terça-feira, 7 de abril de 2026

Padrões Relacionados e Modelos Internos

Oi pessoal, bom dia.
Espero que todos estejam bem, ou, pelo menos, buscando ficar!

Ontem me peguei em uma reflexão e, como um bom eterno estudante, fui discutir com o chat gpt sobre alguns pontos da reflexão que não estavam encaixando na minha cabeça.



A neuroplasticidade é uma coisa fantástica, e abre um bilhão de possibilidades para nós, humanos. Basicamente, podemos fazer qualquer coisa, mudar qualquer coisa, aprender qualquer coisa, as possibilidades para nosso cérebro são basicamente infinitas. 

Uma vez que não podemos apagar memórias, a neuroplasticidade entra com maestria no que chamamos dentro da neurociência de Ressignificação de memórias, o que os psicólogos e psicanalistas fazem com escuta e palavras, ajudando o paciente a trabalhar suas memórias traumáticas até um ponto onde conseguem ressignificá-las, ou seja, elas continuam existindo, mas a partir daquele momento não vão doer mais, ou então, vão doer menos.

Isso, para mim, mostra o quão gigante o processo terapêutico pode ser, chega a ser fascinante. Escutando e ajudando com palavras nas reflexões, auxilia-se o paciente a ressignificar algo que o fez sofre por anos, as vezes por décadas, isso jamais terá um preço, mas tem um valor inimaginável!

Porém, uma coisa não saia da minha cabeça:
Quantos casos, observamos, onde existiu um trauma, como um abuso na infância, décadas depois isso foi trabalhado em terapia, o paciente sente que foi "resolvido", a memória foi ressignificada, ou seja, a neuroplasticidade aconteceu, não existe mais a dor gerada quando algum gatilho leva o paciente de volta aquela memória. Porém, os relacionamentos continuam difíceis pela falta de confiança, as amizades escassas, a solitude ainda é solidão na maioria das vezes... As consequências ainda existem.

Onde entrou o chat gpt aqui? Com uma pergunta bem simples: existem pessoas incuráveis? quebradas de uma forma, que, talvez, a lente colocada na forma de enxergar o mundo, pelo trauma, jamais vai permitir que ela enxergue o mundo de uma forma mais saudável?

E ai veio um ponto que eu não conhecia.

A neuroplasticidade vai ajudar na dor da memória, eu posso até perdoar e ressignificar, porém, foram criadas estratégias de sobrevivência a partir dessa memória. Todas as relações, todos os comportamentos, todos os padrões internos e os modelos internos foram desenvolvidos com um cérebro mais reativo, com mais medo, porque jamais gostaria de vivenciar aquele terror novamente. Tudo é pensado e construído para que aquela dor não se repita!

TUDO!

Relacionamentos, hábitos, rotinas, vícios...

Mesmo que a dor não exista mais, ou seja bem mais leve do que já foi um dia, o seu cérebro se adaptou à desconfiança, ao receio, ao medo de ser ferio novamente. Mesmo que na fase adulta isso seja bem mais difícil de acontecer, o modelo enraizado é esse.

Mas ai vem o grande detalhe:
Assim como os hábitos, é difícil, mas dá para mudar.
Padrões são econômicos de serem seguidos para o cérebro, ou seja, custam menos energia, algo como a zona de conforto. E ele adora! Por isso buscar nos boicotar quando tentamos mudar algum hábito, mas se insistirmos, ele vai se reorganizando (neuroplasticidade), se acostumando ao novo caminho até que ele se torne a estrada habitual, e o novo hábito seja construído.

Então, nenhum de nós foi quebrado para sempre!
Pode ser difícil, pois existem padrões e modelos bem estruturados, que aprenderam a garantir a sua segurança frente às experiências que te causaram dor. Vai dar trabalho, mas podem ser amenizados, melhorando seus relacionamentos e sua vida social de uma forma geral.

De qualquer maneira, só o autoconhecimento pode te ajudar com isso, e, normalmente, o caminho mais fácil (mas não menos dolorido), é a terapia!

Reflitam!
Beijos!