o tigrinho nessa conta então, os números explodem, e o caos também.

Tanto que, o SUS, fez até um teleatendimento para quem está viciado nesse tipo de jogo, Olha o que acabei de retirar do google:

"O SUS oferece teleatendimento gratuito e sigiloso para o vício em apostas (jogos compulsivos) pelo aplicativo Meu SUS Digital. O serviço inclui autoteste, consultas por vídeo com equipe multiprofissional (psicólogos/psiquiatras) e direcionamento para a rede de saúde mental (CAPS/UBS). O programa é voltado a maiores de 18 anos, com suporte também a familiares"

Tem noção do tamanho do perigo e do problema?
E a pornografia? Que em adultos já é terrível, imagina o efeito quando ajuda a moldar os adolescentes!

Sem perceber, nós viciamos nosso corpo e nosso cérebro em diversas substâncias e hábitos, na esmagadora maioria das vezes, ruins.

E claro, o vício é complexo em qualquer uma de suas formas, podendo envolver fatores genéticos, ambientais, psicológicos... 

Acaba que, por trás da substância ou comportamento, normalmente existe uma construção complexa que envolve muitos fatores, de diversas áreas da vida da pessoa.
E, ao que parece, tanto pelas conversas, relatos de alunos e artigos científicos, o vício normalmente supre alguma falta, deixa mais escondido alguma coisa que não queremos lidar, como se fosse uma muleta para continuarmos caminhando, só que sem resolver os reais problemas por trás.

E sim, algumas substâncias e/ou alguns vícios podem trazer mais prejuízos, principalmente por seus efeitos colaterais. Mas de uma forma geral, todo vício traz prejuízo para a pessoa, inclusive, isso entra na classificação do vício em si. 

Talvez, o maior problema do vício, assim como qualquer outro hábito ruim, seja o longo prazo. O efeito crônico de más escolhas é maléfico para nosso corpo, para nossa saúde e para a nossa mente. Muitas coisas não nos mata rapidamente, mas vai nos corroendo, construindo problemas que, lá na frente, vão dificultar bastante os anos ou as décadas finais de nossas vidas.

E sim, a esmagadora maioria dos casos de vício não termina com alguém roubando as coisas de dentro de casa, indo morar na rua ou algo tão drástico quanto. Podem seguir esse caminho? Claro. Os exemplos são inúmeros.

Porém, a grande maioria é mais funcional, como os assustadores casos do vício funcional em cocaína, onde o usuário trabalha, estuda, tem vida social, mas sempre aditivado. Muitas vezes, nem quem mora na mesma casa percebe. Imagina a dor da pessoa em ter que levar uma vida dupla, mentindo para quem mais se ama.

A conclusão? Sempre reflita sobre seus hábitos, e pode ser com uma pergunta bem simples, como: 

"Consumindo isso, desse jeito, como estarei daqui a 20, 30 anos? O que estou construindo com isso?"

No final das contas, devemos buscar um terço final de vida, a famosa melhor idade, com autonomia, são. E isso só é possível com um corpo e uma mente saudáveis!

Reflitam e se cuidem!